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O ROSTO MAIS CRUEL DO PODER EM ÁFRICA

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Quando a Arma se Volta Contra o Próprio Povo que Devia Defender/Proteger, Falhamos por Completo Há imagens que não precisam de legenda longa para ferir a alma. Uma senhora idosa, curvada pelo peso de sacos e trouxas que carrega na cabeça e nas mãos, caminha com a resignação de quem já viu de tudo. Ao lado, um homem fardado, armado com uma AK-47, aponta-lhe a arma quase como quem aponta um dedo acusador. Não há guerra declarada na imagem. Não há inimigo visível. Apenas uma avó e um uniforme que esqueceu o seu verdadeiro dever. Esta cena, repetida em tantas esquinas do continente, obriga-nos a uma reflexão incómoda - o que acontece quando aquele quem devia proteger se transforma em ameaça? Quando o Estado, em vez de servir o cidadão, o humilha e o reduz a suspeito permanente? É o drama silencioso da economia informal, onde mulheres e idosos carregam o sustento das famílias sobre as costas, enfrentando não só o cansaço físico, mas também o olhar armado de quem deveria garantir a ordem. N...

O DESPREZO DE CLASSE MISTURADO COM RACISMO INTERNALIZADO

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Pedir desconto na rua: a humilhação que sabemos fazer tão bem Há uma, duas ou mais fotografias que não me sai da cabeça: uma mana idosa, sentada no chão poeirento, cabeça baixa, mãos postas como quem reza, uma bacia azul com quiabos e dois cachos de banana à frente, ou outro produto mas caseiro ou aquele de mukero , mesmo. Parece uma imagem de luto. E é. É o luto diário de quem vende a própria dignidade a retalho. Em Moçambique , temos um talento especial: pagamos 800 meticais por um bife mal passado num restaurante com ar condicionado, damos 100 de gorjeta ao empregado só porque sorriu, passamos o cartão no Shoprite sem olhar para o total, mas quando chegamos diante daquela mana da bacia, daquele miúdo que pedala 40 km com sacos de carvão, daquela jovem que traz peixe da Costa do Sol às costas, viramos leões de negociação. De repente, 50 meticais pelo molho de matapa é “roubo”, 30 meticais pelos quiabos é “exagerado”, e ainda exigimos bacela como se fosse direito constituciona...