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DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA

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Quando o Cristianismo Deixou de Ser Fé e Se Tornou Negócio “ Christianity left Israel as family, went to England as a religion and ended up in Africa as a business.” Esta frase curta, desconfortável e profundamente reveladora circula há anos como provocação intelectual. Mas será apenas uma hipérbole amarga ou uma síntese histórica brutalmente honesta? Quando observamos o percurso do Cristianismo ao longo dos séculos, percebemos que esta afirmação não é gratuita — ela é um espelho. Este artigo não é um ataque à fé, nem uma negação da espiritualidade cristã. É, antes, uma reflexão crítica sobre como uma mensagem espiritual simples foi progressivamente capturada por estruturas de poder, interesses económicos e mecanismos de exploração, sobretudo em África. 1. Israel: o Cristianismo como experiência familiar e comunitária O Cristianismo nasce em Israel, não como instituição, mas como vivência íntima. Jesus de Nazaré não fundou igrejas, não criou hierarquias, não cobrou dízimos, nem pr...

ISHOWSPEED E O ESPELHO AFRICANO

Quando um Estrangeiro Promove a África Melhor que as Nossas Celebridades

Num continente de culturas vibrantes, tradições milenares e paisagens arrebatadoras, há uma ironia difícil de ignorar: um jovem americano está a fazer mais pela promoção positiva da África do que muitas das nossas próprias celebridades.

A reflexão ganhou força após um post do utilizador @Shadaya_Knight na rede social X, que resumiu a situação com uma clareza desconcertante:

“IShowSpeed has done more than our own African celebrities in actually marketing Africa to the rest of the world… He is actually showing it's cool to be African.”

As imagens que acompanham esta observação mostram IShowSpeed imerso em comunidades tradicionais africanas: carregando objectos à cabeça, vestindo trajes tribais, interagindo com guerreiros Maasai. Não como figurante turístico, mas como participante activo. Essas imagens funcionam como um espelho desconfortável para as elites culturais africanas, incluindo as de Moçambique.

🌍 Um Embaixador Involuntário da África Real

IShowSpeed, cujo nome verdadeiro é Darren Watkins Jr., não nasceu africano. Ainda assim, as suas recentes viagens por países africanos transformaram-no num embaixador cultural não oficial do continente.

Nas suas transmissões ao vivo, ele não observa à distância:

  • participa em rituais locais;
  • aprende palavras em línguas africanas;
  • dança, ri, erra e aprende em público.

Não há filtro polido nem narrativa artificial. Há África viva, caótica, forte e humana. Para milhões de jovens no Ocidente, habituados a ver o continente apenas pela lente da pobreza ou do exotismo, Speed transmite uma mensagem simples e poderosa:

👉 ser africano é cool.

🎭 As Celebridades Africanas e o Complexo de Imitação

Em contraste, muitas celebridades africanas — inclusive em Moçambique — optam por imitar estéticas, sotaques e estilos ocidentais. Artistas talentosos como Neyma, Mr. Bow ou Lizha James constroem carreiras inspiradas em Hollywood e Nova Iorque, enquanto elementos culturais locais são frequentemente deixados de lado.

Videoclipes urbanos genéricos substituem:

  • a marrabenta;
  • os ritmos tufo;
  • as danças e narrativas ancestrais que definem a nossa identidade.

Esta escolha não é neutra. Ela reforça um complexo de inferioridade cultural, sugerindo que o sucesso só é possível quando o “africano” é diluído em algo “global”.

Enquanto um estrangeiro encontra valor nas cabanas de palha e nos adornos tradicionais, as nossas estrelas fogem para estúdios reluzentes que poderiam estar em qualquer metrópole do mundo.

🧠 Colonialismo Mental Ainda Vivo

Esta não é uma crítica pessoal, mas um convite à reflexão colectiva.

Por que razão quem tem acesso privilegiado às nossas culturas prefere rejeitá-las?

A resposta passa pelo colonialismo mental, ainda profundamente enraizado. Séculos de dominação ensinaram-nos que progresso significa afastar-se do tradicional. Em Moçambique, país independente desde 1975, esta ferida continua aberta.

As celebridades poderiam ser:

  • pontes entre passado e futuro;
  • promotoras do turismo interno;
  • defensoras do património cultural e ambiental.

Mas muitas escolhem o brilho efémero da validação externa — criando um vazio que estrangeiros acabam por preencher com autenticidade.

🌱 Quando os de Fora Fazem o Trabalho dos de Dentro

Existem excepções africanas, como Wode Maya ou Miss Trudy, que promovem o continente com orgulho. Ainda assim, enfrentam barreiras que estrangeiros raramente conhecem.

Speed, com um passaporte americano, circula com facilidade — mas o seu impacto vai além do privilégio. Ele inspira jovens africanos a valorizarem as próprias raízes.

Imagine se as nossas celebridades mostrassem:

  • as praias de Tofo;
  • os mercados de Maputo;
  • os rituais dos povos Macua.

Isso seria marketing real. Isso seria identidade em acção.

🔔 Um Chamado à Autenticidade Africana

O post de @Shadaya_Knight não é apenas um comentário — é um manifesto.

Ele desafia as celebridades africanas a regressarem às origens, a mostrarem que a África não precisa ser vendida, mas vivida e celebrada.

IShowSpeed torna-se, inadvertidamente, um espelho cruel:

👉 um americano orgulhoso da África, enquanto muitos africanos procuram orgulho noutro lugar.

O legado de Speed pode ser passageiro. A lição, não.

A verdadeira influência nasce da autenticidade.

A África merece ser promovida pelos seus filhos — não apenas pelos seus visitantes.

No fim das contas, diga-se que é tudo business e que com jatinho privado dele, decidiu se divertir dessa forma, investindo assim. 

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