DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA
Na efervescência da Copa das Nações Africanas (CAN) 2025, a decorrer em Marrocos, um gesto silencioso e profundamente simbólico roubou atenções ao próprio futebol jogado dentro das quatro linhas. Durante todos os jogos disputados pela República Democrática do Congo (RDC), um adepto destacou-se não por gritos ou coreografias, mas pela sua imobilidade absoluta.
Vestido à imagem de Patrice Lumumba, histórico líder da independência congolesa assassinado em 1961, Michel permaneceu de pé e imóvel durante 438 minutos, encarnando um tributo vivo à resistência africana, à memória histórica e ao pan-africanismo.
Os Leopardos da RDC disputaram três jogos na fase de grupos e um nos oitavos-de-final, totalizando cerca de 390 minutos de jogo efectivo. No entanto, devido aos descontos e ao prolongamento frente à Argélia, o adepto manteve-se firme por 438 minutos consecutivos, mais de 7 horas de devoção ininterrupta, segundo dados divulgados por meios como a Prime Video Sport France.
Vestindo casaco amarelo, gravata azul e calças vermelhas — as cores da bandeira congolesa —, Michel adoptou uma pose rígida, com o braço direito erguido, evocando as icónicas imagens e estátuas de Lumumba espalhadas por África.
Patrice Lumumba não foi apenas o primeiro-ministro do Congo independente. Foi um símbolo continental, inspirador de lutas de libertação em países como Argélia, Gana, Moçambique e tantos outros. Ao representá-lo na CAN 2025, Michel Kuka Mboladinga trouxe a história para dentro do estádio, educando uma nova geração que conhece mais craques do que líderes históricos africanos.
Durante os jogos da fase de grupos, manteve-se imóvel por 90 minutos em cada partida. No duelo decisivo dos oitavos-de-final frente à Argélia, resistiu até ao minuto 119 do prolongamento.
A sua queda aconteceu exactamente no momento em que Adil Boulbina marcou o golo decisivo para a selecção argelina (1-0). Como se o peso da derrota nacional tivesse finalmente vencido o corpo que já ultrapassara os limites humanos.
As imagens do adepto a desabar entre bandeiras e cânticos que se transformaram em lamentos tornaram-se virais em todo o continente.
No apito final, o jogador argelino Mohamed Amoura protagonizou um gesto considerado desrespeitoso por muitos. Diante das câmaras, imitou a pose do “Lumumba” — braço erguido — e, em seguida, fingiu cair de forma caricata no relvado.
A atitude foi interpretada como zombaria directa ao colapso do adepto congolês e, por extensão, ao próprio legado de Patrice Lumumba. A reacção foi imediata nas redes sociais, com críticas vindas não apenas de congoleses, mas também de observadores africanos e até de cidadãos argelinos, que classificaram o gesto como “inapropriado”.
Até ao momento, Mohamed Amoura não apresentou qualquer pedido público de desculpas, deixando uma mancha simbólica numa vitória desportiva que deveria ser celebrada com dignidade.
A CAN 2025 tem sido palco de emoções intensas, surpresas e afirmações nacionais. No entanto, o tributo de Michel Kuka Mboladinga lembra-nos que o futebol africano é mais do que resultados: é história viva, identidade colectiva e luta por dignidade.
Apesar da eliminação, a RDC sai de cabeça erguida. E o “Lumumba das bancadas” entra para a história como um dos maiores símbolos desta edição.
Enquanto a Argélia segue para os quartos-de-final, fica o apelo para que o fair play, dentro e fora do campo, prevaleça. Afinal, como disse Patrice Lumumba:
“A África escreverá a sua própria história.”
Que essa história seja escrita com respeito, memória e união.
Já conhecia este episódio ou o legado de Patrice Lumumba no futebol africano?
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Linda imagem e educadora, história faz se assim. Viva mãe África.
ResponderEliminarÉ preciso que faça um livro sobre essa história e o mesmo ser de consumo mundial.
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