NEM SEMPRE O QUE PAGAS É O QUE RECEBES.

Alguns Homens Trabalham para Pagar por Mulheres que Outros Desfrutaram de Graça

Por: Américo Cadjuine, Marracuene.

Irmão, deixa eu falar contigo de forma directa, como se estivéssemos sentados num banco em Xipamanine ou na Marginal, a beber uma garrafa gelada de um desses venenos, que tóxica e suavemente nos mata, depois de inaptar a nossa glândula peneal, o que nos permitiria reflectir de forma atenta o que nos apoquenta e termos soluções acertadas. 

Alguns homens estão a suar sangue, a trabalhar anos seguidos, a pedir dinheiro emprestado aos bancos, à família, agiotas e até a vender machambas ou a fazer biscatos sem fim, só para conseguirem pagar o lobolo. Sonham com um casamento respeitável, uma mulher “de casa”, uma família bem estruturada. E quando finalmente conseguem casar, descobrem, por vezes tarde demais, que a mesma mulher que agora exige respeito, status e compromisso, já tinha sido desfrutada por outros sem qualquer preço, sem qualquer esforço, sem qualquer responsabilidade.

E o pior? Muitos sabem. A família sabe. A comunidade sussurra. Mas o sistema continua a funcionar como se nada fosse.

Isso não é só sobre sexo. É sobre valor. Sobre o que a sociedade ensina aos homens: que o teu valor como homem se mede pela capacidade de pagar. E ensina às mulheres que o seu passado sexual não tem preço, mas o futuro delas tem.

A lição que nunca te ensinaram é esta:

Não confundas o preço que pagas com o valor real daquilo que estás a comprar.

O lobolo é uma tradição bonita quando feita com consciência e reciprocidade. Mas quando vira um negócio desigual, onde um lado investe tudo e o outro entra com histórico livre, transforma-se numa armadilha emocional e financeira. Sejamos francos, pelo menos nessa reflexão.

Homem, antes de matares-te a trabalhar para “garantir” uma mulher, faz estas perguntas difíceis:

- Ela valoriza-te realmente ou valoriza o que tu consegues proporcionar?

- O respeito que ela exige hoje, ela já praticava ontem com os outros?

- Estás a casar com a mulher que ela é, ou com a versão que estás a idealizar?

Não se trata de julgar o passado de ninguém. Comida do restaurante não se avalia pelas condições da cozinha que confeciona e os clientes não a vê. Trata-se de realismo. Num mundo onde o acesso ao corpo se tornou mais fácil e o compromisso mais caro, o homem que não pensa com frieza vai continuar a ser usado como caixa multibanco Emocional (ATM).

O verdadeiro lobolo que deves pagar primeiro é o da tua própria dignidade. O da tua paz mental. O do teu discernimento. Porque dinheiro volta-se a ganhar. Mas o tempo, a ilusão e o coração partido cobram juros pesados.

Aprende a distinguir. Nem toda mulher que sorri para o teu dinheiro ou seus bens, merece o teu suor. E nem toda tradição deve ser seguida de olhos fechados.

Fica esperto, mano. O mundo mudou. O lobolo continua... mas a honestidade e o bom senso estão cada vez mais caros e sempre postos à prova. Eu fico por aqui e obrigado pela atenção, se isso importa - comente e partilhe...


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