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CARDÓN E A GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO EM CHAMAS

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O Fogo que Consome a Soberania Ponto Fijo, Venezuela - 6 de Outubro de 2026. A refinaria de Cardón, a segunda maior da Venezuela, com capacidade nominal de 310 mil barris por dia, foi forçada a paralisar totalmente as suas operações após um incêndio de grandes proporções deflagrar numa linha de gás associada à sua unidade de produção de gasóleo. O sinistro, que terá sido precedido por uma explosão, obrigou à evacuação imediata do pessoal e lançou colunas de fumo visíveis a quilómetros de distância. Integrada no gigantesco Complexo de Refinação de Paraguaná, a instalação é um pilar estratégico da estatal PDVSA, e a sua paralisação repentina reacende o debate sobre a resiliência (e a vulnerabilidade) da infraestrutura energética venezuelana num xadrez geopolítico cada vez mais volátil. A causa oficial do incidente permanece por estabelecer, mas o contexto em que ocorre é tudo menos inocente. A Venezuela, detentora das maiores reservas provadas de petróleo do mundo, continua a ser um tab...

A RETIRADA SILENCIOSA: MEDO OU PRECAUÇÃO?

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Quando a Segurança se Torna uma Equação Geopolítica Há momentos em que a geopolítica deixa de ser um jogo de tabuleiro para se tornar um sussurro urgente nos corredores do poder. A recente retirada de todos os bombardeiros B-1 da Força Aérea dos Estados Unidos da base RAF Fairford, no Reino Unido, é um desses momentos. Não se trata de uma manobra de rotina, nem de um simples reposicionamento tático. É um sintoma. Segundo fontes credíveis como o The Wall Street Journal e a agência Xinhua, a decisão foi motivada por preocupações de segurança relacionadas com suspeitas de planos terroristas contra a instalação. Cerca de uma dúzia de bombardeiros B-1, que até então estavam estacionados naquela base a noroeste de Londres — um centro nevrálgico para os ataques aéreos dos EUA contra o Irão —, foram subitamente chamados de volta às suas bases em solo americano. O Pentágono, numa declaração de frieza burocrática, confirmou que "todos os bombardeiros dos EUA que estavam destacados em RAF F...

O FIM DE UMA ERA: A EROSÃO DE UM IMPÉRIO ANUNCIADA PELA GEOGRAFIA

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Desta Vez em 173 Anos, Não Há Navios de Guerra Americanos no Golfo Pérsico Teerão, 29 de Setembro de 2026 - O porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, Brigadeiro-General Hossein Mohebbi, confirmou numa terça-feira, por sinal a última de Setembro do ano corrente, que não existe um único navio de guerra americano no Golfo Pérsico, nem no Golfo de Omã, nem no norte do Oceano Índico. Segundo a agência Tasnim, os navios de guerra dos EUA recuaram pelo menos 500 quilómetros da entrada do Estreito de Ormuz e das águas do Golfo. Antes da guerra iniciada em Fevereiro de 2026, a Marinha dos Estados Unidos mantinha entre 30 a 40 navios de guerra na região. Hoje, nem a Quinta Frota - sediada no Bahrein e com jurisdição operacional sobre o Golfo Pérsico - possui uma única embarcação ou pequeno barco nas águas do Golfo. Mohebbi descreveu a situação com uma franqueza cortante: os EUA estão a tentar "retratar uma derrota clara como vitória". E acrescentou que Washington "será em br...

O QUE RESTA QUANDO AS BOTAS SE RETIRAM?

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O Fim de um Ciclo: Retirada dos EUA do Iraque e o Vazio que a Força Não Preenche Washington / Bagdade — Os Estados Unidos iniciam a retirada definitiva das suas tropas do Iraque , encerrando uma presença militar de mais de 23 anos. A data limite para a conclusão do processo está fixada para 30 de Setembro de 2026 , conforme o acordo alcançado entre Washington e Bagdade em Setembro de 2024. O anúncio foi feito pelo canal RT , que destaca o fim iminente de uma das operações militares mais longas da história recente dos EUA. Os números da retirada são significativos. Nos últimos anos, cerca de 2.500 soldados americanos permaneciam estacionados no país, distribuídos entre bases em Erbil (Kurdistão), no aeroporto de Bagdade e na Zona Verde da capital iraquiana. Apesar do anúncio, não houve, até ao momento, confirmação oficial do Pentágono sobre a conclusão total do processo. A presença militar americana no Iraque atravessou três fases distintas: a invasão de 2003 que derrubou Saddam Hus...

O MUNDO HUMILHA ISRAL E QUEM VAI PAGAR? - A PALESTINA, SÓ?

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77 Nações, Incluindo Moçambique, Abandonam a Assembleia da ONU em Repúdio Histórico O contexto Em Setembro de 2026, durante a 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, um momento de rara unidade diplomática marcou a história contemporânea. Setenta e sete (77) delegações nacionais, entre as quais se destaca Moçambique, retiraram-se solenemente da sala do plenário durante o discurso do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Este gesto colectivo, que abrangeu 18 países árabes, 20 nações africanas não árabes, 17 Estados da América Latina e Caraíbas, 14 países asiáticos, 6 europeus e 2 da Oceania, transcende um simples protocolo diplomático, configurando-se como um repúdio silencioso, porém ensurdecedor, às políticas contestadas no Médio Oriente. O Silêncio que Ecoou sem Ensaio Prévio A retirada em bloco de mais de um terço dos Estados-membros da ONU não é um mero acidente de percurso ou uma coincidência de agendas. É, antes, o sintoma de uma divisão prof...

A METRALHADORA DE UM SÓ BRAÇO

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A Lição de Resiliência que o Iémen dá ao Mundo Há imagens que não precisam de legenda para nos atingir em cheio. Um homem com um único braço a disparar uma metralhadora montada numa carrinha não é uma cena de cinema. É a fotografia crua de uma guerra que já dura há demasiado tempo e que o mundo aprendeu a ignorar. É esta a imagem que me faz parar e pensar: o que transforma um ser humano num combatente que, mesmo mutilado, continua a puxar o gatilho? A resposta não está nos manuais de estratégia militar recomendados pela academia, escolas, institutos, centros de formação militar etc. Está na história de um povo que foi empurrado para o limite da sobrevivência e que, em vez de se render, decidiu que ainda tinha algo por que lutar. O Iémen não é apenas um ponto num mapa do Médio Oriente. É o retrato de uma resistência que nasce não da ideologia, mas da necessidade. Quando tudo o que resta é a vida nua, a luta torna-se instinto. Vale a pena recuar no tempo para entender como se chegou aqu...