CHINA REVOLUCIONA DOUTORAMENTOS
O Dia de São Valentim, celebrado a 14 de Fevereiro, transformou-se, ao longo dos anos, num espectáculo mediático de flores importadas, jantares requintados, viagens-surpresa e declarações públicas nas redes sociais. Inspirado na figura histórica de São Valentim, que simboliza o amor e a entrega, o dia que deveria exaltar o afecto e o compromisso acabou, em muitos contextos, refém de uma lógica materialista que mede sentimentos pelo valor do presente.
Em Moçambique e em grande parte de África, esta pressão é ainda mais sensível. Vivemos em sociedades onde a luta diária pela sobrevivência é real e constante. Muitos homens e mulheres honestos acordam cedo, enfrentam transportes precários, salários curtos e responsabilidades familiares pesadas. No entanto, quando chega o 14 de Fevereiro, parece que todo esse esforço deixa de contar se não houver uma caixa embrulhada com laço vermelho.
Criou-se uma narrativa perigosa: a de que amar é dar — e dar muito. Restaurantes cheios, vitrines esvaziadas, publicações nas redes sociais a exibirem perfumes caros, telemóveis novos, jóias reluzentes. Quem não consegue acompanhar essa “tendência” sente-se diminuído, inseguro, quase culpado.
Há namorados que passam o dia inteiro angustiados por não terem condições financeiras para comprar um presente. Há namoradas que interpretam a ausência de um gesto material como falta de interesse. E, infelizmente, há relações que terminam nesta data por causa disso.
Mas desde quando o amor se mede pela capacidade de compra?
É constrangedor viver numa sociedade em que a seriedade e a intensidade de uma relação parecem depender do poder económico. O funcionário público que recebe um salário modesto, o jovem empreendedor ainda em início de caminhada, o trabalhador informal que vive do dia — todos eles podem amar profundamente. Contudo, aos olhos de alguns, se não houver presente, não há prova.
Essa mentalidade gera frustração, comparação e até humilhação. Em certos casos, empurra pessoas para caminhos errados. Há quem diga, com ironia amarga, que só conseguem presentear com pompa aqueles que roubam ou obtêm bens de forma ilícita — porque podem dar hoje sem pensar no amanhã. Já quem ganha honestamente precisa equilibrar contas, pagar renda, sustentar filhos e ainda sonhar com estabilidade.
Será justo exigir luxo de quem ainda luta para sobreviver?
O Dia de São Valentim tornou-se, para muitos casais, uma competição silenciosa. Quem deu mais? Quem recebeu algo “melhor”? Quem publicou a declaração mais impressionante? No meio dessa corrida, o essencial perde-se.
Relacionamentos sólidos constroem-se com respeito, diálogo, lealdade e presença — não com etiquetas de preço. Um abraço sincero pode valer mais do que um jantar caro. Uma conversa honesta pode curar mais do que qualquer presente.
E, no entanto, hoje mesmo, haverá lágrimas. Haverá discussões. Haverá decepções. Haverá traições alimentadas por expectativas irreais. Haverá mulheres que se sentirão desvalorizadas. Haverá homens que se sentirão insuficientes. E tudo isso porque confundimos amor com ostentação.
Em muitos contextos africanos, ainda interpretamos ocasiões como esta de forma literal e extrema. Se não houve presente hoje, conclui-se que não haverá nunca. Se não houve jantar hoje, acredita-se que não há compromisso. Mas a vida real não funciona assim.
Há momentos em que simplesmente não há como. E amadurecer emocionalmente também significa compreender as limitações do outro. Amar é, igualmente, saber esperar. Saber compreender. Saber apoiar nos dias de escassez.
Porque o verdadeiro teste de uma relação não é o que se oferece na abundância, mas o que se partilha na dificuldade.
Instalou-se uma ideia silenciosa e injusta: a de que só os ricos sabem amar, porque sempre têm algo de valor simbólico ou material para oferecer. Mas o amor não pertence a uma classe social. Não é privilégio de quem tem cartão de crédito ilimitado.
O amor pertence a quem cuida. A quem permanece. A quem respeita. A quem luta junto.
Se uma relação termina porque não houve presente no Dia de São Valentim, talvez o problema não fosse a ausência do presente, mas a fragilidade do sentimento.
Talvez seja tempo de resgatar o sentido original da data. Celebrar com o que se tem — e não com o que se finge ter. Valorizar gestos simples. Escrever uma carta. Preparar uma refeição caseira. Caminhar juntos. Orar juntos. Conversar sobre sonhos e medos.
Num continente onde muitos ainda lutam pelo básico, transformar o amor numa exigência material é desumano. Precisamos reaprender que a maior prova de amor é a disponibilidade sincera — não a capacidade de impressionar.
Neste São Valentim, que cada casal se pergunte: estamos juntos pelo que sentimos ou pelo que exibimos?
Porque presentes passam. Luxos acabam. Dinheiro oscila.
Mas o amor verdadeiro — esse não tem etiqueta de preço.
"💌💝Para a mulher que ilumina o meu mundo e o universo dos nossos dois Aa s ✨🌍, minha luz constante e meu porto seguro 💖⚓: amo-te💘 mais do que as palavras conseguem expressar, mais do que o infinito consegue medir ♾️💘.
Feliz Sao Valentim, meu eterno amor 🌹🥂💕" ~ Paulino Intepo
Agora o que ficou é amor material sempre é explorado o homem mulher somente é parasita.
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