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A ETIÓPIA JÁ NASCEU EM 2019. NÓS CONTINUAMOS A CONTAR O ANO DOS OUTROS

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Parabéns 🎉 Feliz Ano Novo aos nossos irmãos e irmãs na Etiópia Há publicações que parecem apenas cortesia digital e, no entanto, rasgam o véu da nossa amnésia. Uma mensagem simples (parabéns e feliz Ano Novo aos irmãos e irmãs da Etiópia) acompanhada da imagem de jovens vestidas de branco bordado, faixas de cores vivas sobre o peito, tranças adornadas e o sorriso de quem não precisa de autorização para existir, chegou hoje às redes como se fosse um detalhe festivo. Não é. É um espelho. Enquanto o calendário gregoriano insiste em setembro de 2026, a Etiópia atravessa o limiar de Meskerem e entra no ano de 2019. O contraste não é folclore. É filosofia política escrita em tempo. Enkutatash significa, na memória viva do povo, a oferta de joias. A tradição diz que, no regresso da Rainha de Sabá (Makeda) da visita a Salomão, os chefes recompuseram o tesouro com pedras preciosas. O nome ficou. Mas o que se celebra não é apenas o mito. É o fim das chuvas longas, a terra que volta a respirar,...

AINDA ESTAMOS NUMA ERA ONDE HÁ ILUSÃO DA PUREZA ENTRE RAÇAS

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O Grito de Ódio e a Amnésia Colectiva no Coração de Lisboa O ano é 2026, mês de Setembro e estamos em Lisboa, a cidade que historicamente se ergueu como um ponto de encontro de mares, línguas e culturas, vê-se hoje confrontada com um eco sombrio do seu próprio passado. Recentemente, circularam nas redes sociais narrativas que clamam pela expulsão de imigrantes e pela suposta "salvação" de uma identidade europeia em perigo, retratando bairros históricos como espaços "perdidos" ou "degradados". Bem, não era minha vontade escrever sobre isso, ainda que fosse a publicar como anónimo. Pois, ouvir coisas como este discurso, revestido de uma retórica de urgência e decadência, não é apenas um lamento urbano; é o sintoma de uma amnésia colectiva profunda e perigosa. Quando se aponta o dedo à presença do outro como a raiz de todos os males, estamos a testemunhar não a defesa de uma cidade, mas a negação da sua própria essência vibrante e plural. A filosofia que sus...

A MÃO INVISÍVEL DO MARKETING

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Quando a Apple "Alonga" Dedos e a Realidade se Dobra Há algo de profundamente sintomático no episódio que abalou as redes sociais esta semana. A Apple, a empresa que construiu um império sobre a promessa de tornar a tecnologia "mágica" e intuitiva, viu-se acusada de manipular uma imagem promocional do seu primeiro telemóvel dobrável, o iPhone Duo, para fazer parecer que o dispositivo pode ser segurado com uma só mão. A acusação, partilhada por milhares de utilizadores, baseia-se numa comparação simples: quando o telemóvel é removido digitalmente da fotografia, os dedos que o seguravam revelam-se anormalmente longos — "freakishly long", nas palavras que circulam online. Não há, até ao momento, qualquer prova concreta de que a Apple tenha deliberadamente esticado os dedos do modelo. A empresa não comentou as alegações. Fatores como a perspetiva da lente, o posicionamento da mão ou o pós-processamento básico podem, de facto, criar proporções estranhas numa f...

