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A Imagem Que Revela Uma Ferida Colonial Ainda Aberta Aquela imagem, num primeiro relance, aperta o coração: três crianças africanas, ajoelhadas em terra batida, de olhos fechados, mãozinhas juntas, diante de um crucifixo. Comovente. Parece inocência. Parece fé. Mas quem olha com atenção — e com honestidade — começa a sentir um incómodo profundo. E esse incómodo merece ser dito, sem medo de ferir susceptibilidades.

Reflexões Sobre os 49 anos de Independência de Moçambique (25 de Junho de 2024)

Dia de declaração solene da independência total e completa em Moçambique, 25 de Junho de 1975.

Reflexão Crítica: 49 Anos de Independência em Moçambique.

Introdução

Em 2024, Moçambique completa 49 anos desde sua independência formal do colonialismo português. Este marco histórico nos convida a uma reflexão profunda sobre o significado real da independência e o estado actual da nação. Embora delicado debater sobre, mas há alguns aspectos que merecem ser observados e não meramente ignorados como se fossemos moribundos.

O Conceito de Independência

A noção de independência, em torno das diversas teorias revistas pelos académicos e autoridades acreditadas por competências científicas, vai além da mera separação política de uma potência colonial. Implica autonomia econômica, soberania sobre recursos naturais, e capacidade de autodeterminação nas esferas política, social e cultural.

No caso de Moçambique, é crucial questionar se esses aspectos foram plenamente alcançados ao longo desses 49 anos. É como fazer um exame de consciência antes de embrenhar celebrações pomposas e luxuosas, com risco de se estar a festejar miséria. Razão de observar quais foram os avanços até então e o que, ou, onde falhamos depois da declaração solene de sermos um Estado independente.

Progresso e Desafios

É inegável que Moçambique progrediu em várias áreas desde 1975. Houve avanços na educação, saúde e infraestrutura. Se olhado pelas fotografias, vídeos, relatos, contos e outros recursos de memória, vê-se o quão muita coisa mudou positivamente. No entanto, persistem desafios significativos, que aparentemente inconscientes, porém são fundamentais na vida dos moçambicanos, pois mexem com a dignidade e abalam o orgulho de pertença de certa forma. Assim sendo temos:

Dependência Económica

Mesmo sem envolver alguma ciência ou um olhar cirúrgico, o ambiente que vive actualmente dá conta que a economia moçambicana ainda depende fortemente de investimentos estrangeiros e ajuda internacional. E inegável o funcionamento do governo e desencadeamento de projectos, dos manifestos e realizações comunitárias sem apoio de parceiros e doadores, principalmente estrangeiros.

• Exploração de Recursos

O que dizem que seria bênção, mas virou maldição: o boom da descoberta de recurso, portanto a sua gestão deixa a desejar. A gestão dos recursos naturais, especialmente gás e minerais, levanta questões sérias, porém ignoradas pelas autoridades governamentais, sobre benefícios reais para a população.

Razão de vários alaridos sobre a preocupação, silenciados ao longo da última década, concretamente, que hoje apenas soma motivo de deslocação da população e mortes por terrorismo e preocupação com danos ambientais nas regiões de ocorrências e exploração.

• Dívida Pública

O infame e conturbado aumento da dívida pública, incluindo escândalos como as “dívidas ocultas”, compromete a autonomia financeira do país. Pior que muitos analistas apontam para a situação de insutentabilidade, reside ainda mais o desespero de haver uma solução viável para a sua redução ou milagrosa liquidação total.

Desigualdade e Pobreza

Embora tarde, finalmente o governo admite, concretamente na semana da véspera das celebrações dos 49 anos de independência, que desde a tomada de posse do Presidente Nyusi, em 2014, a percentagem de moçambicanos a viver na pobreza subiu de 46% para 65% em 2022. E, sublinha-se ainda que mais de um terço dos menores de 5 anos são cronicamente subalimentados.

Quer dizer que apesar do crescimento econômico, a pobreza aumentou indicando uma distribuição desigual dos benefícios do desenvolvimento.

Governança e Transparência

No mundo actual, independentemente das inclinações dos blocos a seguir, a qualidade da governança é fundamental para uma verdadeira independência. Nos processos administrativos da gestão do país como Moçambique e tantos outros, alguns cidadãos são atentos ou são até induzidos a ser axigentes na percepção dos níveis de questões como:

• Transparência na gestão pública;

• Participação cidadã nos processos decisórios;

• Liberdade de expressão e crítica construtiva.

Uma vez que, pela abertura do mundo das informações e privilégios de acesso à formação formal e informal sobre aspectos administrativos, eles acreditam que são questões essenciais para o fortalecimento da democracia e do Estado de Direito.

O Papel da Sociedade Civil

Apesar de ainda pouco aprimorada a existência e sua importância em Moçambique, uma Sociedade Civil activa e engajada é crucial para o desenvolvimento sustentável e a consolidação da independência. Nesse contexto, moçambicanos particulares ou em e grupos podem e é necessário envolverem no fomento da:

• Educação cívica;

• Participação política informada e não especulativa;

• Empreendedorismo e inovação local ou comunitário.

Perspectivas Futuras

Não obstante às observações pessimistas que emergem um senso crítico ao analisar os 49 anos de independência de Moçambique, para avançar rumo a uma independência mais plena, as sugestões estão em torno de apontar o que Moçambique precisa para fazer sentir aos moçambicanos a verdadeiro significado da independência. Que quase são sugestões intoadas em coro e em uníssono nas academias e fóruns políticos colegiais tais como, o país precisa:

1. Diversificar sua economia;

2. Investir em educação e capacitação;

3. Fortalecer instituições democráticas;

4. Promover transparência e combater a corrupção;

5. Desenvolver políticas que beneficiem a maioria da população.

Conclusão

Enfim, aos 49 anos de independência, Moçambique encontra-se em um momento crítico. O país tem potencial imenso, mas enfrenta desafios significativos. A verdadeira independência requer um esforço contínuo de toda a sociedade moçambicana, bem como uma liderança comprometida com o bem-estar colectivo e o desenvolvimento sustentável.

Celebrar a independência não significa ignorar os problemas, silenciar vozes e embutir a população de ambientes de festas pomposas e luxuosos com requintes das cores partidárias em comícios onde são comentados e vangloriados heróis e exaltados os dirigentes. Mas sim, celebrar a independência é reconhecer e aceitar os problemas e comprometer-se abtrabalhar activamente, em conjunto para superá-los, construindo um futuro verdadeiramente soberano e próspero para todos os moçambicanos. 

Fora disso, às vezes, dá vontade de afirmar que o papel da Frelimo esgotou em 1975 e 10 anos depois da declaração da conquista da independência. Já, depois da factura paga pelo preço, liquidado pelo exercício de poder entre ou desde 1994 até 2024, seria o fim das cantigas sobre as cobranças dos sacrifícios pela luta e dar-se-ia em diante, uma nova era política com enfoque aos projectos de desenvolvimento sustentáveis e concretos que se fizessem sentir na pele do povo moçambicano. 

Mitande, 25 de Junho de 2024

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