O CULTO À BUNDA GRANDE
Libertação Feminina ou Nova Prisão Estética? Nas redes sociais moçambicanas e africanas em geral, o “ rabo grande ” virou religião. Mulheres posam de costas, de lado, sentadas em bancadas, com jeans colados ou vestidos justos que parecem feitos para desafiar a gravidade. Muitas usam hijab ou lenços coloridos, misturando fé, tradição e sensualidade extrema. Para umas, é libertação: “Meu corpo, minhas regras! Celebro minhas curvas africanas!”. Para outras, é só mais uma prisão: um novo padrão estético que pressiona as mulheres a terem quadris impossíveis, cintura fina e um traseiro que “quase senta copo de vinho”. Historicamente, em muitas culturas africanas – incluindo em Moçambique – corpos curvilíneos eram sinal de saúde, fertilidade e prosperidade. Uma mulher “cheia” era desejada, respeitada. Mas o que vemos hoje nas redes não é só celebração cultural. É um culto globalizado, impulsionado por Kim Kardashian , Beyoncé, twerking e, mais tarde, pelo boom das BBL (Brazilian Butt Lif...