É UMA QUESTÃO DE RESPEITO ÀS NORMAS OU UM CASO DE SEXISMO NO JORNALISMO DESPORTIVO?
Quando a Roupa de uma Fotógrafa se Torna Mais Importante que o Futebol
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| A fotógrafa desportiva uruguaia Adriana Caballero numa das fotos que pode ter sido a imagem que catapultou a polémica. |
No Paraguai, o Sportivo Ameliano tentou impor um código de vestimenta à fotógrafa desportiva Adriana Caballero. A medida proibia shorts, blusas decotadas e qualquer peça que deixasse o abdómen à vista. A direcção do clube apresentou queixa formal ao meio de comunicação onde ela trabalha, exigindo que a profissional se vestisse de forma “desportiva elegante”. Depois da forte reacção pública, a instituição retractou-se e afirmou que a restrição não tinha autorização da comissão directiva. Adriana respondeu com clareza:
“Sempre vou de acordo com a minha comodidade. Quando li o comunicado, choquei-me, mas disse: já está, cedo ou tarde ia acontecer. Isto pode prejudicar as minhas colegas.”
O episódio aconteceu em Outubro de 2026 e rapidamente se espalhou pelas redes. A fotógrafa, conhecida por trabalhar ao nível do relvado com a câmara na mão, tornou-se o centro de um debate que ultrapassa o futebol paraguaio.
Há algo profundamente revelador neste caso. Não se trata apenas de uma peça de roupa. Trata-se do que a sociedade ainda espera controlar no corpo de uma mulher que ousa ocupar um espaço tradicionalmente masculino. O relvado, a linha de fundo, a zona técnica — lugares onde o suor, o grito e a adrenalina mandam — parecem continuar a exigir um certo “decoro” feminino. Como se a competência de uma profissional pudesse ser medida pela quantidade de pele que mostra ou esconde.
Adriana não estava a desfilar. Estava a trabalhar. Carregava objectivas pesadas, corria para captar o momento exacto do golo, do drible ou da falha. A comodidade, neste contexto, não é vaidade. É ferramenta de trabalho. Quem já esteve horas debaixo de sol ou de chuva a fotografar um jogo sabe que o corpo precisa de liberdade de movimento. Exigir que uma mulher se vista de forma diferente dos colegas homens, sob o pretexto de “imagem institucional”, é abrir a porta a um controlo selectivo. Se o problema fosse realmente o profissionalismo, o código valeria para todos. Mas raramente se ouve falar de proibições semelhantes aplicadas a fotógrafos do sexo masculino.
O clube tentou, depois, distanciar-se. Disse que a medida não tinha autorização. Essa retractação é sintomática. Mostra que a instituição percebeu o custo de aparência, mas não necessariamente o problema de fundo. A queixa inicial existiu. A pressão sobre o meio de comunicação existiu. A mensagem chegou: o corpo de Adriana era uma distração, um risco, uma ameaça à “seriedade” do ambiente. Como se a concentração dos jogadores dependesse mais da blusa de uma fotógrafa do que da estratégia do treinador ou da qualidade do adversário.
Este tipo de episódio não é isolado. Em muitos campos de África, da América Latina e até da Europa, as mulheres que trabalham no jornalismo desportivo ainda enfrentam o olhar que avalia antes de ouvir, que julga antes de respeitar. A questão não é se a roupa é “apropriada”. A questão é quem define o que é apropriado e com que autoridade. Quando o critério passa a ser o grau de exposição do abdómen de uma profissional, o desporto deixa de ser apenas competição e passa a ser também um exercício de poder sobre corpos.
Há quem defenda que existem normas de vestuário em qualquer ambiente profissional. É verdade. Mas essas normas devem ser claras, universais e baseadas em critérios objectivos de segurança e funcionalidade, não em juízos estéticos ou morais dirigidos a um género. O futebol, que se gaba de ser a paixão do povo, tem a responsabilidade de não reproduzir os mesmos preconceitos que diz combater fora do campo.
Adriana Caballero, ao defender a sua comodidade e ao alertar para o risco que a medida representava para as colegas, fez mais do que responder a uma queixa. Deu voz a uma tensão antiga: a dificuldade de aceitar que uma mulher possa estar no meio da acção sem se tornar, ela própria, o espectáculo. O verdadeiro escândalo não está na blusa curta. Está na incapacidade de olhar para o trabalho e ver apenas o trabalho.
Enquanto o futebol continuar a gastar energia a regular o que as mulheres vestem em vez de garantir condições iguais de exercício profissional, continuará a revelar mais sobre as suas próprias limitações do que sobre o desporto que pretende representar. O jogo, no fundo, nunca foi só sobre a bola. Prontos.
Por outro lado, talvez seja para evitar casos como este:⤵️
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| A entrevista pós-jogo entre o treinador tcheco David Oulehla e a repórter e modelo Sabina Jákšová. |
Onde, o técnico David Oulehla, do clube tcheco FK Viagem Ústí nad Labem, viralizou após evitar contacto visual com a repórter Sabina Jákšová durante uma entrevista à beira do gramado. Pois, para a maioria dos homens a carne é fraca.
E aí caro leitor, qual é a sua opinião? Deixe nos comentários.


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