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ENTRE A FÉ E A FRAGILIDADE HUMANA

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Quando a Realidade Desafia os Nossos Julgamentos O que realmente estamos a ver? Uma fotografia, mais uma daquelas que não fui eu que capturei. Duas mulheres vestidas com trajes, aquele perfil dos religiosos, sentadas diante de garrafas de cerveja num estabelecimento comercial. Nada mais. Nada menos, simplesmente elas lá. O mais complicado que não parece, ninguém sabe sabe se é real ou foi mesmo produto de inteligência artificial.  Mas basta a imagem circular nas redes sociais para que surjam os juízes instantâneos, os moralistas de serviço e os especialistas em condenação pública. Nós ou os outros para dizer alguma coisa, moderada ou exagerada, educativa ou pejorativa, para chamar atenção por algum interesse ou pura e simplesmente, a maior inocência de querer se divertir.  A questão é: sabemos realmente o que está a acontecer? Talvez estejam a beber cerveja. Talvez não. Talvez estejam apenas a conversar. Talvez estejam a descansar depois de uma longa caminhada. Talvez estejam...

O ORGULHO QUE CHOCA A SOCIEDADE PODRE

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“Limpar Rabos” dá Mais Dignidade do que Roubar Jatos e/ou o Futuro de um Povo Retrato de uma enfermeira que cuida de idosos e vulneráveis  Às vezes tenho vergonha da forma como algumas dessas informações chegam, mas o que me motiva é publicar e partilhar, embora de forma evasiva, a profundidade da mensagem que esses textos, links e publicações trazem ao povo moçambicano que ousa acessar e nos apoiar directamente e indirectamente através dos sucessivos compartilhamos, mesmo sem os ler. Desde já, MUITO OBRIGADO PELO SUPORTE E PROCUREM SE INSCREVER NO BLOGUE PARA MAIS SEGUIMENTO E MORAL.  Nos últimos dias, uma publicação em espanhol viralizou silenciosamente, mas fez estremecer quem ainda tem alma. Uma profissional da saúde – técnica de enfermagem ou cuidadora – escreveu, sem filtros: “ Tenho orgulho em limpar culos ” (rabo, na nossa língua). Ou melhor, traduzindo de forma bruta: "tenho orgulho de limpar cús", espero que a Google não nos sencione, que é sobre saúde pública e is...

O RETRATO VISCERAL DAS 2 DA MANHÃ

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Na Noitada (Club), Quando Percebes Que Esta Vida Não É Para Si Nem é sempre, mas às vezes e o pior sozinho segues a ouvir aquela voz sem som, porém com muita sabedoria. Nas luzes estroboscópicas que cortam a escuridão, rodeado de corpos que dançam como se o amanhã não existisse, chega aquele instante, quase que assustador. O relógio marca duas da manhã e, de repente, o barulho ensurdecedor parece distante. O copo na mão já não sabe a vitória, mas a um vazio que se instala devagar. É a realização que muitos conhecem, mas poucos admitem em voz alta: esta não é a vida que quero viver . Este momento não é mera melancolia passageira provocada pelo álcool. É um despertar. Num ambiente onde a música alta abafa os pensamentos, o silêncio interior grita mais alto que qualquer batida. Olha-se em volta e questiona-se: por que continuo aqui? O que procuro nestas noites repetidas? Amizades que se desfazem com a luz do dia, risos que duram até o pagamento da conta, corpos que se aproximam por conve...

A CHINA RECUSA DESPEDIR POR IA

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A Inteligência Artificial Vai Roubar o Nosso Lugar?  Uma Reflexão Profunda Sobre o Futuro do Trabalho Humano Num mundo que corre desenfreadamente para o progresso técnico, surge uma pergunta que nos obriga a parar e olhar para dentro: o que significa ser humano quando as máquinas começam a fazer o que sempre fizemos? Há países onde as empresas despedem milhares para colocar algoritmos no lugar, celebrando a eficiência como vitória suprema. A lógica é cruelmente simples: a máquina não pede aumento, não adoece, não engravida, não se cansa. É mais barata, mais rápida, mais previsível. O ser humano torna-se um custo a eliminar. Mas existe um lugar onde os tribunais disseram “não”. Não se pode despedir uma pessoa só porque uma inteligência artificial faz o mesmo trabalho por menos dinheiro. O tribunal não proibiu o avanço tecnológico, exigiu que o ser humano não fosse descartado como peça obsoleta. Exigiu reconversão, formação, dignidade. Exigiu que o progresso não fosse sinónimo de a...

5 MINUTOS DEPOIS DE MORRER DE FOME

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A Comida que não Salva o Vivo, mas Alimenta os que Sentem pelo Morto Há verdades que doem mais que a própria fome. Imaginemos: um ser humano esgota-se lentamente, dia após dia, sem ter o que comer. O corpo fraqueja, a força desaparece, a vida esvai-se em silêncio. Morre de fome. E, cinco minutos depois ou poucas horas, o quintal enche-se de gente, de fogo aceso, de panelas enormes fumegando, de sacos de farinha, de arroz e de tudo quanto é ingrediente. As mulheres mexem com vigor, o fumo sobe, o cheiro espalha-se. Prepara-se um banquete. Não para quem partiu. Mas para os que ficam.  Esta imagem não é apenas uma cena de cozinha colectiva. É um espelho incómodo da nossa condição humana. Morre-se de fome na mesma comunidade onde, depois da morte, se mobilizam vizinhos, familiares, amigos e conhecidos para trazerem comida em abundância. Cozinha-se para o terceiro dia. Cozinha-se para o quadragésimo dia. Cozinha-se como manda a tradição, com dignidade e respeito ao falecido. E a pergun...

ENSINANDO A FILHA A COZINHAR CEDO

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Será Luxo ou Responsabilidade Essencial aos Pais Modernos? Num mundo cada vez mais digital, onde as crianças dominam tablets antes de saberem amarrar os sapatos, uma imagem simples de uma mãe na cozinha com a filha pequena reacende discussões antigas: será que ensinar tarefas domésticas desde cedo é um acto de amor ou uma imposição de papéis ultrapassados? Pior ainda quando alguns pais nos centros urbanos acham que, por serem tão atarefados e necessitar de arrumar mais do que único emprego que dá única fonte de renda, precisem de outra fonte, para suportar as contas da família e sonhos por alcançar.  A cena é tocante. Uma mulher concentra-se no preparo de uma refeição, enquanto a menina, ainda pequena, estica o bracinho para participar. Não se trata de exploração, mas de transmissão. Cozinhar não é apenas colocar comida no prato. É ciência prática, matemática do dia a dia, paciência, criatividade e, acima de tudo, independência.  Quem aprende cedo a manusear uma faca com segu...

O DECLÍNIO DA TERCEIRA IDADE EM MOÇAMBIQUE

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Quando envelhecer vira sentença de morte por feitiçaria! O envelhecimento é uma certeza inevitável da vida. O chamado "Declínio da Terceira Idade" traduz-se na perda progressiva das capacidades físicas, cognitivas e funcionais que surgem com o avançar dos anos. Em várias partes do mundo, esta fase é gerida com cuidados médicos, geriatria e redes de apoio familiar. Contudo, nas comunidades de Moçambique e em grande parte do continente africano, o declínio biológico deixou de ser um caso de saúde pública para se transformar num autêntico tribunal tradicional de vida ou morte.