VIZINHOS ÍNTIMOS, LIÇÃO DE MATURIDADE OU CONVITE AO CAOS?
Quando o prazer mora ao lado Por: Tomás Casimiro Neves (67 anos) Luanda - Angola) Há questões que a urbanidade moderna prefere varrer para debaixo do tapete da falsa moral. Uma delas é esta: faz mal haver relações íntimas entre vizinhos? Não me refiro ao barulho nocturno que atravessa paredes, mas ao envolvimento sexual ou afectivo consentido entre pessoas que dividem o mesmo corredor, o mesmo elevador, o mesmo portão. Em Luanda, onde vivo, e também em Maputo, sigo com atenção os debates nos dois lados da África lusófona, o tema é tabu. Fala-se baixo. Ri-se nos cafés. Mas ninguém encara de frente a questão. A resposta curta: não, não há mal nenhum. Adultos, solteiros, com consentimento livre e esclarecido, podem relacionar-se com quem quiserem. A vizinhança não é um convento. Contudo, a resposta longa dói mais: o mal está nas consequências que fingimos não ver. Primeira implicação: a geometria do constrangimento Quando o relacionamento acaba – e muitos acabam –, não podes simplesment...