O ABISMO DO FINGIMENTO
A Mercantilização da Intimidade e o Esquecimento da Alma na Era do Excesso Nas profundezas do ruído digital, emerge por vezes uma pergunta que, pela sua aparente frivolidade, esconde um abismo filosófico digno de escrutínio. Questiona-se, em tom de provocação, como é que actores e actrizes conseguem, após protagonizarem cenas de tamanha intensidade e excesso nas telas, regressar à realidade sem que os limites entre a ficção e o real se desfaçam irremediavelmente. Longe de ser uma mera curiosidade sobre a vida alheia, este questionamento toca na ferida aberta da condição humana contemporânea: a mercantilização da intimidade e a erosão das fronteiras entre o que se sente e o que se representa. Vivemos numa era em que a performance deixou de ser um privilégio dos palcos para se tornar o paradigma da existência. O ser humano moderno, tal como o actor no set de filmagem, é constantemente convocado a representar papéis que não escolheu, a exibir emoções que não habita e a consumi...