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DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA

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Quando o Cristianismo Deixou de Ser Fé e Se Tornou Negócio “ Christianity left Israel as family, went to England as a religion and ended up in Africa as a business.” Esta frase curta, desconfortável e profundamente reveladora circula há anos como provocação intelectual. Mas será apenas uma hipérbole amarga ou uma síntese histórica brutalmente honesta? Quando observamos o percurso do Cristianismo ao longo dos séculos, percebemos que esta afirmação não é gratuita — ela é um espelho. Este artigo não é um ataque à fé, nem uma negação da espiritualidade cristã. É, antes, uma reflexão crítica sobre como uma mensagem espiritual simples foi progressivamente capturada por estruturas de poder, interesses económicos e mecanismos de exploração, sobretudo em África. 1. Israel: o Cristianismo como experiência familiar e comunitária O Cristianismo nasce em Israel, não como instituição, mas como vivência íntima. Jesus de Nazaré não fundou igrejas, não criou hierarquias, não cobrou dízimos, nem pr...

MILIONÁRIOS QUE NINGUÉM QUESTIONA

Sem arma, sem máscara — apenas com uma Bíblia e um microfone

Se eu e os meus amigos, na adolescência, não tivéssemos tido tanto medo das figuras religiosas — Jesus e Deus, em particular — talvez tivéssemos investido nesse negócio dos profetas, apóstolos e pastores que hoje, em garagens e armazéns adaptados, movimenta milhões à custa das migalhas arrancadas aos desesperados e iludidos pela promessa de milagres.

Mas pronto: alguns seguiram profissões antes desprezadas e hoje difíceis de ingressar; outros, caminhos outrora ignorados e agora valiosos. A fé, essa, transformou-se num mercado altamente rentável.

Esta reflexão pessoal ecoa uma realidade amarga que se alastra por Moçambique e por grande parte de África: a exploração da fé como negócio. Líderes religiosos acumulam fortunas enquanto os crentes — frequentemente pobres, fragilizados e sem alternativas — entregam as suas últimas moedas acreditando que um milagre está a caminho. O mais chocante não é apenas a desigualdade económica, mas a profundidade da manipulação psicológica e espiritual que sustenta este sistema.

Em Moçambique, multiplicam-se casos de igrejas envolvidas em escândalos financeiros, desvios de fundos e abusos de poder. Casas de adoração abandonadas, fiéis lesados e líderes que desaparecem após enriquecerem tornaram-se parte do quotidiano. Em alguns episódios, a obsessão pelas ofertas chega ao ponto da violência, revelando como a fé é instrumentalizada para extorquir dinheiro em nome de Deus.

Grande parte desta lógica assenta na chamada teologia da prosperidade: uma doutrina que promete riqueza material em troca de fé cega e contribuições financeiras cada vez mais elevadas. A Bíblia deixa de ser um guia espiritual e transforma-se numa ferramenta de persuasão. “Ofertas de três dígitos” passam a ser apresentadas como provas de fé, enquanto o fracasso económico do fiel é tratado como falta de crença.

O drama torna-se ainda mais perverso quando se considera que, em regiões do Norte do país, cristãos já enfrentam perseguição real, com igrejas incendiadas e líderes religiosos sequestrados. A exploração interna, vinda das próprias lideranças, aprofunda o sofrimento e destrói qualquer noção de refúgio espiritual.

No panorama africano, a Nigéria destaca-se como epicentro deste fenómeno, com pastores entre os mais ricos do mundo, donos de verdadeiros impérios erguidos sobre a fé alheia. Estes esquemas ultrapassam o culto tradicional: vendem milagres em transmissões ao vivo, pressionam seguidores nas redes sociais e associam prosperidade divina a transferências bancárias imediatas.

No Brasil, cuja influência religiosa se estende a África, líderes neopentecostais construíram fortunas bilionárias directamente a partir das contribuições dos fiéis, provando que a fé, quando mercantilizada, torna-se um dos negócios mais lucrativos do mundo.

A inversão de valores é gritante. Enquanto Jesus pregava simplicidade, partilha e desapego material, estes falsos profetas constroem mansões, desfilam carros de luxo e vivem rodeados de excessos. Histórias de crentes que perdem tudo — casas, poupanças, dignidade — revelam o lado humano desta tragédia silenciosa. Pessoas que procuravam salvação acabam presas num ciclo de culpa, medo e empobrecimento.

E o mais perturbador: ninguém questiona estes milionários. O manto da religião funciona como uma máscara invisível, um escudo moral que os protege do escrutínio público.

Para quem procura uma fé verdadeira, o alerta é simples e urgente: discernir entre espiritualidade e comércio disfarçado. Igrejas que colocam o dinheiro acima da ética não libertam — escravizam.

É tempo de questionar, investigar e regressar às raízes da fé, livres de fraude e manipulação. Porque podem ser “mais espertos que o Diabo”, vivos — mas a verdade, mais cedo ou mais tarde, vem sempre à tona.



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