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HOMENS QUEIMADOS NO LAR

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A Vergonha que Mata Mais que o Óleo Quente em Moçambique Às vezes dá medo se casar... Olhe para a foto que serve de capa deste artigo. Um homem deitado de bruços, o corpo nu coberto de crostas escuras e feridas abertas que expõem a carne viva. As costas, os ombros, as nádegas – tudo marcado por queimaduras graves, como se alguém tivesse derramado uma panela de óleo a ferver ou água a escaldar em cima dele enquanto dormia ou tentava fugir. Não é uma imagem de guerra. Não é um acidente de trabalho. É o resultado de violência doméstica. E a vítima é um homem moçambicano. @whatsapp "Homens estão a sofrer, e o pior é a vergonha de denunciar." Esta frase, que acompanha a imagem, não é exagero. Mésio, um rapper nortenho, uma vez chamou o público em geral para reflectir sobre o assunto numa das suas músicas. É a dura realidade que se repete nos bairros de Maputo, Matola, Beira, Dondo, Pemba, Manica, etc.  Casos recorrentes, documentados pela imprensa moçambicana e pela Polícia da Re...

A AULA QUE VIROU LIÇÃO DE VIDA

Quando o Professor Comprou os Bolinhos da Elisa

Algures neste país chamado Moçambique, onde o ensino ainda se faz entre paredes de barro, carteiras reaproveitadas e sonhos que teimam em crescer, duas vidas cruzaram-se numa sala humilde, mas repleta de esperança.

De um lado, o professor Jaleia, homem simples e atento, que guia a sua turma com paciência e afeto. Do outro, a Elisa, uma menina de olhar tímido mas decidido, que divide o seu tempo entre estudar e ajudar a mãe na venda de bolinhos.

🍃 O cenário e o gesto que comovem

A sala de aula — construída com material local — é testemunha de um quotidiano que só quem vive o interior de Moçambique entende: crianças focadas, livros gastos, sorrisos sinceros e professores que fazem milagres sem recursos.

Naquele dia, porém, algo chamou a atenção do professor Jaleia.

Ele notou que a Elisa escondia algo debaixo da carteira. Aproximou-se com a curiosidade de quem educa com o olhar, e, ao verificar, descobriu uma bacia com bolinhos caseiros, cuidadosamente guardados.

Elisa, envergonhada, explicou:

“São bolinhos que vendo no intervalo, professor. Guardei aqui só para ninguém mexer…”

O professor sorriu. Em vez de repreender, decidiu fazer o que poucos fariam: comprou todos os bolinhos — e partilhou com a turma. O que poderia ter sido um acto de punição, transformou-se numa lição de solidariedade e respeito.

🍃 Entre o aprender e o sobreviver

Muitos internautas que viram o vídeo dividiram-se em opiniões.

Uns disseram que o professor devia ter repreendido a aluna e chamado a mãe para conversar. Outros defenderam que, ao contrário, o gesto de Jaleia foi pedagógico e profundamente humano — uma demonstração de empatia num contexto em que o ensino e a sobrevivência caminham lado a lado.

A verdade é que Elisa não vendia na sala de aula. Guardava os bolinhos por segurança, para não os perder ou serem mexidos. Vendia apenas no intervalo, o que mostra organização, sentido de responsabilidade e coragem para conciliar a infância com o esforço de apoiar a mãe.

Num país onde tantas crianças enfrentam longas caminhadas para chegar à escola e estudam de estômago vazio, a história de Elisa ecoa como retrato da realidade moçambicana: a educação ainda é, para muitos, uma travessia feita de sacrifício e criatividade.

🍃 O professor que ensina para além do quadro

O gesto do professor Jaleia não foi apenas um acto de bondade. Foi um acto de pedagogia social, uma forma de ensinar sem precisar escrever no quadro-negro.

Ele mostrou aos alunos que aprender também é reconhecer o esforço do outro, que solidariedade é conteúdo essencial da vida, e que nem tudo o que parece fora do padrão é motivo de censura — às vezes é apenas uma história de luta.

Há professores que ensinam com giz e há outros, como Jaleia, que ensinam com o coração.

🍃 Reflexão final

Esta história faz pensar sobre o que realmente significa “educar”.

Num país onde ainda se luta contra a fome, a pobreza e a exclusão, talvez o verdadeiro papel do professor seja também o de compreender — e agir com compaixão.

A mãe de Elisa não é negligente: é uma mulher que encontrou no esforço da filha uma pequena ponte para manter a esperança viva.

Elisa, por sua vez, é símbolo da geração que cresce sem reclamar, mas resistindo — estudando e trabalhando, aprendendo e sonhando.


Talvez, se houvesse mais professores como o Jaleia, o ensino moçambicano não seria apenas um caminho para o diploma, mas também um espaço de formação humana e transformação social.


Autor: Lino TEBULO
(Baseado em factos reais partilhados pelo Professor Jaleia no TikTok)


Comentários

  1. Esta devia ser a atitude de todo o governante. Que procurasse entender e resolver a razão por que vamos à rua e não receber-nos com balas e gás lacrimogénio.

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    1. Excelente Ponte.
      Sublinhe-se, não precisaríamos gastar rios de dinheiro com Diálogo Nacional Exclusivo, ou, desculpa Inclusivo.

      Mas é que há tantas vezes em que cada presidente que toma o poder inventa diálogo mas que no final não resulta em nada.

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