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HOMENS QUEIMADOS NO LAR

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A Vergonha que Mata Mais que o Óleo Quente em Moçambique Às vezes dá medo se casar... Olhe para a foto que serve de capa deste artigo. Um homem deitado de bruços, o corpo nu coberto de crostas escuras e feridas abertas que expõem a carne viva. As costas, os ombros, as nádegas – tudo marcado por queimaduras graves, como se alguém tivesse derramado uma panela de óleo a ferver ou água a escaldar em cima dele enquanto dormia ou tentava fugir. Não é uma imagem de guerra. Não é um acidente de trabalho. É o resultado de violência doméstica. E a vítima é um homem moçambicano. @whatsapp "Homens estão a sofrer, e o pior é a vergonha de denunciar." Esta frase, que acompanha a imagem, não é exagero. Mésio, um rapper nortenho, uma vez chamou o público em geral para reflectir sobre o assunto numa das suas músicas. É a dura realidade que se repete nos bairros de Maputo, Matola, Beira, Dondo, Pemba, Manica, etc.  Casos recorrentes, documentados pela imprensa moçambicana e pela Polícia da Re...

A FRATERNIDADE BRUTA DAS DUCHAS EM EXTINÇÃO

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O Último Ritual de Fraternidade Bruta que o Mundo Moderno Tenta Apagar Num mundo que vende privacidade como luxo de primeira e transforma o corpo em objecto de filtro digital, ainda existe um espaço onde a nudez não é escândalo, mas lição de humanidade. O post que viralizou no X (antigo Twitter) não é mero álbum de fotografias artísticas. É um soco no estômago da nossa época: “A l’armée, au travail, au sport, le passage par les douches collectives reste un symbole fort de la vie en communauté & reste un lien de fraternité brute.” E cá em Moçambique, onde o calor aperta e o espaço é sempre partilhado, essa verdade dói ainda mais fundo. Cortesia: @Laurent Rie Pense no quartel de Nampula ou no estádio da Machava depois de um jogo da Liga. Imagine os homens que saem do serviço nas minas de Moatize ou das obras em Maputo, suados, exaustos, sem tempo para fingimentos. As duchas colectivas não são um detalhe logístico. São o último reduto onde a hierarquia se dissolve em água quente (ou ...

MEDITERRÂNEO OU TÚMULO DOS AFRICANOS DESESPERADOS NOS SEUS PAÍSES

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Quem culpar quando África falha aos seus? Por Elias Marcos Dave O Mediterrâneo tem sido, nos últimos anos, palco de uma tragédia silenciosa, mas profundamente humana. Em 2026, os números são alarmantes: quase mil mortos ou desaparecidos só nos primeiros meses. Para muitos cidadãos africanos, incluindo moçambicanos que acompanham o fenómeno à distância, a pergunta que ecoa nas conversas de rua e nas redes sociais é incómoda, mas necessária: “Será que esta sangria não começa, antes de tudo, pela despreocupação dos nossos próprios dirigentes em construir uma África próspera?” Este artigo não pretende dar respostas fáceis, mas sim abrir a caixa negra de um debate que muitos preferem evitar. A rota da morte como espelho da desilusão A travessia do Mediterrâneo Central, que liga a Líbia e a Tunísia à Itália ou Malta, consolidou-se como a mais mortal do mundo. Em 2026, o aumento de mortes nesta rota ultrapassou os 150% em comparação com o mesmo período de 2025. Por trás de cada estatística, ...

