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DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA

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Quando o Cristianismo Deixou de Ser Fé e Se Tornou Negócio “ Christianity left Israel as family, went to England as a religion and ended up in Africa as a business.” Esta frase curta, desconfortável e profundamente reveladora circula há anos como provocação intelectual. Mas será apenas uma hipérbole amarga ou uma síntese histórica brutalmente honesta? Quando observamos o percurso do Cristianismo ao longo dos séculos, percebemos que esta afirmação não é gratuita — ela é um espelho. Este artigo não é um ataque à fé, nem uma negação da espiritualidade cristã. É, antes, uma reflexão crítica sobre como uma mensagem espiritual simples foi progressivamente capturada por estruturas de poder, interesses económicos e mecanismos de exploração, sobretudo em África. 1. Israel: o Cristianismo como experiência familiar e comunitária O Cristianismo nasce em Israel, não como instituição, mas como vivência íntima. Jesus de Nazaré não fundou igrejas, não criou hierarquias, não cobrou dízimos, nem pr...

DIPLOMAS SEM PROPÓSITO

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A Ganância Académica que Fomeia África A primeira vista da seguinte imagem do perfil desta publicação é  impressionante: um jovem trajado com toga académica , de pé num campus universitário, cercado por dezenas de diplomas espalhados pelo chão como folhas secas. Ele segura mais um certificado nas mãos, observa-o com atenção, enquanto os restantes jazem aos seus pés. Para muitos, trata-se de um retrato de sucesso. Para outros, de inspiração. Mas, para quem olha com honestidade intelectual, esta imagem é sobretudo um espelho cruel de uma falha profunda que atravessa África: a obsessão por diplomas sem impacto real. O comentário que acompanha a fotografia — “Selfish people who gonna make us eat late at their funerals” — não é gratuito nem exagerado. É uma acusação simbólica, dura, mas necessária. Fala de uma elite intelectual que passou a vida a acumular títulos, cargos e certificados, mas que nada construiu de essencial para aliviar a fome, a sede, a ignorância e a vulnerabilidade d...

O POVO MOÇAMBICANO É A ESCRAVIDÃO POLÍTICA

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Colhendo os Resultados das Fraudes, Passividade e o Colapso da Democracia O Povo Moçambicano é Cúmplice da Sua Própria Escravidão Política? Moçambique é um país abençoado por recursos naturais abundantes, mas aprisionado por um sistema político marcado pela corrupção, fraude eleitoral e resignação colectiva. Das autárquicas de 2023 às presidenciais de 2024, o povo assistiu a irregularidades graves, protestou timidamente e acabou por consentir a manutenção do mesmo poder que o oprime. As denúncias de enchimento de urnas, manipulação de resultados e repressão violenta foram amplamente documentadas por observadores independentes. Ainda assim, o sistema prevaleceu. A validação dos resultados pelo Conselho Constitucional e a aceitação passiva dos derrotados consolidaram o statu quo. O custo humano foi elevado: mortos, feridos, detenções arbitrárias e medo instalado como política de Estado. Hoje, o Parlamento falha em responder às necessidades reais da população. A saúde está em colapso, a ...

O PAPEL DO MEDO E DA VERGONHA COMO GUARDIÕES DA ORDEM SOCIAL

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Quando o Sistema Formal Falha, o Medo e a Vergonha são como Guardiões da Ordem Social. Importa primeiro falar do que é Fúria Popular sem muita literacia ou formalidade acadêmica como tal, de cidadão para cidadão. Fúria Popular é a reacção colectiva, intensa e descontrolada de uma comunidade quando sente que foi injustiçada, ameaçada ou repetidamente ignorada pelas autoridades. Por outra, é um estado emocional de revolta que transforma indignação acumulada em acção imediata — muitas vezes violenta — contra quem é percebido como agressor, criminoso ou causa do sofrimento comum. Em termos simples, papo recto : é quando o povo, cansado de ser vítima e de não ver justiça, explode em raiva colectiva e age por conta própria. Como é que a Fúria Popular Funciona como Mecanismo Informal de Controlo do Comportamento na sociedade? Nesta 'nossa terra gloriosa' onde 'pedra a pedra construímos o novo dia', quando o Estado, através do governo vigente, muitas vezes não consegue garan...

