Publicação em destaque

HOMENS QUEIMADOS NO LAR

Imagem
A Vergonha que Mata Mais que o Óleo Quente em Moçambique Às vezes dá medo se casar... Olhe para a foto que serve de capa deste artigo. Um homem deitado de bruços, o corpo nu coberto de crostas escuras e feridas abertas que expõem a carne viva. As costas, os ombros, as nádegas – tudo marcado por queimaduras graves, como se alguém tivesse derramado uma panela de óleo a ferver ou água a escaldar em cima dele enquanto dormia ou tentava fugir. Não é uma imagem de guerra. Não é um acidente de trabalho. É o resultado de violência doméstica. E a vítima é um homem moçambicano. @whatsapp "Homens estão a sofrer, e o pior é a vergonha de denunciar." Esta frase, que acompanha a imagem, não é exagero. Mésio, um rapper nortenho, uma vez chamou o público em geral para reflectir sobre o assunto numa das suas músicas. É a dura realidade que se repete nos bairros de Maputo, Matola, Beira, Dondo, Pemba, Manica, etc.  Casos recorrentes, documentados pela imprensa moçambicana e pela Polícia da Re...

QUANTAS FRAUDES CABEM NUM PAÍS ANTES DE ELE EXPLODIR?

O inalcançável volume de irregularidades que nunca “afecta substancialmente” nada em Moçambique

Esta foi das boas e embora tenha aparecido na última hora enquanto devia exprimir o assunto em alusão: militares, militares de verdade já tomaram o poder na Guiné Bissau. Mal suspeitaram de uma possível tentativa de fraude e manipulação eleitoral. O chefe da UA já está pedir a libertação dos suspeitos, porém dependerá das decisões das novas ordens do Alto Comando Militar que agora está gerir a situação. Quer dizer, primeiro os guinensses vão avaliar a situação e depois vão liberar com recomendações ao seu favor. Militares, e não funcionários de um partido que ajudam-no a capturar um Estado que se cansou dele. 

Prontos, agora eu, moçambicano de Chimoio, em Manica, farto de migalhas e de mentirinha jurídica, pergunto sem rodeios: afinal, quantas irregularidades são precisas para que algo, em Moçambique, seja considerado “substancial”? Quantos bilhões desviados, quantos boletins de voto enchidos à noite, quantos jovens baleados na rua, quantos exames da 9ª classe a circular no WhatsApp antes da prova, são necessários para que o Tribunal Administrativo, o Conselho Constitucional ou o Ministério da Educação digam: “Agora sim, isto afecta substancialmente”?

Porque, até ver, o padrão é este:

O Tribunal Administrativo descobre bilhões de meticais evaporados nas contas do Governo e conclui: «As irregularidades detectadas não afectam substancialmente a execução orçamental.»

Observadores da União Europeia, da SADC e até a própria CNE encontram urnas recheadas, atas falsificadas, mortos a votar e concluem todos o mesmo: «Houve irregularidades, mas não afectam substancialmente os resultados.» O Conselho Constitucional confirma em três meses de silêncio cúmplice.

A Polícia mata mais de cem manifestantes pacíficos depois das eleições de 2024 e o relatório oficial diz: «Uso excessivo de força em casos isolados que não afectam substancialmente a ordem pública.»

E agora, em Novembro de 2025, chega a cereja podre no topo do bolo: exames nacionais da 9ª classe a circular no WhatsApp e no Facebook desde segunda-feira às 19h. A denúncia da ANAPRO foi pública. O MINEDH soube às 9h de terça-feira, enquanto milhares de crianças já escreviam respostas que meio mundo tinha lido na noite anterior. Só na quarta-feira às 8h, num comunicado de empresa, o porta-voz anuncia o cancelamento… apenas dos exames “vazados”. Os que já foram feitos depois da denúncia? Esses ficam. Não afectam substancialmente, claro.

Alguém consegue explicar-me a matemática desta merda?

Porque se fraude eleitoral com provas fotográficas, vídeos e atas rasgadas não afecta substancialmente a vontade popular, e se bilhões roubados da saúde e da educação não afectam substancialmente o Orçamento, e se balas na cabeça de miúdos de 19 anos não afectam substancialmente a democracia, então o que raio é preciso para que algo, neste país, afecte substancialmente alguma coisa?

E não me venham com conversa de “instituições a funcionar”. Funcionar para quem? Para a FRELIMO que há 49 anos decide o que é “substancial” e o que é “pormenor”?

Entretanto, professores ganham uma miséria, ameaçados de Forças de Defesa nas escolas se ousarem parar. Então alguns, cansados de gritar para surdos, escolhem outra forma de greve: deixam vazar as provas. É sabotagem? É. É crime? Talvez. É desespero de quem já não tem voz? Com certeza. E o Governo, esse sim, especialista em crimes que nunca afectam substancialmente nada, fica chocado, chocado!, com a falta de ética alheia.

Moçambique está a ferver por baixo. Não é fogo de palha das redes sociais. É panela de pressão sem válvula. E quando o povo percebe que a lei só serve para proteger quem manda, a lei vira papel molhado. Aí ninguém precisa de explosão. Basta que cada um, no seu canto, faça a sua “greve flexa”. Um exame vazado aqui, uma urna enchida ali, um desvio “não substancial” acolá”. Até que um dia o país inteiro seja só irregularidade. E aí, meus senhores do poder, até vocês vão ter de admitir: isto já afecta substancialmente.

Pergunto de novo, sem medo: quantas fraudes cabem num país antes de ele explodir por dentro?

Eu já sei a resposta que eles vão dar: «Calma, isso não afecta substancialmente…»

Assinado:

Um gajo de Chimoio que já não aguenta mais esta palhaçada.

Se isto te queimou por dentro, partilha esta. Comenta no WhatsApp, no Facebook, na mesa do churrasco.

E deixa aqui o teu comentário: concordas ou achas que ainda dá para aguentar mais palhaçada?


Comentários