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DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA

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Quando o Cristianismo Deixou de Ser Fé e Se Tornou Negócio “ Christianity left Israel as family, went to England as a religion and ended up in Africa as a business.” Esta frase curta, desconfortável e profundamente reveladora circula há anos como provocação intelectual. Mas será apenas uma hipérbole amarga ou uma síntese histórica brutalmente honesta? Quando observamos o percurso do Cristianismo ao longo dos séculos, percebemos que esta afirmação não é gratuita — ela é um espelho. Este artigo não é um ataque à fé, nem uma negação da espiritualidade cristã. É, antes, uma reflexão crítica sobre como uma mensagem espiritual simples foi progressivamente capturada por estruturas de poder, interesses económicos e mecanismos de exploração, sobretudo em África. 1. Israel: o Cristianismo como experiência familiar e comunitária O Cristianismo nasce em Israel, não como instituição, mas como vivência íntima. Jesus de Nazaré não fundou igrejas, não criou hierarquias, não cobrou dízimos, nem pr...

AS SOMBRAS DA CRENÇA NA SUPERSTIÇÃO

Como a Feitiçaria Ainda Condiciona África e Moçambique

Por: Lino TEBULO
linoisabelmucuebo@gmail.com

A crença na feitiçaria continua a moldar decisões, medos e conflitos em muitas sociedades africanas. Em Moçambique, entre tradição e modernidade, esta realidade levanta questões urgentes sobre educação, violência social e desenvolvimento sustentável.

Num mundo onde a ciência e a tecnologia prometem desvendar os mistérios do universo, persiste uma teia invisível de crenças ancestrais que molda o comportamento de milhões. A recente publicação numa das redes sociais, revela um ranking dos 30 países com maior crença na feitiçaria e no mau-olhado, baseado em estudos rigorosos como o de Boris Gershman (2022) e inquéritos do Pew Research Center.

Esta lista não é mero entretenimento estatístico; é um espelho cruel que reflecte as fracturas sociais, culturais e económicas que ainda assolam nações inteiras, especialmente em África, onde o continente surge como protagonista indesejado. Em Moçambique, onde as tradições se entrelaçam com a modernidade, esta realidade obriga-nos a uma reflexão profunda: será a crença na feitiçaria um refúgio cultural ou uma algema que impede o progresso?

Olhemos para os números com olhos críticos.

A Tunísia lidera com 90%, seguida pela Tanzânia (83-92%), Marrocos (80%) e Senegal (75%). África domina os primeiros lugares, com países como Camarões, Mali, Gana e Etiópia a exibirem taxas acima dos 70%. Não é coincidência: em contextos de pobreza extrema, instabilidade política e acesso limitado à educação, as explicações sobrenaturais preenchem os vazios deixados pela ciência. Em Moçambique, embora não figure directamente na lista, sabemos que crenças semelhantes permeiam o quotidiano – do curandeiro nas zonas rurais ao medo do "mau-olhado" nas cidades. 

Quantas vidas são destruídas por acusações de feitiçaria? Mulheres idosas, crianças albinas ou rivais económicos tornam-se vítimas de linchamentos ou exclusão social, alimentados por superstições que se disfarçam de tradição. É incisivo afirmar: esta crença não é inofensiva; é uma arma que perpetua a violência e o subdesenvolvimento.

Reflectindo mais fundo, pergunto: porquê África? 

O colonialismo deixou legados de desigualdade, onde missionários impuseram religiões ocidentais sobre práticas indígenas, criando um hibridismo confuso. Hoje, com a globalização, filmes de Nollywood nigerianos ou rituais vodu haitianos (ausentes da lista, mas notórios) amplificam estes mitos via redes sociais. No entanto, países desenvolvidos como a Grécia (66%), Letónia (66%) ou República Checa (45%) também surgem, provando que a feitiçaria não é exclusividade do "Terceiro Mundo". 

Na Rússia (59%) ou Ucrânia (60%), o folclore eslavo resiste à secularização. Mas em África, o impacto é devastador: recursos desperdiçados em amuletos em vez de educação; saúde pública minada por curas mágicas que ignoram vacinas; e economias paralisadas pelo medo de invejas sobrenaturais. Em Moçambique, onde a economia depende da agricultura e do turismo, imagine o potencial perdido quando comunidades atribuem secas ou falhas a bruxas, em vez de investir em irrigação ou inovação.

Esta crença, representada na imagem partilhada – um altar sombrio com caveiras, velas e pentagramas, evocando rituais ancestrais – simboliza o fascínio pelo oculto. É belo na sua mística, mas perigoso na sua ilusão. Num país como o nosso, com uma rica herança cultural dos povos bantu e influências islâmicas, devemos preservar o folclore sem o deixar tornar-se prisão. 

A solução?

Educação inclusiva que respeite as tradições mas promova o cepticismo racional. Governos africanos, incluindo o moçambicano, devem investir em campanhas contra a violência ligada à feitiçaria, como as que protegem albinos na Tanzânia. Organizações internacionais, como a ONU, alertam para isso há anos: a crença no sobrenatural agrava desigualdades de género e etárias.

Em conclusão, esta lista não é para rir ou ignorar; é um chamamento à acção. Moçambique, e África no geral, pode transformar estas sombras em luz. Ao questionarmos as nossas crenças, abrimos portas ao progresso. Senão, continuaremos presos num ciclo de medo, onde o verdadeiro "mau-olhado" é a ignorância que nos cega. Que esta reflexão incite mudança – pois só assim, nas chamas das velas ancestrais, encontraremos o fogo da razão.



Comentários

  1. Pessoas não estao a dormir,pois,querem enriquecimento sem trabalharem,entretanto 'nada vem do nada' vamos trabalhar e abandonar essas práticas,que só destrói o tecido social e acima de tudo trás descriminacao. Que 2026 seja diferente.

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  2. Vendem o slogan de que somos africanos, como impulso para realização destas práticas.
    Uns estão á inventar drones , aranhaceus e nos andando com paninhos no bolso, banhos temperados por raízes em nome do desenvolvimento .
    Quem já viu um curandeiro inventar um robô ou construir um telefone inteligente?
    Esses só ensinam a matar galinha levar sangue epha e curar doenças que os seus amigos inventaram.
    tchau.

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