“PAGA PARA MIM, SOU TEU PROFESSOR”

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Quando a hierarquia se dissolve na bebedeira Uma análise do caso que abala a Escola Secundária da Liberdade, na Matola, e expõs as fragilidades das relações de autoridade dentro e fora da sala de aulas. Não são raras as vezes que há esse cenário de violência no ambiente escolar, se não for entre professores e alunos, como nesse caso, tem havido também situações entre professores, alunos e até entre alunos e os agentes de serviço, etc.  Foi numa barraca, dessas de esquina com bancos de madeira e garrafas vazias a fazer de cinzeiro, que a linha ténue entre o respeito institucional e a mais crua falta de limites foi atravessada. Um aluno da Escola Secundária da Liberdade, no município da Matola, como dizem, agrediu fisicamente o seu professor durante uma sessão de consumo de bebidas alcoólicas. O motivo? A segunda rodada. Segundo testemunhas, o encontro entre ambos acontecera fora do contexto escolar, longe dos quadros, do giz e dos manuais que a cada ciclo governamental se escasseia...

A ARTE DE TRANSFORMAR O BANAL EM ÍCONE E ÍCONE EM PRODUTO VIRAL 🥵

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Quando a Embalagem Vira Roupa — e o Luxo Vira Piada Há uma cena que o século XXI repetiu tantas vezes que já ninguém estranha: uma grife de moda de luxo apresenta uma peça absolutamente absurda, o mundo inteiro ri, partilha, indigna-se, e dois dias depois o artigo está esgotado. O ciclo é tão previsível quanto o próprio absurdo que o alimenta. Desta vez, o motivo da gargalhada e da comoção é um conjunto de camisa e calções — se é que se pode chamar assim — inteiramente construído a partir de caixas de cartão ondulado, daquelas que chegam até à nossa porta com etiquetas "FRAGILE" a vermelho, fita-cola de embalar e o logótipo inconfundível de um gigante do comércio electrónico. O preço? Cerca de dez mil dólares americanos. O escândalo? Nenhum. Ou talvez, precisamente, tudo. Importa contextualizar. A casa por detrás desta peça não é uma recém-chegada às polémicas. Sob a direcção criativa de Demna — o designer georgiano que transformou uma maison centenária num laboratório perma...

O REGISTO QUE O AMANHÃ NÃO PERDOA

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A imagem fica. O futuro, nem sempre. Passa a grande festa das mulheres e pesadelos para alguns relacionamentos mal estruturado, s compostos por indivíduos ou seres humanos que mal se importam ou pelo menos fingem saber o que querem nos diversos casos. Porém, há outro lado sombrio que marca os momentos dessa festa, que às vezes, o evento acolhe uma celebração comovente e misturada de várias emoções e exageros incontroláveis, etc. Sinal de que nesses ambientes, nos esquecemos frequentemente que vivemos numa época em que a memória já não depende apenas da mente.  Depende do ecrã. Depende da ligação à internet. Depende de um dedo que carregou num botão sem pensar nas consequências — ou pensando apenas no instante, sem considerar o amanhã, a individualidade dos envolvidos na captação da imagem em alusão e dentre outros aspectos, relevantes ou não, dependendo dos registos.  Nesse contexto, a mulher africana, e a moçambicana em particular, cresce num mundo de contradições cruéis. É-...

QUAIS AS LIÇÕES DE RESILIÊNCIA DOS QUE VIVEM EM CASAS COLECTIVAS (COMPOUND)

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Casas de Compound: Onde a Pobreza Ensina o que o Dinheiro Nunca Compra Imagine acordar num prédio onde as paredes parecem sussurrar segredos de gerações inteiras. O zinco range com o vento, a roupa estendida nas varandas conta histórias de quem luta para secar o suor do dia anterior e, lá em baixo, no pátio comum, o cheiro a comida misturado com o fumo dos geradores improvisados lembra que a vida não pede licença: ela simplesmente acontece. Não são mansões de betão polido nem condomínios com portão eléctrico. São as casas de compound – aquelas estruturas que, à primeira vista, parecem prestes a desabar, mas que resistem com uma teimosia quase divina. E é precisamente aí, no coração dessa aparente decadência, que se esconde uma das maiores lições da nossa África contemporânea: a verdadeira riqueza não se mede em tijolos, mas na capacidade de transformar limitação em laço humano. Pense no dia-a-dia. Não há privacidade que se preze. As vozes dos vizinhos atravessam as paredes finas como ...