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O LADO OCULTO DOS GRUPOS DE PORNOGRAFIA NO WHATSAPP

Uma das portas de entrada para o mundo do tráfico ilegal de drogas e outros crimes

Nos dias que correm, tem sido cada vez mais comum a proliferação de links e convites para integrar grupos nas redes sociais, sobretudo no WhatsApp. Embora o fenómeno também ocorra no Telegram, o nosso foco centra-se no WhatsApp, onde mais casos foram noticiados e observados sendo também, actualmente de fácil acesso não exigindo nenhuma inscrição através de pagamentos para a instalação do aplicativo.

A minha intenção ao entrar e tornar-me membro destes grupos foi intencional: perceber até onde vai a pornografia infantil — apesar de existirem vários organismos internacionais a combatê-la —, e quão popular ela é nestes espaços. Muitos pervertidos não têm capacidade nem recursos para navegar na dark web ou deep web. Assim, as redes sociais comuns tornam-se uma janela acessível para incluir os menos instruídos ou quem não dispõe de meios técnicos avançados.

Nestes grupos, é frequente partilhar links de sites e plataformas com vídeos pornográficos de todas as idades, além de outras formas perversas de actos sexuais. Trata-se de uma rede extensa, com operações complexas. Por vezes, o conteúdo é gratuito (os proprietários ganham apenas com visualizações); noutras, exige subscrições premium pagas para aceder ou visualizar.

Mas o mais preocupante é que, no mesmo ambiente, há recrutamento para vários papéis: actores, caçadores, produtores, financiadores e, sobretudo, vítimas. Nesse cruzamento entre clientes e fornecedores, surgem outros crimes paralelos, como o tráfico de drogas.

Dezenas de vezes, recebi contactos privados com propostas de “parcerias de negócios”. Entre os convites mais frequentes contam-se plataformas de investimento virtual ou em criptomoedas, pirâmides financeiras, negociações em apostas ou bolsas de valores… e a venda de drogas, como a cocaína.

O padrão é sempre o mesmo: criam um grupo no WhatsApp com título e imagem de teor pornográfico. Em poucos dias — muitas vezes em menos de uma semana —, o grupo atinge o limite máximo de membros, graças à adesão massiva.

Quando chega a um certo número (centenas de membros), aparecem as vendedoras de conteúdos: videochamadas de masturbação, venda de vídeos explícitos (sozinhas ou com parceiros satisfeitos), com preços para cada produto ou serviço. Do outro lado, estão os interessados na compra e venda de drogas.

Alguns são ousados e contactam directamente nos privados, convidando para integrar a rede de venda na tua região ou zona. Outros procuram fornecedores. As propostas são altamente aliciantes — e as ameaças, tão intensas quanto as burlas associadas a estes negócios ilegais.

Tudo isto leva-nos a reflectir: até onde devem as autoridades que combatem estes crimes desdobrar-se para desmantelar estas redes?

Nos países pobres, com governos altamente corruptos, os desafios são enormes. A vulnerabilidade fica ainda mais exposta à mercê de criminosos de todo o tipo. Por isso, vemos muitos endinheirados nos bairros pobres, construindo vidas baseadas no desaparecimento de crianças e mulheres, na proliferação da venda de drogas pesadas entre a juventude, em burlas electrónicas, roubos e mais.

Os pobres e desesperados acreditam que o dinheiro fácil pode aliviar a fome ou garantir a sobrevivência por mais um dia, semana, mês e porque não anos até enquanto dura o jogo. 

Apesar disso, as autoridades e agentes da lei limitam-se muitas vezes a patrulhar ruas e avenidas, à espera de denúncias ou pedidos de intervenção em casos corriqueiros. O queixoso, o abusado ou a vítima pode acabar por ser culpado se não pagar suborno para o caso ser tratado devidamente.

Infelizmente, não existem mecanismos, incentivos nem formação adequados para as forças de segurança farejarem, mergulharem e detectarem estes trilhos criminosos — como os que nos levaram a esta descoberta. Talvez falte vontade política, ou sejam más escolhas que o povo africano precisa urgentemente reconhecer e corrigir dos seus dirigentes. Mas há crimes graves correndo por detrás dos grupos de investimento virtual e pornograficos. 

Até então, quando há esse tipo de contactos nos privados, vindo dessa rede criminosa, a saída pode ser usar os recursos disponíveis na própria plataforma: ir para as definições da conversa, denunciar o contacto, bloquear e eliminar a conversa se não estiver a fim de encaminhar o caso às autoridades. Esperamos que da próxima apresentemos a redacção referente a reflexão de outro tipo de burlas e crimes, como a de chantagens com fins de estorquir às vítimas através de ameaças de exposição das fotos e vídeos.

Por: Lino Tebulo  
Janeiro de 2026



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