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A VERDADE DA FINAL DA CAN 2025

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Quando o Poder Falhou e o Futebol Escolheu o Senegal CAF e FIFA Queriam Marrocos no Pódio, Mas o Futebol Escolheu o Senegal Introdução A final da Copa Africana das Nações (CAN) 2025/2026, disputada em Rabat , ficará registada não apenas como um duelo futebolístico, mas como um confronto entre dois modelos de entender o desporto: de um lado, o futebol como instrumento de poder, influência e pressão institucional; do outro, o futebol como mérito, resistência e justiça em campo. O recente comunicado da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF), datado de 19 de Janeiro de 2026, no qual manifesta “profundo descontentamento” e ameaça avançar com uma acção legal contra a CAF e a FIFA , não passa de uma tentativa tardia de reverter nos tribunais aquilo que não conseguiu vencer no relvado. Este artigo responde com factos, contexto e coerência, desmontando a narrativa marroquina e reafirmando uma verdade simples: o Senegal venceu porque foi melhor, apesar de tudo e contra todos.

A OPERAÇÃO CONTRA O CIBERCRIME EM ACRA: Lições de uma Realidade Transfronteiriça Africana

Quando a globalização digital expõe exploração humana, crime organizado e falhas estruturais no continente

A recente operação de segurança em Acra, capital do Gana, que resultou na detenção de nove cidadãos nigerianos acusados de liderar uma rede de cibercrime e no resgate de 44 jovens, igualmente nigerianos, revela uma das faces mais obscuras da globalização digital em África. Longe de ser um caso isolado, o episódio expõe fragilidades profundas do continente: exploração humana, vulnerabilidade económica, desigualdade tecnológica e a expansão de crimes cibernéticos que não reconhecem fronteiras.

As autoridades ganesas, sob liderança da Autoridade de Cibersegurança (CSA), conduziram operações coordenadas em bairros como East Legon Hills, Afienya, Kwabenya, Weija e Tuba, onde descobriram apartamentos convertidos em verdadeiros centros clandestinos de operações digitais. Jovens eram ali coagidos a operar computadores para actividades ilícitas, incluindo fraudes online, esquemas de engenharia social e possível tráfico de dados pessoais. A apreensão de dezenas de computadores, telemóveis e até armas de fogo confirma o nível de organização, sofisticação e perigo dessas redes criminosas.

O dado mais perturbador, contudo, é a distinção clara entre líderes criminosos e vítimas exploradas. Enquanto os nove detidos são tratados como organizadores, os 44 jovens resgatados surgem como vítimas de tráfico humano moderno, aliciadas por falsas promessas de emprego, migração ou ascensão económica. Esta realidade obriga-nos a repensar o cibercrime não apenas como delito tecnológico, mas como fenómeno social e económico.

A Nigéria, frequentemente associada à proliferação dos chamados “Yahoo Boys”, não exporta apenas conhecimento técnico ilícito, mas também uma cadeia de vulnerabilidades estruturais. O desemprego crónico, a pobreza urbana e a ausência de oportunidades reais empurram milhares de jovens africanos para redes criminosas transnacionais, onde deixam de ser agentes e passam a ser instrumentos descartáveis.

Para Moçambique, este episódio não é distante nem abstracto. O país enfrenta desafios crescentes relacionados com cibercrime, fraude digital e tráfico humano, sobretudo em corredores migratórios para a África do Sul. A porosidade das fronteiras regionais, aliada à fraca literacia digital e à escassa fiscalização tecnológica, cria condições ideais para a expansão dessas redes. O que aconteceu em Acra pode, sem grande esforço, repetir-se em Maputo, Beira ou Nampula.

O caso ganês evidencia também a urgente necessidade de cooperação internacional africana. Apesar da resposta firme das autoridades do Gana, operações isoladas têm impacto limitado se não forem acompanhadas por coordenação efectiva com países de origem, como a Nigéria, e por mecanismos continentais através da União Africana. O cibercrime é um fenómeno global; combatê-lo exige respostas igualmente globais.

Há ainda uma dimensão incómoda que raramente é debatida: até que ponto o cibercrime africano é alimentado pela desigualdade global? Países ricos, frequentemente alvos dessas fraudes, investem fortunas em cibersegurança, mas ignoram as causas estruturais que alimentam o problema no Sul Global. A ausência de investimento sério em educação digital, inclusão económica e oportunidades juvenis perpetua um ciclo em que a tecnologia, em vez de libertar, aprisiona.

Mais do que uma vitória pontual das forças de segurança, a operação em Acra deve ser encarada como um chamado à acção colectiva. Governos africanos precisam investir em educação cibernética, legislação moderna, cooperação regional e programas de reinserção social para vítimas de exploração digital. Para os jovens, a mensagem é clara: o atalho do crime digital conduz inevitavelmente a becos sem saída.

Num continente que se afirma como o futuro demográfico e económico do mundo, o verdadeiro progresso só será possível quando a vulnerabilidade for transformada em resiliência, e quando a era digital servir para emancipar africanos — não para os escravizar silenciosamente atrás de um ecrã.

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