A POSSIBILIDADE DE REGENERAÇÃO DENTÁRIA NOS HUMANOS

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A Cura que Existe, Mas que o Mundo Ainda Não Quer Libertar A saúde bocal em Moçambique continua a ser uma das áreas mais negligenciadas do sistema nacional de saúde. Apesar de a boca ser o ponto de entrada para inúmeras doenças, desde infecções silenciosas até complicações cardíacas e renais, o país mantém uma adesão muito baixa às consultas odontológicas , à prevenção e às rotinas de higiene bocal . A cultura da dor como único motivo de ida ao dentista permanece arraigada, e isso reflecte-se directamente em perdas dentárias precoces , desconforto crónico, baixa autoestima e limitações funcionais graves. Para agravar a situação, os serviços de medicina dentária estão concentrados nas capitais provinciais e nas poucas clínicas privadas acessíveis apenas para quem pode pagar. Em muitos distritos, uma simples extracção ainda é feita como último recurso, por falta de recursos, equipamentos, profissionais e políticas públicas consistentes de promoção da saúde bocal. Há famílias inte...

Não Odeiem o Trump: A Nova Realidade da Assistência Internacional

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O Que Moçambique Pode Aprender Com as Mudanças nos EUA Nos últimos dias, o mundo assistiu com apreensão a reestruturação drástica da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), promovida pelo recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk e integrado ao gabinete do presidente Donald Trump. Essa decisão afeta diretamente países que dependiam dessa assistência para programas essenciais de saúde, alimentação e desenvolvimento. Moçambique está entre os mais impactados. A USAID tem sido um pilar fundamental no financiamento de projetos de combate ao HIV/AIDS, malária e tuberculose, além de fornecer suporte a iniciativas de segurança alimentar e educação. O seu desmantelamento, impulsionado pela administração Trump sob o pretexto de cortar gastos e eliminar ineficiências, levanta questões sobre o futuro desses programas e os desafios que Moçambique enfrentará daqui em diante. Nem Tudo Está Perdido: Lições de Resiliência A de...

Literatura: Lamento poético sobre a opressão

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A Vida que eu Escolhi Ah, coisa da vida que eu tenho! Embaraçaram a minha sinfonia para não ver o futuro. Fecharam-me a boca com a cara de Samora. O sofrimento sucumbiu aos arrogantes. Já está se aproximando mais um tempo de sujar, injustamente, o meu dedo mentiroso. Lágrimas ecoaram na minha pele, como aquela mulher que nunca conheceu sua criação. Mas é assim, não é? Como quem diz que vive no quinto andar. Depois daqui, quero esperar os outros tomarem posse, para me alegrar com o que a minha boca não disse. O que seria? Meu dedo falou mais alto que a minha mente. Gritou como a morte sangrenta de madrugada. É assim que eu fico à espera do colono. Há comerciantes, médicos e professores cantando cantos de clamor: "Tenho fome, muita fome". O meu dedo ouviu os gritos como um antepassado, mas com medo de que me cortassem a língua com a cara do meu antepassado. Coisa vergonhosa é a minha postura: vendi a minha liberdade por mais cinco anos. A minha velhice nunca aprenderá a sofrer...

O Ciclo Acelerado de Esperança e Decepção na Política Moçambicana

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Em Moçambique, é só uma questão de um par de meses para que algum dirigentes ou político te decepcione. Lino Isabel TEBULO.  Foi através de uma foto de família exibida nas redes sociais em prol do 2º dia da VI Sessão do Conselho Nacional da RENAMO, que começa se firmar algo que mudaria a narrativa habitual da política moçambicana. Talvez seja pelo advento das redes sociais, que facilmente se toma conhecimento de várias mazelas dos bastidores.  Que o ambiente político em Moçambique parece uma encenação teatral, estava ficando cada vez mais óbvio. Já com o ressurgimento de figuras novas na corrida eleitoral o cenário começa a mudar de forma e dessa vez muitos que preferiam se abster pelo menos tem uma opção nova fora das tradicionais. Se não for mais um motivo para se frustrar.  Foi por esta foto abaixo onde chegamos a lembrar da citação do Lino Isabel Mucuebo TEBULO, colaborador residente da Verbalyzador. Onde foi se notar ausência de algumas figuras o qual não se esperav...

Será Moçambique Uma Nação à Beira do Colapso Institucional?

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Lições Globais e Caminhos para a Recuperação do Actual Cenário de Crise.  Estaríamos celebrando com a titularidade de campeão mundial da seleção de Tang Soo Do se a visão do cenário actual do país não vislumrasse uma crise, que trás incertezas e desespero de como tudo isso terminará. Pois, olhando pelo que a CNE quer intentar, gerir conflitos que podem advir não serão baratos.  Ou melhor, a actual situação de Moçambique apresenta um quadro alarmante de crises sobrepostas que ameaçam a estabilidade e o progresso do país. O cenário descrito revela uma nação à beira de um colapso institucional, com problemas graves afetando praticamente todos os sectores fundamentais do Estado:  Militares sem salários e suprimentos adequados, greves de profissionais essenciais como juízes e médicos, infraestrutura em deterioração, risco de fome para milhões de cidadãos e um clima político tenso às vésperas das eleições de 2024, compõem um quadro de extrema gravidade. Esta conjuntura, embor...

