NÃO ASSUSTEM OS VOSSOS MÚSCULOS
“Quando a política nacional não nos presta,
A saúde é a única coisa que nos resta!”
– Lino TEBULO
Os vossos músculos estão a observar-vos.
Sim, enquanto permanecem sentados durante horas, enquanto trocam movimento por conforto e actividade por inércia, eles estão silenciosamente a enviar sinais. Não gritam. Não protestam. Não fazem greve. Apenas começam, lentamente, a desaparecer.
Os músculos foram concebidos para trabalhar.
Durante milhares de anos, o ser humano caminhou, carregou peso, cultivou a terra, caçou, construiu casas e enfrentou os desafios físicos da sobrevivência. O corpo humano evoluiu para o movimento. Cada fibra muscular existe porque a natureza assumiu que a iríamos usar.
Mas algo mudou.
Hoje, muitos de nós acordamos, sentamo-nos para tomar o pequeno-almoço, sentamo-nos no transporte, sentamo-nos no escritório, sentamo-nos para almoçar, sentamo-nos para descansar e, finalmente, deitamo-nos para dormir. Em muitos casos, o corpo passa mais tempo imóvel do que activo.
E os músculos começam a receber uma mensagem preocupante:
"Já não somos necessários."
O organismo é extremamente inteligente. Se uma estrutura não é utilizada, ele reduz os recursos destinados a ela. É por isso que os músculos diminuem quando deixamos de os usar. O corpo não vê sentido em gastar energia a manter algo que parece não ter utilidade.
O problema é que a perda muscular não afecta apenas a aparência física.
Músculos fortes ajudam a proteger as articulações, melhoram o equilíbrio, sustentam a coluna, auxiliam a circulação sanguínea, participam no controlo do açúcar no sangue e contribuem para uma melhor qualidade de vida.
Quando os músculos enfraquecem, tarefas simples começam a tornar-se mais difíceis. Subir escadas, carregar aquela sacola de compras, caminhar longas distâncias ou até levantar-se de uma cadeira passam a exigir mais esforço do que deveriam.
O mais curioso é que os músculos não pedem muito.
Não exigem equipamentos caros nem inscrições luxuosas em ginásios. Eles apenas querem ser usados.
Uma caminhada diária.
Alguns alongamentos.
Subir escadas em vez de usar sempre o elevador.
Carregar as próprias compras.
Dançar.
Jogar bola com os filhos.
E actividade sexual regular? Essa é outra história que se não te exercitas, para melhorar ela, também a sua performance fica comprometida. Movimentar o corpo de forma regular é do que recomendamos, encarecidamente.
São pequenos gestos que dizem aos músculos: "Ainda precisamos de vocês."
E eles respondem.
Adaptam-se.
Fortalecem-se.
Tornam-se mais resistentes.
O corpo humano possui uma capacidade extraordinária de recuperação quando recebe os estímulos adequados. Mesmo pessoas que passaram anos sedentárias podem beneficiar significativamente da actividade física regular.
Por isso, não assustem os vossos músculos.
Não os convençam de que já não têm função.
Não os abandonem à inutilidade.
Eles são uma das maiores riquezas silenciosas do vosso corpo. Trabalham todos os dias para vos manter de pé, em movimento e independentes.
Movam-se.
Caminhem.
Aprendam e nadem - nadar quase mexe com 90% dos músculos e é superado pelo riso, apenas. Então riam e sorriam bastante - que os músculos das cabeça e do corpo todo agradecem.
Alonguem-se.
Vivam.
Porque os músculos que hoje ignoramos são os mesmos de que precisaremos amanhã para continuar a desfrutar da liberdade de fazer aquilo que amamos.
E quando cuidamos dos nossos músculos, não estamos apenas a fortalecer o corpo.
Estamos a investir na nossa autonomia, na nossa saúde e na nossa dignidade futura.
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