ENIOLA SHOKUNBI: A JOVEM GÉNIO NIGERIANA
Em quando a Primeira-Dana faz o esforço de limpar a imagem do partido e do marido, escalando entre acampamentos dos centros de acolhimentos das vítimas das cheias, com sacrifício e riscos a volta, de outro lado está um "Evaristo" atrás dos teclados manchando o governo todo, com acções que promovem divisionismo e reacende o ódio entre os moçambicanos. Quer dizer, mesma Frelimo funcionando em dois sentidos: uma abraço e beijo de frente e uma facada a seguir nas contas para a mesma vítima - O POVO MOÇAMBICANO.
Pois, há detalhes administrativos que parecem inocentes, mas que revelam estruturas profundas de poder. Um simples campo num processo escolar — “Membro da O.J.M., Data de Admissão, Função” — não é apenas uma linha num formulário. É um espelho de como o sistema ainda confunde educação com enquadramento político.
Estamos a falar de um documento oficial de uma escola pública, tutelada pelo Ministério da Educação. Não é uma ficha de um movimento juvenil, não é um cadastro partidário, não é um formulário voluntário de associação cívica. É o processo do aluno. O espaço onde deveriam constar dados pedagógicos, percurso académico, informações essenciais para apoio escolar. No entanto, ali, no meio de dados familiares e escolares, surge a pergunta que não é pedagógica, não é neutra e não é inocente: a pertença à OJM.
A Organização da Juventude Moçambicana não é um grupo cultural, recreativo ou académico. É historicamente associada ao partido no poder. Logo, ao incluir esse campo num documento escolar, o Estado introduz uma referência político-organizacional dentro da estrutura formal da educação pública. Isso altera o significado da escola. A escola deixa de ser apenas um espaço de ensino e passa a carregar sinais de alinhamento ideológico normalizado.
O problema não está apenas no que é feito com essa informação, mas no que ela representa. A simples existência do campo comunica uma mensagem silenciosa: pertencer a essa estrutura é algo relevante no percurso do aluno. E quando algo é tratado como relevante por uma instituição pública, isso cria um padrão social implícito. O aluno que é membro encaixa. O que não é, foge do molde. Mesmo que ninguém diga nada, o peso simbólico está lá.
Isto é grave num país que, constitucionalmente, não pertence a um partido. Moçambique não é propriedade da FRELIMO, nem de qualquer outra força política. A escola pública é financiada por todos: membros de vários partidos, simpatizantes de outros, cidadãos sem filiação nenhuma. Quando um documento escolar insinua a normalidade de uma ligação orgânica a uma estrutura associada ao partido dominante, a neutralidade institucional fica comprometida — não por discurso, mas por prática administrativa.
Não se trata de demonizar a OJM nem de proibir jovens de se associarem. O associativismo juvenil é legítimo. O que é questionável é a sua institucionalização simbólica dentro de um processo escolar obrigatório. A pertença política deve ser uma escolha pessoal, não um dado incorporado na rotina burocrática do ensino público. Educação deve formar cidadãos livres, não moldar pertencimentos como parte do percurso normal.
Este tipo de detalhe mostra que a fusão histórica entre partido, Estado e instituições ainda respira nos papéis, nas fichas, nos hábitos administrativos herdados. Não é preciso propaganda aberta. Basta normalizar a presença. E o que é normalizado deixa de ser questionado. Assim se constroem mentalidades: não pela força, mas pela rotina.
Se queremos uma escola verdadeiramente republicana, plural e moderna, ela precisa ser um território neutro. Um espaço onde o aluno é visto como estudante, não como potencial quadro, membro ou extensão de estruturas políticas. Porque quando a ficha do aluno começa a perguntar sobre organizações partidárias, já não estamos apenas a educar. Estamos a enquadrar. E enquadramento não é o mesmo que educação.
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