Reflexões Sobre os 49 anos de Independência de Moçambique (25 de Junho de 2024)

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Dia de declaração solene da independência total e completa em Moçambique, 25 de Junho de 1975. Reflexão Crítica: 49 Anos de Independência em Moçambique. Introdução Em 2024, Moçambique completa 49 anos desde sua independência formal do colonialismo português. Este marco histórico nos convida a uma reflexão profunda sobre o significado real da independência e o estado actual da nação. Embora delicado debater sobre, mas há alguns aspectos que merecem ser observados e não meramente ignorados como se fossemos moribundos. O Conceito de Independência A noção de independência, em torno das diversas teorias revistas pelos académicos e autoridades acreditadas por competências científicas, vai além da mera separação política de uma potência colonial. Implica autonomia econômica, soberania sobre recursos naturais, e capacidade de autodeterminação nas esferas política, social e cultural. No caso de Moçambique, é crucial questionar se esses aspectos foram plenamente alcançados ao longo desses 49 ...

Recados aos Viteranos até aos Leigos na Corrida Eleitoral Rumo à Um País Mais Justo, Autónomo e Resiliente

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Novo Rumo para Moçambique? Quais as Propostas que devem ser apresentadas para um país mais justo, autónomo e resiliente Para nós outros, estamos encarando com maior seriedade e preocupação as eufóricas apresentações e apoios incondicionais aos indivíduos dos partidos, organizações e coligações políticas para 9 de Outubro de 2024. É bom que surjam novas forças e dinâmicas políticas que tendam a reforma do que já vimos.  A preocupação recai às motivações que leva ao entusiasmo de se meter nessa aventura. Parece ser sonante que haja duas correntes básicas apenas: uma retirar a Frelimo no poder e a outra mantém-se renovar o mandato para dar continuidade ao vimos e sabemos.  Mas todas essas correntes são gritantes que pretendem desenvolver o país. Mas como farão, nenhum dos grupos ou mais indivíduos apresentam em concreto de modo a permitir uma análise dos seus programas de governação.  Talvez seja cedo ou precipitação demais questiona as intenções dos indivíduos é form...

Impostos sobre Big Techs: Uma solução para Internet acessível em Moçambique.

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Uma proposta viável para aliviar o sofrimento do povo e promover a inclusão digital Algumas Big Techs internacionais Na semana passada, concretamente na quinta-feira, 23 de Maio de 2024, a Europa submeteu seus candidatos num debate com mais de uma hora e meia, frente-a-frente, entre eles e com o público, especialmente aos novos eleitores, os que irão votar pela primeira vez. No qual, cada candidato teve oportunidade igual para apresentar o seu manifesto num determinado tempo, igual aos seus concorrentes e o resto do tempo devia responder algumas questões feitas ao vivo em diferentes cidades. Foi um exercício de demonstração da "democracia", que tanto eles promovem. Ademais, todos candidatos mostraram suas convicções e pontos fortes que levam em conta a sua candidatura à liderança da União Europeia. Foram levantados seis pontos dos quais:     1.Economia e emprego;     2.Defesa e segurança;     3.Clima e Ambiente;     4.Democracia e Liderança...

O Poder Catalisador da Criatividade: Mais valia aos moçambicanos no contexto actual

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Desbloqueando o Potencial Humano em Moçambique.  Antes de mais, feliz ao 49º Aniversário da PRM. Que haja criatividade na gestão de conflitos e outros aspectos de segurança interna aos moçambicanos.  Alguma parte deste país, está encravada a chave da resolução de muitos problemas.  A criatividade é a centelha divina que acende o fogo da inovação, progresso e crescimento em qualquer sociedade. É a capacidade de transcender os limites convencionais, questionar o status quo e conceber soluções audaciosas para os desafios mais complexos.  Infelizmente, quando a criatividade é sufocada ou negligenciada, as consequências podem ser devastadoras, especialmente em sectores cruciais como a academia, a política e outras áreas especializadas. Na educação  Na arena acadêmica, a falta de criatividade pode resultar em uma estagnação intelectual. As universidades e centros de investigação correm o risco de se tornarem meros repositórios de conhecimento e indústria de pr...