A SOBERANIA NÃO PEDE LICENÇA

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O Fim da Arrogância Diplomática e o Despertar da Dignidade Africana Há um novo vento a soprar sobre o continente Africano, o qual devia inspirar tantos outros líderes deste continente. Não se trata de uma brisa passageira, mas de um furacão silencioso que está a redesenhar as regras do respeito mútuo e da dignidade internacional.  De facto, durante décadas, o Ocidente habituou-se a tratar a África não como um parceiro de igual para igual, mas como um quintal onde as portas estão sempre escancaradas para quem carrega o passaporte certo. Contudo, na semana passada, na cidade costeira de Walvis Bay, a porta fechou-se. E o som desse fecho ecoou por todo o mundo. O Incidente em Walvis Bay: A Porta que se Fechou O episódio é, à primeira vista, uma mera questão de protocolo; na sua essência, porém, é uma revolução. O embaixador dos Estados Unidos na Namíbia, John Giordano, deslocou-se ao National Fisheries Indaba  - um fórum crucial sobre os recursos marítimos namibianos - sem o dev...

SÓ NA ÁFRICA MESMO: O ÚLTIMO JEJUM

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O Silêncio da Montanha e o Limite Intransponível da Carne Há momentos na trajectória da existência humana em que o sagrado e o biológico colidem de forma silenciosa, porém estrondosa, deixando-nos perante um abismo de interrogações sem resposta imediata. A recente notícia, que ecoou com pesar nas redes sociais e na consciência colectiva, acerca do falecimento de um pastor encontrado sem vida numa montanha após doze dias de oração e jejum, não é apenas um registo policial ou um evento isolado. É, antes, um espelho sombrio onde se reflectem as tensões eternas entre a aspiração espiritual e a finitude da nossa condição mortal. A montanha, na simbologia universal das religiões, representa sempre o lugar do encontro, do transfigurado e do divino. Foi no monte que Moisés recebeu as tábuas da lei, foi no monte que a transfiguração ocorreu, e é para a montanha que o espírito humano, na sua ânsia de purificação, frequentemente se volta. Contudo, a montanha é também um ambiente de implacável re...

O GELO TEM SEGREDOS OU APENAS O MITO É COMO REFÚGIO DA RAZÃO

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A Civilização Oculta na Antártida e o Nosso Medo do Desconhecido #Antártida #Filosofia #Mistério #CivilizaçãoOculta Há um momento, na vida moderna, em que o espanto parece ter sido banido para os confins da imaginação. Vivemos na era da informação total, onde cada latitude do globo foi cartografada, cada pico escalado e cada abismo oceânico, em certa medida, sondado. E, no entanto, eis que um atleta, DK Metcalf, receptor dos Pittsburgh Steelers, profere uma declaração que, à primeira vista, parece um eco de tempos mais ingénuos: acredita que a Antártida esconde “outra civilização dentro da Terra”. A sua pergunta, aparentemente simples, ressoa com uma profundidade que transcende o mero devaneio conspirativo: “Por que não se pode simplesmente marcar uma viagem para a Antártida?”. Nesta interrogação, reside a semente de um questionamento filosófico mais vasto sobre os limites do nosso conhecimento e a natureza das fronteiras que nos impomos. O Mito como Refúgio da Razão A teoria da Terra...

QUANDO O PERIGO É MOTIVO DE ORGULHO

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A Ironia Mortal do “Baby, Tem Cuidado no Trabalho” Há qualquer coisa de profundamente irónico na forma como muitos homens encaram a segurança no local de trabalho. A piada que circula nas redes sociais - “Her: baby be safe at work. Us at work:” - não é apenas mais um meme. É um espelho que reflecte uma verdade incómoda sobre a nossa relação com o perigo, a masculinidade e a própria vida. Quantos de nós já saíram de casa ao som de um “tem cuidado” dito pela companheira, pela mãe, pelos filhos, e segundos depois estavam a fazer exactamente o oposto? A mensagem de cuidado que recebemos em casa contrasta drasticamente com a realidade do dia-a-dia laboral, onde o risco é muitas vezes romantizado, banalizado ou simplesmente ignorado. A Cultura do “Aqui é Diferente” O que torna este fenómeno particularmente preocupante é a sua normalização. Em muitos sectores - construção civil, indústria pesada, transportes, agricultura - a exposição ao perigo é vista como um atestado de virilidade. O traba...