O QUE HÁ DE ERRADO COM AS MULHERES QUE Fumam?
O Preconceito que Queima Mais Forte que o Tabaco Em pleno século XXI, num país como Moçambique onde a liberdade individual ganha terreno a cada dia, continua a pairar um julgamento silencioso e corrosivo sobre as mulheres que decidem fumar. Não é o fumo que incomoda de verdade. É o que ele simboliza: uma mulher que escolhe, que se permite um prazer “masculino”, que desafia o lugar que a sociedade lhe reservou. O cigarro torna-se, então, pretexto para rotulá-la de “fácil”, “rebelde”, “má influência” ou, pior, “mulher sem valores”. Este preconceito não nasceu ontem. Tem raízes profundas na história do tabaco e, sobretudo, na forma como o género foi construído ao longo dos séculos. Quando as primeiras mulheres ocidentais começaram a fumar publicamente, no início do século XX, o acto foi visto como uma provocação directa à ordem moral. O cigarro era símbolo de virilidade, de poder, de controlo. Uma mulher com ele na mão questionava, sem dizer uma palavra, a ideia de que o seu corpo e os s...