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A VERDADE DA FINAL DA CAN 2025

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Quando o Poder Falhou e o Futebol Escolheu o Senegal CAF e FIFA Queriam Marrocos no Pódio, Mas o Futebol Escolheu o Senegal Introdução A final da Copa Africana das Nações (CAN) 2025/2026, disputada em Rabat , ficará registada não apenas como um duelo futebolístico, mas como um confronto entre dois modelos de entender o desporto: de um lado, o futebol como instrumento de poder, influência e pressão institucional; do outro, o futebol como mérito, resistência e justiça em campo. O recente comunicado da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF), datado de 19 de Janeiro de 2026, no qual manifesta “profundo descontentamento” e ameaça avançar com uma acção legal contra a CAF e a FIFA , não passa de uma tentativa tardia de reverter nos tribunais aquilo que não conseguiu vencer no relvado. Este artigo responde com factos, contexto e coerência, desmontando a narrativa marroquina e reafirmando uma verdade simples: o Senegal venceu porque foi melhor, apesar de tudo e contra todos.

CHEIAS NO SUL DE MOÇAMBIQUE: CALAMIDADES NATURAL OU NEGÓCIO POLÍTICO?

Quando a Calamidade se Converte em Instrumento Político

Não está sendo fácil fazer parte de vários grupos dinamizadores e mobilizados em matérias de ajudas humanitárias abaixo das Chuvas e submerso nas águas turvas, com uma corrente desordenada de dia, quanto a noite. Às vezes sós, acompanhados e sobre tudo com pouca fé tanto quanto recursos, mas com tanta vontade de ajudar e poder lá permanecer sem "triunfalismos". Mas a verdade é que o sul de Moçambique enfrenta uma das mais severas épocas chuvosas das últimas décadas, com consequências humanas, económicas e sociais de enorme gravidade. 

Desde o final de 2025, chuvas intensas e persistentes afectam de forma crítica as províncias de Gaza, Maputo e Inhambane, colocando vastas áreas sob água e provocando uma situação de calamidade nacional. Estima-se que cerca de 40% da província de Gaza se encontre inundada, com mais de 152 quilómetros de estradas destruídos, mais de mil casas totalmente arrasadas e milhares de outras parcialmente danificadas. O balanço oficial já ultrapassa a centena de mortos e aponta para mais de 170 mil pessoas directamente afectadas, números que continuam a crescer à medida que a situação evolui.

O Governo declarou alerta vermelho nacional, enquanto rios como o Incomáti, o Limpopo e o Save transbordaram, isolando comunidades inteiras. Em várias localidades, famílias refugiam-se em telhados e zonas elevadas, aldeias permanecem incomunicáveis e vias de acesso transformaram-se em verdadeiros cursos de água. As operações de resgate decorrem em condições extremamente difíceis, condicionadas pelo mau tempo, pela insuficiência de meios e por falhas de coordenação institucional.

Contudo, para além da devastação provocada pelas chuvas, impõe-se um problema estrutural recorrente: a forma como o Estado gere o período que se segue às calamidades naturais. Antes do início da época chuvosa de 2025/2026, o Governo aprovou um Plano de Contingência avaliado em cerca de 14 mil milhões de meticais, reconhecendo publicamente um défice de financiamento na ordem dos oito mil milhões. Ainda assim, foi assegurado, em comunicações oficiais, que existiam recursos destinados à drenagem urbana, à construção de infra-estruturas de prevenção de cheias, à criação de abrigos temporários e à constituição de reservas estratégicas de bens essenciais.

Face ao cenário actual, a ausência visível desses meios levanta uma questão incontornável sobre a efectiva aplicação dos fundos anunciados. Isso só sente quem arrisca juntar-se aos corpos humanitários. Quer dizer, aqui no terreno o que vimos e sentimos, quase que não bate com o que ouvimos antes e até dá-se razão aos cidadãos que escorraçam outros grupos que de antemão chegam com dísticos e identidades partidárias. 

No terreno, se vê que repete-se um padrão já conhecido da população moçambicana. Observa-se a sobreposição de equipas técnicas e institucionais, a duplicação de levantamentos de danos por diferentes entidades e a produção de relatórios paralelos, sem que isso se traduza numa resposta rápida e eficaz às necessidades básicas das populações afectadas. A distribuição de alimentos, água potável, cobertores, medicamentos e material de abrigo revela-se lenta e insuficiente, agravando o sofrimento das comunidades atingidas.

Em contraste, é visível a intensa presença de figuras políticas e administrativas nas zonas sinistradas. Deslocações oficiais multiplicam-se, muitas vezes acompanhadas de cobertura mediática, registos fotográficos e declarações públicas, sem impacto proporcional na melhoria das condições de vida das vítimas. Estas visitas implicam custos significativos em ajudas de custo, transporte e logística, suportados pelo erário público, num contexto em que a assistência humanitária permanece escassa.

As calamidades naturais continuam, assim, a expor fragilidades profundas na governação e a alimentar suspeitas recorrentes de desvio e uso indevido de fundos de emergência. Recursos provenientes de doações internacionais, fundos de resposta a desastres e mecanismos de compensação climática, já mobilizados em episódios anteriores, raramente produzem resultados duradouros no reforço da resiliência das comunidades. A oposição política e diversos sectores da sociedade civil atribuem parte significativa das mortes e da destruição registadas à corrupção sistémica e à falta de investimento efectivo em prevenção e adaptação às mudanças climáticas.

Paralelamente, cresce a preocupação de que esta crise venha a ser utilizada como justificação permanente para falhas futuras na governação. Problemas estruturais como o fraco desempenho económico, o colapso de serviços públicos, o desemprego e a inflação tendem a ser associados, de forma conveniente, às consequências das cheias, criando um discurso que dilui responsabilidades políticas. Enquanto isso, a dívida pública continua a aumentar, impulsionada por novos empréstimos contraídos em nome da reconstrução, e o orçamento do Estado permanece pressionado por sucessivas situações de emergência.

No seu conjunto, este cenário revela um ciclo repetitivo em que o sofrimento das populações afectadas por desastres naturais é instrumentalizado para fins políticos, económicos e clientelistas. As comunidades de Gaza, Maputo, Inhambane e de todo o sul do país continuam expostas, não apenas à força das chuvas, mas também às fragilidades de um sistema que falha em proteger, prevenir e responder de forma transparente e eficaz.

As águas acabarão por baixar, como sempre acontece. As marcas deixadas pela má governação, pela falta de responsabilização e pela utilização oportunista da calamidade, porém, tendem a persistir, recaindo, uma vez mais, sobre a população moçambicana, que continua a pagar um preço elevado por erros que se repetem. Terminamos essa abordagem por aqui, e vamos tentar recarregar as energias, pois, ainda temos muito a fazer depois do repouso. Porque além de ajudar fisicamente cá, há que aproveitar esse momento para registar e dar a conhecer algumas inquietações e convidar o Mundo a reflectir sobre...

Abraços a partir de Teto de uma casa em Xai-Xai!


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