A GUERRA DO CHAPATI: O DILEMA ENTRE PROTECCIONISMO E A VERDADEIRA UNIDADE AFRICANA
Quando o Protecionismo Económico Esbarra na Realidade Africana
A medida, justificada pela necessidade de proteger o sustento das mulheres sul-sudanesas, reacendeu um debate continental sobre reciprocidade, capacidade empreendedora local e os verdadeiros caminhos para o desenvolvimento económico em África.
Contudo, quando o alvo é o vendedor ambulante ou o pequeno mercador, a medida arrisca-se a transformar-se num tiro no pé. A presença de comerciantes estrangeiros, muitas vezes vindos de países vizinhos, não representa apenas uma concorrência; é, também, uma aula prática de resiliência, gestão e empreendedorismo no terreno.
Como bem apontam vozes críticas neste debate, uma sociedade que despreza o pequeno comércio, encarando-o como um labor de menor classe, enquanto nutre uma obsessão por empregos de colarinho branco, dificilmente construirá uma base económica sólida. O caminho para a soberania não passa pela expulsão, mas pela inclusão inteligente. Políticas que incentivem os negócios estrangeiros a integrar e a formar cidadãos locais nos seus processos criariam uma ponte de conhecimento, transformando a concorrência em cooperação e transferência de saberes. É preciso sentar e aprender, antes de erguer barreiras.
A verdadeira unidade africana, tão apregoada nos discursos diplomáticos, mede-se precisamente nestes microespaços de convivência diária. Expulsar o outro é, no fundo, negar a reciprocidade que sustenta a nossa própria diáspora quando esta precisa de acolhimento.
O desafio do Sudão do Sul, e por extensão de toda a África, não é erguer muralhas em torno do comércio de rua, mas sim erguer pontes de capacitação. Proteger o mercado nacional é um direito soberano, mas fazê-lo através da exclusão, sem antes ter cultivado a semente do empreendedorismo local, é condenar as próprias mulheres que se pretendem proteger a um isolamento ainda mais profundo.

Comentários
Enviar um comentário