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ATÉ ONDE NOS LEVARÁ A BUSCA POR VISUALIZAÇÕES E VIRALIZACÃO

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O Caixão de Enori: Soberania, Viralização ou "Malavi"? A Quebra de um Tabu em Moçambique Na última semana, algumas redes sociais foram palcos de uma publicação que rapidamente se tornou viral. A autora, identificada como Enori (@Brattyenori13), partilhou uma série de fotografias acompanhadas de uma declaração: “Porque esperar até estar velho e a morrer para comprar, quando podes comprar agora e guardar?”. Acompanhada da frase “É uma compra enorme. Mais pessoas precisam de fazer isto. Parabéns para mim”, as imagens revelam que a “compra” em questão é um caixão. Nas fotos, Enori aparece sorridente, vestida com um top rosa e calças de ganga rasgadas, abraçando o caixão, deitada dentro dele e posando ao lado de vários outros modelos num espaço que aparenta ser uma fábrica ou expositor. O que para uns pode parecer uma preparação excêntrica, para outros roça o absurdo e a profanação. A Morte Como Espetáculo e o Peso da Tradição Em Moçambique, a relação com a morte é complexa e pro...

O SORRISO NA TELA NÃO TE VÊ

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A Intimidade Mercantilizada na Era dos Algoritmos Olhe para esta imagem por um instante e permita-se senti-la: Uma mulher sorridente com cabelo trançado, deitada em uma cama confortável enquanto usa um pijama curto estampado . O ambiente emana um conforto quase terapêutico, uma curadoria estética de acolhimento: a luz âmbar do candeeiro de cabeceira desenhando sombras suaves, o lençol impecavelmente estendido, o pijama leve de laços cor-de-rosa que sussurra leveza e descanso. Há um sorriso aberto, lúcido e direcionado a nós, transmitindo a sensação de uma proximidade espontânea, quase cúmplice. À sua frente, a frieza tecnológica de um computador portátil e um telemóvel. Esta cena, que à primeira vista parece um mero fragmento de um domingo preguiçoso ou de um ritual de autocuidado, é, na verdade, o retrato falado da maior transmutação social do nosso século: a digitalização e a submissão da nossa intimidade à lógica do mercado. A Ilusão da Proximidade sem Presença  Historicamente,...

A CRIANÇA QUE NINGUÉM OUVIU: UM CASO QUE EXPÕE AS FISSURAS DO SISTEMA DE SAÚDE

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DO RIO À PISCINA: NÃO É SÓ UMA SIMPLES FALTA DE HIGIENE OU ETIQUETA

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A Vergonha que não é só Dela, mas Também de Quem Filmou Um vídeo que circula nas redes sociais, impulsionado por uma partilha na rede X, está a gerar uma onda de reacções viscerais. [Assista 📽️AQUI📹 ] Nas imagens, captadas num fim de semana, uma senhora (vestida com uma camiseta vermelha, calções castanhos e uma toalha branca nos ombros), é vista a lavar as partes íntimas de uma criança com a água de uma piscina, provavelmente pública.  Ela segura a criança numa posição que tenta impedir que os pés toquem na água, enquanto com a outra mão tira água e higieniza a zona depois de a criança ter feito cocó. Tudo isto enquanto outros banhistas se divertem nas proximidades. A autora da partilha expressa indignação com o sucedido. Contudo, a cena, captada algures em África, levanta questões muito mais profundas do que a simples falta de higiene ou etiqueta. A lógica da lagoa aplicada à piscina Do X: a lógica da lagoa aplicada à piscina.  É fácil apontar o dedo e gritar "falta de ed...

APRENDER UMA HABILIDADE EM JOVEM: O MELHOR INVESTIMENTO OU UM RISCO SILENCIOSO?

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Descubra por que aprender uma habilidade desde jovem é um investimento poderoso, mas exige protecção para não comprometer a saúde. Há uma verdade que resiste ao tempo: as competências que adquirimos nos primeiros anos de vida são alicerces para tudo o que construímos depois. Não se trata apenas de acumular certificados ou dominar técnicas; trata-se de moldar a forma como pensamos, resolvemos problemas e nos posicionamos no mundo. Quando uma criança ou um jovem aprende uma habilidade - seja carpintaria, programação, culinária ou electricidade, está a fazer mais do que preencher o tempo. Está a investir numa versão futura de si mesma que terá mais autonomia, mais opções e, potencialmente, mais rendimento. A investigação é clara: os primeiros anos oferecem uma janela crítica para o desenvolvimento de competências que acompanham a pessoa por toda a vida. Estimular essa aprendizagem não é um luxo, é uma estratégia de longo prazo. Os jovens que desenvolvem competências práticas desde cedo t...

O VILAREJO DE 10 MILHÕES DE DÓLARES DE MRBEAST: SALVAÇÃO OU ESPETÁCULO?

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Mas Será que a Caridade-Espetáculo Resolve? 🚨 Explendido: MrBeast constrói cidade de 10 milhões de dólares no Gana para resgatar crianças do trabalho forçado Jimmy Donaldson, conhecido mundialmente como MrBeast, anunciou na semana passada (terceira semana de Setembro de 2026) o seu maior projecto humanitário até à data. O youtuber mais subscrito do mundo investiu cerca de 10 milhões de dólares na construção de uma vila autossustentável na Região Oriental do Gana, especificamente desenhada para retirar crianças do trabalho infantil ilegal nas plantações de cacau. A comunidade, batizada de Abna Dakwa Village, foi erguida num campo vazio ao longo de oito meses de construção física, após um ano inteiro de desenvolvimento e planeamento. O projecto inclui uma escola com capacidade para mais de 300 alunos, uma clínica médica, dez casas gratuitas para professores realocados, acesso a água potável através de dois torres de armazenamento, energia solar, um mercado comunitário e até uma quinta ...

QUANDO A JUSTIÇA URBANA SE TORNA TRIBUNAL

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A Justiça Popular e o Colapso Silencioso do Estado nas Nossas Comunidades Tratamos sobre este tema não pela violência explícita que possam conter na imagem deste artigo, mas pelo que revelam sobre a alma de uma nação. Um homem amarrado os braços pelas costas com uma cinta - aparentemente elástica que lhe interrompe a circulação de sangue nos tais membros ou simplesmente: com as mãos atadas atrás das costas, exposto à humilhação pública. Noutra cena, um corpo suspenso, com blocos de cimento amarrados aos membros, numa coreografia grotesca de sofrimento. Pouquíssimas palavras sobre justiça popular/urbana Moçambique, a falência do sistema judiciário e o ciclo de violência que ameaça o Estado de Direito. Estas não são fotografias de uma performance artística, como poderíamos ser levados a crer numa primeira leitura. São o retrato cru de uma realidade que se multiplica pelos bairros na África: a justiça pelas próprias mãos. Pois, ainda que escapem a morte à tiros ou outras formas bárbaras ...