Em Nampula, no Maputo, na Beira ou em qualquer canto de Moçambique, a cena repete-se: uma mulher com rosto harmonioso, corpo que chama atenção, pele cuidada, tranças bem feitas, vestido que valoriza as curvas… Ela posta uma foto no WhatsApp ou no Instagram e os “gostos” chovem. Mensagens chegam aos montes. Mas, quando se trata de construir algo sólido, algo que vá além do “gostas de mim?”, o silêncio instala-se. Porquê?
Não é falta de opções. É excesso de opções erradas. E, pior: a beleza alta cria um filtro invertido na vida amorosa. Atrai quantidade, mas destrói qualidade. Vamos verbalizar isso sem rodeios, como deve ser. Desde já, obrigado aos psicólogos, comunicadores, sociólogo, estilistas e modistas ou promotores de relações, padres, pastores e xeiques, que nos têm dado a mão na abordagem de vários assuntos que ajudam na percepção deste mundo caótico, mas belo.
1. A atenção que chega é quase sempre superficial
Quando és bonita, o primeiro “olá” raramente vem por causa da tua inteligência, do teu humor, dos teus sonhos ou da tua força. Vem pelo corpo, pela foto, pelo “corpo de violão” que vira meme nas redes. Muitos homens aproximam-se para “conquistar o troféu”, para mostrar aos amigos, para satisfazer o ego. Quando tentas falar de valores, de futuro, de vulnerabilidades… o interesse evapora. Resultado? Sentas-te desejada, mas invisível como pessoa. Com o tempo, isso gera desconfiança profunda: “Alguém vai amar-me por quem sou, ou só pelo que represento visualmente?”
2. Os homens “bons” intimidam-se e nem chegam perto
O moço maduro, responsável, com valores sólidos – aquele que seria parceiro de verdade – muitas vezes pensa: “Ela tem fila de opções. Eu sou normal, por que haveria de ter chance?”. Ele nem tenta. Quem chega com mais força? Os arrogantes, os players, os que veem nela um objecto de exibicionismo ou os que querem “dominar” a beleza. Relações tóxicas, ciúmes doentios, traições… Tudo isso reforça a ideia de que amor verdadeiro não é para “mulheres como eu”.
3. Medo de ser reduzida à aparência (e de a perder com o tempo)
Ela sabe: a beleza muda. Idade chega, gravidez transforma o corpo, a vida marca. Se o relacionamento actual parece ancorado só no físico, surge o terror: “E quando envelhecer? Ele vai embora atrás de outra mais nova?”. Por isso, ela torna-se mais selectiva, mais cautelosa. Fecha-se emocionalmente para não se magoar. Muitos chamam isso de “exigente demais” ou “difícil”. Na verdade, é auto-protecção pura.
4. A solidão no meio da multidão é a mais dolorosa
Tem gente à volta o tempo todo: elogios, convites, olhares na rua. Mas poucos (ou nenhum) que realmente conectam no nível emocional, intelectual ou de valores. Ela pode sentir-se mais sozinha do que uma mulher “média”. Porque a atenção é barulhenta, mas vazia. Muitas dizem: “Tenho opções para sexo ou paquera, mas não para construir família, sonhos juntos, apoio nos dias ruins”.
5. Padrões altos – e justos – depois de tantas desilusões
Depois de falsidade, objectificação, relações instáveis, ela aprende rápido: quer compatibilidade, respeito, consistência, alguém que veja o pacote todo (personalidade, inteligência, humor, fé, ambição). Isso é saudável, mas reduz drasticamente o número de candidatos. O pool de pretendentes encolhe. E a sociedade rotula: “Ela acha que é demais”.
Conclusão: Não é que não devam esperar. É que o sistema está contra elas
Mulheres bonitas não “devem” desistir do amor da vida delas. Não “devem” baixar padrões. O problema não está nelas – está no filtro que a beleza cria: atrai os errados e afasta os certos. Demora mais, dói mais no caminho, mas o amor verdadeiro existe sim para elas também. Porém, às vezes, simplesmente acontece.
Acontece quando surge alguém com coragem para ignorar a “fila imaginária”, que se aproxima de forma genuína, que valoriza a alma antes do corpo. Acontece quando ela própria trabalha a autoestima além do espelho, escolhe ambientes onde possa ser vista como ser completo.
Mas, até lá, a lição é clara: beleza extrema não é garantia de felicidade amorosa. Pelo contrário – muitas vezes é o maior obstáculo. E isso ninguém quer verbalizar em voz alta.
E tu? Já viste isso de perto numa amiga, numa irmã, numa conhecida? Ou sentes na pele? Deixa nos comentários. Vamos debater sem filtros.
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