ÁLCOOL: A PANDEMIA SILENCIOSA QUE CORRÓI AS COMUNIDADES NEGRAS
Nos últimos dias, o tabuleiro internacional foi sacudido por episódios que revelam tanto a fragilidade das soberanias nacionais como a crescente disposição dos povos em resistir a ingerências externas.
Em Paga, na fronteira entre Gana e Burkina Faso, jovens ganeses capturaram um avião militar norte-americano após dias de actividades clandestinas. O gesto não foi apenas um acto de indignação local: foi também uma mensagem política clara de que as populações não aceitarão que o seu território seja usado como plataforma para desestabilizar líderes africanos como Ibrahim Traoré.
No mesmo dia, o Burkina Faso enfrentou uma tentativa fracassada de golpe de Estado. A falha não pode ser lida apenas como incapacidade dos golpistas, mas como sinal da consolidação de uma consciência popular que se recusa a ser instrumento de agendas externas. A juventude burquinense, inspirada pelo discurso de resistência de Traoré, mostrou que a legitimidade não se conquista com tanques, mas com o apoio das ruas.
Contrastando com este insucesso, a Venezuela viveu um episódio dramático: a invasão norte-americana culminou no sequestro de Nicolás Maduro. Este acontecimento expõe a vulnerabilidade de regimes que, apesar de discursos anti-imperialistas, enfrentam pressões internas e externas que fragilizam a sua capacidade de defesa. A América Latina, historicamente palco de intervenções, volta a ser laboratório de estratégias de imposição.
O que une estes três episódios é a tensão entre hegemonia e resistência. De um lado, potências que insistem em projectar força para moldar destinos alheios. Do outro, povos que, mesmo em condições adversas, demonstram que a soberania não é apenas um conceito jurídico, mas uma prática quotidiana de defesa da dignidade.
A juventude africana, ao erguer-se contra actividades clandestinas e golpes patrocinados, sinaliza uma nova era: a da resistência popular transfronteiriça. Já não se trata apenas de defender o território nacional, mas de proteger um imaginário colectivo de independência e autodeterminação.
O contraste com a Venezuela é doloroso, mas também pedagógico. Mostra que a resistência não pode depender apenas de discursos inflamados; precisa de organização social, mobilização popular e vigilância constante contra infiltrações externas.
Em suma, os acontecimentos de Paga, Ouagadougou e Caracas revelam que estamos diante de uma encruzilhada histórica. Ou os povos consolidam a sua capacidade de resistência e solidariedade transnacional, ou continuarão a ser peças descartáveis num jogo de poder global.
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