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O PREÇO DA DIGNIDADE ALHEIA

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Porque Regateamos com a Zinha e não com o Supermercado? Há um paradoxo silencioso que ensombra o nosso quotidiano, uma equação moral desequilibrada que raramente nos detemos a resolver. Ela manifesta-se no brilho frio dos corredores de um shopping e na poeira quente de uma avenida de Maputo. É a síndrome do "Balcão de Verniz" versus a "Banca de Lona". Quando entramos num estabelecimento comercial formal - um café com ar condicionado, uma boutique de vidros fumados ou um supermercado de prateleiras infinitas - assumimos, quase instintivamente, uma postura de submissão litúrgica ao preço. Ali, o valor impresso na etiqueta ou no menu é dogma. Não o questionamos. Se o sumo custa 150 meticais, pagamos 150 meticais. Se o troco são 2 meticais, muitas vezes deixamo-lo cair no frasco da gorjeta com um gesto de aparente magnanimidade, como quem concede uma esmola a uma entidade abstrata. Nesses templos do consumo, a negociação seria vista como heresia, uma quebra do protocol...