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O CULTO À BUNDA GRANDE

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Libertação Feminina ou Nova Prisão Estética? Nas redes sociais moçambicanas e africanas em geral, o “ rabo grande ” virou religião. Mulheres posam de costas, de lado, sentadas em bancadas, com jeans colados ou vestidos justos que parecem feitos para desafiar a gravidade. Muitas usam hijab ou lenços coloridos, misturando fé, tradição e sensualidade extrema. Para umas, é libertação: “Meu corpo, minhas regras! Celebro minhas curvas africanas!”. Para outras, é só mais uma prisão: um novo padrão estético que pressiona as mulheres a terem quadris impossíveis, cintura fina e um traseiro que “quase senta copo de vinho”. Historicamente, em muitas culturas africanas – incluindo em Moçambique – corpos curvilíneos eram sinal de saúde, fertilidade e prosperidade. Uma mulher “cheia” era desejada, respeitada. Mas o que vemos hoje nas redes não é só celebração cultural. É um culto globalizado, impulsionado por Kim Kardashian , Beyoncé, twerking e, mais tarde, pelo boom das BBL (Brazilian Butt Lif...

MACRON NO GABÃO, RENOVADO COM SUCESSO O NEOCOLONIALISMO!

O que te aparece em mente quando vês uma imagem igual a esta?

PR Emmanuel Macron, Fr & Brice Nguema, Gb. 

Hoje (26 de Novembro de 2025) sendo quarta-feira, o ideal, segundo a nossa agenda, seria mais um episódio de Coisas que Nunca Me Ensinaram. Porém, pela urgência de algumas matérias, premiados esta, como uma das Coisas que Nunca Me Ensinaram a ler. Daí a questão de partida, mas para um to reflexivo no contexto em que a África se depara actualmente. 

Quando um PR branco (europeu) segura a mão de um PR negro (africano), à luz do dia, sabes oque virá na escuridão ou depois?

- na Escuridão Virá Miséria e Pobreza.

Por um Panafricanista Francófono, residente em Moçambique

Em Moçambique, terra de heróis como Samora Machel e Eduardo Mondlane, que lutaram pela independência e pela dignidade africana, aprendemos desde cedo a ler nas entrelinhas das imagens diplomáticas. Uma fotografia recente, capturada durante a visita do Presidente francês Emmanuel Macron ao Gabão, mostra-o a segurar firmemente a mão do líder interino Brice Clotaire Oligui Nguema. À primeira vista, é um gesto de cortesia, um aperto de mãos sob as bandeiras nacionais, simbolizando amizade e cooperação. 

Mas, para nós, africanos conscientes, esta imagem é um alerta vermelho: um sinal de que, mais uma vez, os interesses neocoloniais estão em jogo. Quando um presidente branco segura a mão de um líder africano à luz das câmaras, sabe que, na escuridão das negociações secretas, virá miséria, pobreza e uma dívida eterna que sufoca as nossas nações.

Reflectindo sobre esta cena, dirijo-me especialmente à juventude africana – vós, os herdeiros de Nkrumah, Lumumba e Sankara, que sonhais com uma África unida e auto-suficiente. Quando vês uma imagem como esta, sabe que o teu líder te vendeu, a ti e ao teu país, por uma vida de pobreza e dívida. A França não é tua amiga; ela é a guardiã de um sistema que perpetua a exploração. Desde a independência formal das nossas colónias, Paris manteve o controlo através da "Françafrique" – uma rede de acordos económicos, militares e políticos que beneficia elites corruptas enquanto empobrece as massas. 

No Gabão, rico em petróleo e madeira, empresas francesas como a TotalEnergies dominam os recursos, deixando o povo com migalhas. Oligui Nguema, que chegou ao poder através de um golpe em 2023 prometendo mudança, agora posa ao lado de Macron, selando alianças que garantem a continuação da dependência. Esta venda não é apenas financeira; é uma traição à alma africana, que anseia por soberania verdadeira.

É curioso – e tragicamente previsível – como, sempre que a África começa a pressionar por liberdade real e auto-suficiência, alguém aterra subitamente para uma "tour de apertos de mãos". Vimos isso no Sahel, onde movimentos anti-franceses levaram à expulsão de tropas da Operação Barkhane, e agora no Gabão, onde o golpe inicial ecoava promessas de ruptura com o passado colonial. Eles seguram-te a mão diante das câmaras, com sorrisos ensaiados e discursos sobre "parcerias iguais", mas, assim que as luzes se apagam, apertam o pescoço do teu país com contratos leoninos, dívidas odiosas e intervenções que minam a democracia. 

Recordai as palavras de Thomas Sankara: "A dívida é uma forma astuta de reconquista colonial." Em Moçambique, conhecemos bem este jugo; após a independência em 1975, enfrentámos embargos e guerras proxy financiadas por potências ocidentais, tudo para nos manter fracos e dependentes. Numa perspectiva reflexiva, pergunto: por que continuamos a cair nesta armadilha? A resposta reside na falta de espinha dorsal dos nossos líderes, muitos dos quais preferem o conforto dos palácios financiados por Paris ao risco de uma verdadeira revolução. A África não precisa de mais apertos de mãos; precisa de backbone – de coragem para dizer "não" ao neocolonialismo, para unir-se em blocos como a União Africana e investir em educação, agricultura e indústrias próprias. Imaginem uma África onde os recursos do Gabão beneficiam os gaboneses, onde o urânio do Níger alimenta as nossas fábricas em vez de reactors franceses, onde Moçambique explora o seu gás natural para o bem comum, sem intermediários estrangeiros. 

Esta visão não é utopia; é o legado dos nossos antepassados, que derramaram sangue para que pudéssemos andar de cabeça erguida. À juventude, digo: não se deixem iludir pelas fotos encenadas. Estudem a história, organizem-se nas ruas e nas redes, exijam líderes que priorizem a África. Quando virem um presidente branco a segurar a mão de um africano, lembrem-se: é um pacto com a pobreza. Mas vós sois a luz que pode dissipar essa escuridão. Construamos uma África com backbone, onde as mãos se unem entre irmãos africanos, não com os antigos senhores. Só assim, honraremos o sonho pan-africano de uma continente livre e próspero.

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