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ÁLCOOL: A PANDEMIA SILENCIOSA QUE CORRÓI AS COMUNIDADES NEGRAS

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Quando a convivência esconde um colapso social normalizado À primeira vista, a imagem que circula no por aí, em questão parece retratar apenas mais um momento de convívio social. Um grupo numeroso de jovens e adultos reúne-se num espaço aberto de terra batida, típico de bairros periféricos ou zonas informais de muitas cidades africanas — cenário facilmente reconhecível em Moçambique ou na África do Sul. Caixas de cerveja espalhadas pelo chão, garrafas cheias e vazias de marcas internacionais, coolers coloridos repletos de bebidas alcoólicas e lixo acumulado compõem um ambiente de aparente descontração, uma vez que não pode faltar aquele som com volumes altos e desiguais, em que a dada altura os dançarinos parecem zumbis. Algumas pessoas estão sentadas no chão ou sobre caixas improvisadas, outras permanecem de pé, conversando animadamente, bebendo, rindo. Contudo, por trás dessa imagem de socialização, esconde-se uma realidade profundamente inquietante: o consumo excessivo de álcool c...

RESISTÊNCIA AFRICANA VS. QUEDA NA VENEZUELA

Lições para uma Nova Era Anti-Imperialista em 2026

Nova Geopolítica de Resistência

Nos últimos dias, o tabuleiro internacional foi sacudido por episódios que revelam tanto a fragilidade das soberanias nacionais como a crescente disposição dos povos em resistir a ingerências externas.  

Em Paga, na fronteira entre Gana e Burkina Faso, jovens ganeses capturaram um avião militar norte-americano após dias de actividades clandestinas. O gesto não foi apenas um acto de indignação local: foi também uma mensagem política clara de que as populações não aceitarão que o seu território seja usado como plataforma para desestabilizar líderes africanos como Ibrahim Traoré.  

No mesmo dia, o Burkina Faso enfrentou uma tentativa fracassada de golpe de Estado. A falha não pode ser lida apenas como incapacidade dos golpistas, mas como sinal da consolidação de uma consciência popular que se recusa a ser instrumento de agendas externas. A juventude burquinense, inspirada pelo discurso de resistência de Traoré, mostrou que a legitimidade não se conquista com tanques, mas com o apoio das ruas.  

Contrastando com este insucesso, a Venezuela viveu um episódio dramático: a invasão norte-americana culminou no sequestro de Nicolás Maduro. Este acontecimento expõe a vulnerabilidade de regimes que, apesar de discursos anti-imperialistas, enfrentam pressões internas e externas que fragilizam a sua capacidade de defesa. A América Latina, historicamente palco de intervenções, volta a ser laboratório de estratégias de imposição.  

O que une estes três episódios é a tensão entre hegemonia e resistência. De um lado, potências que insistem em projectar força para moldar destinos alheios. Do outro, povos que, mesmo em condições adversas, demonstram que a soberania não é apenas um conceito jurídico, mas uma prática quotidiana de defesa da dignidade.  

A juventude africana, ao erguer-se contra actividades clandestinas e golpes patrocinados, sinaliza uma nova era: a da resistência popular transfronteiriça. Já não se trata apenas de defender o território nacional, mas de proteger um imaginário colectivo de independência e autodeterminação.  

O contraste com a Venezuela é doloroso, mas também pedagógico. Mostra que a resistência não pode depender apenas de discursos inflamados; precisa de organização social, mobilização popular e vigilância constante contra infiltrações externas.  

Em suma, os acontecimentos de Paga, Ouagadougou e Caracas revelam que estamos diante de uma encruzilhada histórica. Ou os povos consolidam a sua capacidade de resistência e solidariedade transnacional, ou continuarão a ser peças descartáveis num jogo de poder global.  



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