Publicação em destaque

A HIPOCRISIA DAS EXIGÊNCIAS FEMININAS

Imagem
Quando o Discurso Não Combina com a Realidade Num tempo em que o debate sobre igualdade de género ganha cada vez mais espaço, surgem também contradições que merecem reflexão séria. Entre elas, destaca-se a postura de certas mulheres que assumem discursos extremamente exigentes em relação aos homens, mas que não demonstram coerência entre aquilo que cobram e a realidade que vivem. Trata-se de um fenómeno cada vez mais visível, amplificado pelas redes sociais e por discursos públicos que confundem empoderamento com superioridade moral ou material. O caso recente de uma apresentadora africana, que ganhou notoriedade após declarar publicamente que apenas se relaciona com homens financeiramente bem-sucedidos — citando marcas de carros de luxo como critério mínimo — expôs de forma clara essa contradição. A situação tornou-se ainda mais simbólica quando, logo após o discurso, a mesma foi vista a regressar para casa numa mototáxi , meio de transporte comum e acessível. O contraste entre ...

COMUNICAÇÃO ENTRE SONHADORES : A Neurotecnologia Que Está a Invadir o Mundo dos Sonhos

Cientistas testam comunicação em sonhos lúcidos e levantam questões sobre a mente humana.

Se durante séculos os sonhos foram território da poesia, da espiritualidade e do mistério, hoje começam a entrar, passo a passo, no laboratório da ciência dura. A alegada comunicação entre duas pessoas durante um sonho lúcido, anunciada pela startup REMspace, não é apenas uma curiosidade tecnológica — é um abalo silencioso na forma como entendemos a mente humana, a consciência e os limites da experiência individual. O que antes era visto como ficção científica aproxima-se agora do debate académico, clínico e até ético, colocando a neurotecnologia no centro de uma das últimas fronteiras da humanidade: o mundo interior.

Segundo os relatos, o experimento utilizou monitores de EEG, sensores de rastreio ocular e uma linguagem de sonho codificada chamada “Remmyo” para permitir que um sonhador lúcido transmitisse uma palavra a outro, enquanto ambos permaneciam a dormir. Ainda que tenha sido uma comunicação unidireccional e extremamente limitada, o simples facto de se falar em “mensagem estruturada” a circular entre duas mentes em estado de sonho muda o eixo da discussão científica sobre o sono. Já não se trata apenas de interpretar sonhos — trata-se de interagir com eles.

O sonho lúcido, por si só, já vinha sendo estudado como um estado híbrido de consciência, onde o cérebro dorme mas a mente reconhece que está a sonhar. Investigadores têm observado que, nesse estado, áreas cerebrais ligadas à autoconsciência e ao controlo executivo mostram actividade invulgar para o sono REM. Agora, com a introdução de interfaces neurotecnológicas, abre-se a possibilidade de o sonho deixar de ser um espaço puramente subjectivo para se tornar um ambiente parcialmente navegável, observável e, em certa medida, partilhável.

As implicações científicas são vastas. No campo da memória, por exemplo, já se sabe que o sono desempenha papel central na consolidação das experiências do dia. Se for possível interagir com o conteúdo onírico, poder-se-á um dia reforçar aprendizagens, estimular criatividade ou ajudar a reorganizar memórias traumáticas em ambiente controlado. Na terapia de traumas, fobias e stress pós-traumático, o sonho lúcido já é explorado como ferramenta para enfrentar medos de forma simbólica. A comunicação externa durante esse estado pode transformar o tratamento, permitindo orientação em tempo real dentro do universo onírico do paciente.

Mas a dimensão mais profunda desta descoberta é filosófica e humana. Sempre pensamos a consciência como algo radicalmente íntimo, inacessível a outros de forma directa. Mesmo a linguagem falada é apenas uma ponte imperfeita entre mundos interiores. A ideia de “mente para mente”, ainda que embrionária, desafia a noção de que cada pessoa habita uma ilha psíquica isolada. Surge então uma pergunta inquietante: se os sonhos podem tornar-se um espaço de interacção, onde termina o “eu” e começa o “outro”?

Essa questão arrasta consigo dilemas éticos sérios. Quem controla a tecnologia que entra no espaço mais vulnerável do ser humano — o seu inconsciente? Como garantir consentimento real quando se trata de estados de consciência alterados? Poderão sonhos ser gravados, analisados ou, no pior cenário, manipulados? A história da tecnologia mostra que tudo o que pode ser usado para cuidar também pode ser usado para vigiar, influenciar ou explorar. O sonho, que sempre foi último refúgio da liberdade interior, pode tornar-se novo território de disputa.

Há ainda o risco do sensacionalismo. A ciência avança por passos pequenos, replicáveis e rigorosos, enquanto o discurso tecnológico muitas vezes corre à frente, impulsionado por promessas de mercado. Entre transmitir uma palavra num ambiente experimental e estabelecer “conversas” entre sonhadores vai uma distância enorme. No entanto, mesmo que a aplicação prática demore décadas ou enfrente limites intransponíveis, o simbolismo do feito já é poderoso: a mente deixou de ser apenas objecto de observação passiva e começa a tornar-se espaço de interface.

Para sociedades como a nossa, onde saúde mental ainda é tema rodeado de estigma e onde o acesso a cuidados psicológicos é limitado, a longo prazo tecnologias ligadas ao sono e à consciência podem trazer oportunidades — mas também ampliar desigualdades. Quem terá acesso a terapias neurotecnológicas? Serão ferramentas de cura ou luxos de elites? A discussão sobre o futuro da neurociência não pode ficar restrita ao Vale do Silício; precisa envolver culturas, valores e realidades diversas, incluindo o Sul global.

No fundo, esta possível comunicação entre sonhadores obriga-nos a rever algo muito antigo: a crença de que os sonhos são apenas fantasias sem consequência. Talvez sejam, afinal, outro modo de existência da mente, um segundo palco onde memórias, emoções e identidades se reorganizam. Se a tecnologia começar a atravessar esse palco, estaremos a assistir ao nascimento de uma nova era da consciência humana — uma era em que o invisível se torna parcialmente tangível.

Ainda é cedo para proclamar revoluções, mas não é cedo para reflectir. A neurotecnologia aplicada aos sonhos não é apenas sobre máquinas e cérebros; é sobre o que significa ser humano quando até o nosso mundo interior pode deixar de ser totalmente privado. Entre o fascínio científico e o cuidado ético, o desafio será garantir que, ao explorar os sonhos, não percamos aquilo que eles sempre representaram: um espaço de liberdade, imaginação e profundidade que nos lembra que a mente humana é maior do que qualquer tecnologia.

Deixa a tua opinião nos comentários.

🔔 Quer receber os próximos alertas de golpes, denúncias e histórias reais antes de todo mundo?

Subscreve grátis AQUI → (Leva 5 segundos e não tem spam — só o que realmente importa)

Comentários

  1. Yaaaa está puxado, havemos de aguardar, uma vez que tudo é possível no mundo actual.

    Mas não aguentei com essa tecnologia! Sallut

    ResponderEliminar

Enviar um comentário