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O REGISTO QUE O AMANHÃ NÃO PERDOA

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A imagem fica. O futuro, nem sempre. Passa a grande festa das mulheres e pesadelos para alguns relacionamentos mal estruturado, s compostos por indivíduos ou seres humanos que mal se importam ou pelo menos fingem saber o que querem nos diversos casos. Porém, há outro lado sombrio que marca os momentos dessa festa, que às vezes, o evento acolhe uma celebração comovente e misturada de várias emoções e exageros incontroláveis, etc. Sinal de que nesses ambientes, nos esquecemos frequentemente que vivemos numa época em que a memória já não depende apenas da mente.  Depende do ecrã. Depende da ligação à internet. Depende de um dedo que carregou num botão sem pensar nas consequências — ou pensando apenas no instante, sem considerar o amanhã, a individualidade dos envolvidos na captação da imagem em alusão e dentre outros aspectos, relevantes ou não, dependendo dos registos.  Nesse contexto, a mulher africana, e a moçambicana em particular, cresce num mundo de contradições cruéis. É-...

A TUBAGEM DO NEPOTISMO DOS NOSSOS DIAS

A Conexão Certa que Entope o Futuro de África

A imagem que circula nas redes sociais mostra um emaranhado de tubos interligados num buraco subterrâneo. A legenda é curta, mas contundente: “The connection you need to secure a job in Africa.” A metáfora é poderosa. Não se trata apenas de canalização. Trata-se de um sistema.

Em muitos países africanos, a palavra “conexão” deixou de significar competência técnica ou rede profissional legítima. Passou a significar cunha, padrinho, partido, parentesco ou influência política. E é precisamente essa cultura que tem entupido o desenvolvimento do continente, como um sistema de drenagem mal concebido que impede o fluxo natural do talento.

Quando o mérito deixa de ser critério

Num mercado de trabalho saudável, a equação deveria ser simples: formação + competência + experiência = oportunidade. Porém, em diversos contextos africanos, a fórmula real muitas vezes é outra: proximidade ao poder + lealdade política = emprego. O resultado é devastador:

  • Jovens qualificados permanecem desempregados;
  • Instituições públicas tornam-se ineficientes;
  • Empresas estatais acumulam prejuízos;
  • A inovação é sufocada antes mesmo de nascer.

Quando a competência é substituída pela conveniência, a mediocridade institucionaliza-se. E um país que institucionaliza a mediocridade condena-se à estagnação.

O custo invisível das “conexões”

O nepotismo e o clientelismo não são apenas injustos — são economicamente dispendiosos. Cada vaga atribuída por influência em vez de mérito representa:

  • Uma oportunidade perdida de aumentar produtividade;
  • Uma decisão que reduz a qualidade dos serviços públicos;
  • Um sinal negativo enviado à juventude de que estudar não basta.

Essa cultura gera descrença no sistema. E quando os cidadãos deixam de acreditar que o esforço compensa, instala-se um ciclo perigoso de apatia, fuga de cérebros e informalidade.

A fuga silenciosa do talento

Quantos engenheiros, médicos, programadores e investigadores africanos deixaram os seus países porque perceberam que, sem padrinho, o tecto profissional seria sempre baixo?

A chamada “fuga de cérebros” não é apenas uma consequência da busca por melhores salários. É também uma fuga da frustração estrutural. É a rejeição de um sistema onde o mérito não é o principal critério. E cada talento que parte leva consigo inovação, impostos, soluções e esperança.

Desenvolvimento não se constrói com favores

Países que conseguiram transformar-se economicamente fizeram-no fortalecendo instituições, não redes de favores. O desenvolvimento sustentável exige:

Enquanto o emprego depender mais de quem se conhece do que do que se sabe fazer, a competitividade continental continuará comprometida.

A normalização do problema

O aspecto mais preocupante talvez seja a normalização. Muitos já encaram a necessidade de “conexão” como algo inevitável, quase cultural. Mas cultura não é destino. Cultura é construção social — e pode ser reformulada.

A juventude africana é uma das mais dinâmicas do mundo. O continente possui recursos naturais vastos, potencial tecnológico emergente e um mercado interno em expansão. O que falta não é talento. Falta um sistema que permita que o talento floresça.

Como romper o tal ciclo

Romper essa lógica exige coragem política e pressão social. Exige também que cada cidadão recuse participar do ciclo de favorecimentos sempre que possível. A mudança estrutural começa com pequenas rupturas individuais.

A imagem dos tubos interligados é simbólica: um sistema fechado, onde tudo está conectado, mas nada flui para fora. África não precisa de mais conexões subterrâneas. Precisa de pontes abertas, transparentes e baseadas no mérito.

O verdadeiro desenvolvimento não depende de quem indica. Depende de quem é capaz.



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