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ERNEST ANDREW: O JOVEM DO MALAWI QUE TRANSFORMA AR EM ELECTRICIDADE

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Enquanto o Crime Choca, a Genialidade dos Abençoados Ilumina o Continente Enquanto vazam os vídeos dos interrogatórios feitos por agentes do SERNIC no Estabelecimento Penitenciário de Máxima Segurança da Machava, vulgo BO, aos raptores “Small Boy” e “Baclito”, capturados pelo SERNIC. Doutro lado, no país vizinho, lembra-nos que em 2024, um jovem sem muita formação académica resolve problemas seculares da sua comunidade, iluminando tantas casas e uma escola próxima... Esta contraste cruel entre o sensacionalismo da violência e o silêncio sobre o talento criativo africano diz muito sobre as prioridades dos nossos medias e sociedades. Num continente onde a criminalidade urbana domina manchetes, há uma geração de jovens que, com recursos escassos, transforma necessidades em soluções brilhantes. Por que insistimos em destacar o pior quando o melhor está a acontecer bem ao lado? Ernest Andrew: O Jovem do Malawi que Transforma Ar em Electricidade No distrito rural de Dowa, no Malawi , Ernest...

A TUBAGEM DO NEPOTISMO DOS NOSSOS DIAS

A Conexão Certa que Entope o Futuro de África

A imagem que circula nas redes sociais mostra um emaranhado de tubos interligados num buraco subterrâneo. A legenda é curta, mas contundente: “The connection you need to secure a job in Africa.” A metáfora é poderosa. Não se trata apenas de canalização. Trata-se de um sistema.

Em muitos países africanos, a palavra “conexão” deixou de significar competência técnica ou rede profissional legítima. Passou a significar cunha, padrinho, partido, parentesco ou influência política. E é precisamente essa cultura que tem entupido o desenvolvimento do continente, como um sistema de drenagem mal concebido que impede o fluxo natural do talento.

Quando o mérito deixa de ser critério

Num mercado de trabalho saudável, a equação deveria ser simples: formação + competência + experiência = oportunidade. Porém, em diversos contextos africanos, a fórmula real muitas vezes é outra: proximidade ao poder + lealdade política = emprego. O resultado é devastador:

  • Jovens qualificados permanecem desempregados;
  • Instituições públicas tornam-se ineficientes;
  • Empresas estatais acumulam prejuízos;
  • A inovação é sufocada antes mesmo de nascer.

Quando a competência é substituída pela conveniência, a mediocridade institucionaliza-se. E um país que institucionaliza a mediocridade condena-se à estagnação.

O custo invisível das “conexões”

O nepotismo e o clientelismo não são apenas injustos — são economicamente dispendiosos. Cada vaga atribuída por influência em vez de mérito representa:

  • Uma oportunidade perdida de aumentar produtividade;
  • Uma decisão que reduz a qualidade dos serviços públicos;
  • Um sinal negativo enviado à juventude de que estudar não basta.

Essa cultura gera descrença no sistema. E quando os cidadãos deixam de acreditar que o esforço compensa, instala-se um ciclo perigoso de apatia, fuga de cérebros e informalidade.

A fuga silenciosa do talento

Quantos engenheiros, médicos, programadores e investigadores africanos deixaram os seus países porque perceberam que, sem padrinho, o tecto profissional seria sempre baixo?

A chamada “fuga de cérebros” não é apenas uma consequência da busca por melhores salários. É também uma fuga da frustração estrutural. É a rejeição de um sistema onde o mérito não é o principal critério. E cada talento que parte leva consigo inovação, impostos, soluções e esperança.

Desenvolvimento não se constrói com favores

Países que conseguiram transformar-se economicamente fizeram-no fortalecendo instituições, não redes de favores. O desenvolvimento sustentável exige:

Enquanto o emprego depender mais de quem se conhece do que do que se sabe fazer, a competitividade continental continuará comprometida.

A normalização do problema

O aspecto mais preocupante talvez seja a normalização. Muitos já encaram a necessidade de “conexão” como algo inevitável, quase cultural. Mas cultura não é destino. Cultura é construção social — e pode ser reformulada.

A juventude africana é uma das mais dinâmicas do mundo. O continente possui recursos naturais vastos, potencial tecnológico emergente e um mercado interno em expansão. O que falta não é talento. Falta um sistema que permita que o talento floresça.

Como romper o tal ciclo

Romper essa lógica exige coragem política e pressão social. Exige também que cada cidadão recuse participar do ciclo de favorecimentos sempre que possível. A mudança estrutural começa com pequenas rupturas individuais.

A imagem dos tubos interligados é simbólica: um sistema fechado, onde tudo está conectado, mas nada flui para fora. África não precisa de mais conexões subterrâneas. Precisa de pontes abertas, transparentes e baseadas no mérito.

O verdadeiro desenvolvimento não depende de quem indica. Depende de quem é capaz.



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