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HOMENS QUEIMADOS NO LAR

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A Vergonha que Mata Mais que o Óleo Quente em Moçambique Às vezes dá medo se casar... Olhe para a foto que serve de capa deste artigo. Um homem deitado de bruços, o corpo nu coberto de crostas escuras e feridas abertas que expõem a carne viva. As costas, os ombros, as nádegas – tudo marcado por queimaduras graves, como se alguém tivesse derramado uma panela de óleo a ferver ou água a escaldar em cima dele enquanto dormia ou tentava fugir. Não é uma imagem de guerra. Não é um acidente de trabalho. É o resultado de violência doméstica. E a vítima é um homem moçambicano. @whatsapp "Homens estão a sofrer, e o pior é a vergonha de denunciar." Esta frase, que acompanha a imagem, não é exagero. Mésio, um rapper nortenho, uma vez chamou o público em geral para reflectir sobre o assunto numa das suas músicas. É a dura realidade que se repete nos bairros de Maputo, Matola, Beira, Dondo, Pemba, Manica, etc.  Casos recorrentes, documentados pela imprensa moçambicana e pela Polícia da Re...

PEDRAS SÓ PARA O ÚLTIMO DA FILA

Sinal de revolta geracional em Moçambique.

O Recado das Crianças que Ninguém Ousa Ignorar

Um vídeo curto, uma imagem fixa que dói mais que mil discursos. Num muro amarelo e vermelho, três retratos alinhados: Armando Guebuza à esquerda, Filipe Nyusi ao centro, Daniel Francisco Chapo à direita, o terceiro e último da fila. As crianças não se enganam. Ignoram completamente as duas primeiras figuras e concentram toda a fúria na cara do actual Presidente. Pedras, garrafas, chinelos, insultos. Só ele apanha. Como se Guebuza e Nyusi já pertencessem ao passado morto e Chapo fosse o presente vivo que ainda pode (e deve) ser castigado.

A mensagem é cristalina: o ódio não é histórico, é actual. O culpado de hoje tem nome, morada conhecida e mandato em curso.

Não vou repetir aqui a alcunha fácil de “girafa”. Não porque seja ofensiva (em Moçambique sabemos rir de nós próprios), mas porque reduzir Daniel Chapo a uma piada de estatura é exactamente o que o sistema quer: transformar crítica em folclore, revolta em meme, dor em anedota. Chamá-lo de girafa desarma a gravidade do gesto das crianças. E este gesto não merece ser desarmado. Merece ser levado a sério, com o peso que tem.

Porque estas crianças não foram “agitadas” por ninguém. Não há quem diga, nas conversas de WhatsApp e nos comentários do Facebook, que foram os professores que mandaram os miúdos apedrejar o mural, que é vingança por salários atrasados, por horas extras não pagas, por promessas eleitorais traídas. Pode ser. É uma hipótese plausível. O professor, sozinho na sala de aula, tem tempo, autoridade moral e proximidade para, com meia dúzia de frases bem colocadas, plantar a semente da revolta. E muitos têm motivos de sobra para isso.

Mas também pode não ter sido nenhum professor. Pode ter sido simplesmente a vida. A vida que mostra todos os dias a uma criança de calções rotos que o Presidente aparece na televisão a inaugurar estradas que nunca chegam ao bairro dela; que fala de “combate à pobreza absoluta” enquanto a mãe dela conta meticais para comprar meio quilo de açúcar; que promete “protecção às crianças” no exacto momento em que a polícia dispara balas de borracha (e às vezes de chumbo) contra adolescentes que só queriam votar.

Esses miúdos não precisam de lição extra-curricular para saber quem lhes tira o pão da mesa. Eles vivem isso na pele, todos os dias.

O mais perturbador é a precisão cirúrgica do alvo. Não atiram a Guebuza (já foi, já comeu, já saiu). Não atiram a Nyusi (está de saída, já não manda). Atiram ao que está agora no poder, ao que ainda pode fazer algo e não faz, ao que prometeu tudo e, onze meses depois, continua tudo na mesma: raptos, repressão, desemprego, escolas sem carteiras, hospitais sem medicamentos.

Apedrejam o terceiro da fila porque é o terceiro que ainda tem a tempo de ser diferente e escolheu não ser.

Esse é o recado que nenhuma comissão de inquérito, nenhum discurso na Assembleia da República, nenhum comunicado da Presidência consegue apagar: para esta geração, Daniel Francisco Chapo não é apenas mais um presidente da Frelimo. É o último da linhagem que ainda podia ter rompido o ciclo e preferiu continuá-lo.

E enquanto ele aparecer em murais, cartazes, televisão, jornais, essas pedras continuarão a voar. Não porque alguém as mandou atirar. Mas porque a fome, a raiva e a desilusão têm braços curtos o suficiente para alcançar o futuro que lhes roubaram.

As crianças não mentem.  

E, pela primeira vez em muito tempo, Moçambique inteiro está a ouvi-las. Veja o vídeo clicando AQUI


Sinal de revolta geracional em Moçambique.

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