QUANDO A COMUNIDADE VIRA JUIZ
O Rosto Ferido da Justiça Quando a Polícia Não Chega a Tempo Há um momento em que a paciência colectiva se esgota e instala-se a raiva, que se pode confundir com a fúria. Não é um grito teórico nem um debate académico como tantos outros assuntos por nós cá anteriormente abordados. É o som de um carro arrombado às três da manhã, o silêncio cortado por passos furtivos, o telemóvel desaparecido e, minutos depois, o corpo de dois homens a ser entregue à fúria de quem já não acredita que o sistema vai resolver alguma coisa. Em Kimberley, na África do Sul, dois suspeitos de terem invadido um veículo e roubado telemóveis foram apanhados. A polícia recuperou os objectos. Mas antes disso – ou paralelamente a isso – a comunidade, o umphakathi, já tinha falado com golpes duros sobre os Suspeitos. E falou com os punhos, com os pés, com a raiva acumulada de noites sem sono e de uma rotina de medo. As imagens que circularam mostram rostos inchados, lábios partidos, marcas que não se escondem. ...