DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA
A crença na feitiçaria continua a moldar decisões, medos e conflitos em muitas sociedades africanas. Em Moçambique, entre tradição e modernidade, esta realidade levanta questões urgentes sobre educação, violência social e desenvolvimento sustentável.
Num mundo onde a ciência e a tecnologia prometem desvendar os mistérios do universo, persiste uma teia invisível de crenças ancestrais que molda o comportamento de milhões. A recente publicação numa das redes sociais, revela um ranking dos 30 países com maior crença na feitiçaria e no mau-olhado, baseado em estudos rigorosos como o de Boris Gershman (2022) e inquéritos do Pew Research Center.
Esta lista não é mero entretenimento estatístico; é um espelho cruel que reflecte as fracturas sociais, culturais e económicas que ainda assolam nações inteiras, especialmente em África, onde o continente surge como protagonista indesejado. Em Moçambique, onde as tradições se entrelaçam com a modernidade, esta realidade obriga-nos a uma reflexão profunda: será a crença na feitiçaria um refúgio cultural ou uma algema que impede o progresso?
A Tunísia lidera com 90%, seguida pela Tanzânia (83-92%), Marrocos (80%) e Senegal (75%). África domina os primeiros lugares, com países como Camarões, Mali, Gana e Etiópia a exibirem taxas acima dos 70%. Não é coincidência: em contextos de pobreza extrema, instabilidade política e acesso limitado à educação, as explicações sobrenaturais preenchem os vazios deixados pela ciência. Em Moçambique, embora não figure directamente na lista, sabemos que crenças semelhantes permeiam o quotidiano – do curandeiro nas zonas rurais ao medo do "mau-olhado" nas cidades.
Quantas vidas são destruídas por acusações de feitiçaria? Mulheres idosas, crianças albinas ou rivais económicos tornam-se vítimas de linchamentos ou exclusão social, alimentados por superstições que se disfarçam de tradição. É incisivo afirmar: esta crença não é inofensiva; é uma arma que perpetua a violência e o subdesenvolvimento.
O colonialismo deixou legados de desigualdade, onde missionários impuseram religiões ocidentais sobre práticas indígenas, criando um hibridismo confuso. Hoje, com a globalização, filmes de Nollywood nigerianos ou rituais vodu haitianos (ausentes da lista, mas notórios) amplificam estes mitos via redes sociais. No entanto, países desenvolvidos como a Grécia (66%), Letónia (66%) ou República Checa (45%) também surgem, provando que a feitiçaria não é exclusividade do "Terceiro Mundo".
Na Rússia (59%) ou Ucrânia (60%), o folclore eslavo resiste à secularização. Mas em África, o impacto é devastador: recursos desperdiçados em amuletos em vez de educação; saúde pública minada por curas mágicas que ignoram vacinas; e economias paralisadas pelo medo de invejas sobrenaturais. Em Moçambique, onde a economia depende da agricultura e do turismo, imagine o potencial perdido quando comunidades atribuem secas ou falhas a bruxas, em vez de investir em irrigação ou inovação.
Esta crença, representada na imagem partilhada – um altar sombrio com caveiras, velas e pentagramas, evocando rituais ancestrais – simboliza o fascínio pelo oculto. É belo na sua mística, mas perigoso na sua ilusão. Num país como o nosso, com uma rica herança cultural dos povos bantu e influências islâmicas, devemos preservar o folclore sem o deixar tornar-se prisão.
Educação inclusiva que respeite as tradições mas promova o cepticismo racional. Governos africanos, incluindo o moçambicano, devem investir em campanhas contra a violência ligada à feitiçaria, como as que protegem albinos na Tanzânia. Organizações internacionais, como a ONU, alertam para isso há anos: a crença no sobrenatural agrava desigualdades de género e etárias.
Em conclusão, esta lista não é para rir ou ignorar; é um chamamento à acção. Moçambique, e África no geral, pode transformar estas sombras em luz. Ao questionarmos as nossas crenças, abrimos portas ao progresso. Senão, continuaremos presos num ciclo de medo, onde o verdadeiro "mau-olhado" é a ignorância que nos cega. Que esta reflexão incite mudança – pois só assim, nas chamas das velas ancestrais, encontraremos o fogo da razão.
Pessoas não estao a dormir,pois,querem enriquecimento sem trabalharem,entretanto 'nada vem do nada' vamos trabalhar e abandonar essas práticas,que só destrói o tecido social e acima de tudo trás descriminacao. Que 2026 seja diferente.
ResponderEliminarVendem o slogan de que somos africanos, como impulso para realização destas práticas.
ResponderEliminarUns estão á inventar drones , aranhaceus e nos andando com paninhos no bolso, banhos temperados por raízes em nome do desenvolvimento .
Quem já viu um curandeiro inventar um robô ou construir um telefone inteligente?
Esses só ensinam a matar galinha levar sangue epha e curar doenças que os seus amigos inventaram.
tchau.