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A COLONIZAÇÃO NÃO DESCOBRIU NADA

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Colonização tentou apagar civilizações africanas antigas A ideia de que a colonização “descobriu” ou “civilizou” a África é uma das maiores mentiras da história moderna. Na verdade, quando os europeus chegaram, o continente já albergava sociedades altamente organizadas, com impérios ricos, centros de conhecimento avançado, redes comerciais extensas e arquitecturas impressionantes. Em vez de reconhecer e aprender com essas civilizações, a colonização europeia dedicou-se sistematicamente a apagá-las — fisicamente, culturalmente e na memória colectiva. No nosso sul de África, o Grande Zimbabwe e o Império do Mutapa  (ou Monomotapa ) são exemplos claros. Estas sociedades shona construíram cidades de pedra imponentes, geriram um comércio de ouro que ligava o interior ao Oceano Índico, e desenvolveram sistemas políticos sofisticados séculos antes da chegada dos portugueses. As ruínas do Grande Zimbabwe , com as suas muralhas ciclópicas sem argamassa, ainda hoje impressionam e comprova...

NÃO É SÓ SOBRE AMOR, MAS SOBRE VALORES, FÉ E HUMANIDADE.

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"Quando o amor vira abrigo, até paredes rachadas sustentam um reino"  Também concordo que ser pobre, nem sempre significa ser humilde. Pois mesmo os ricos, há dentre eles os humildes. Então: humildade - sempre, pobreza - se eu falhar a batalha. ~ Paulino Intepo . Há imagens que gritam sem abrir a boca. Esta é uma delas. Numa casa de paredes de terra maticada , onde o reboco é luxo e o chão ainda guarda a poeira do quintal, uma fotografia simples conseguiu fazer o que muitos discursos, sermões e conferências não conseguem: lembrar-nos do que realmente sustenta a vida humana quando tudo o resto é escasso . No centro da cena, um casal jovem ocupa um quarto modesto que, aos olhos apressados, poderia ser visto como sinónimo de carência. Mas a lente captou outra coisa. A mulher, envolta num pano verde-amarelo e calçando chinelos coloridos, está sentada com uma serenidade que não se compra. Ao lado, uma televisão antiga serve mais como símbolo de presença do que de consumo. Sobre ...

QUANDO A TECNOLOGIA SUBSTITUI O CUIDADO HUMANO

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O risco emocional dos jovens que criam laços afectivos com chatbots de IA. A discussão sobre inteligência artificial já não é apenas tecnológica. Tornou-se humana, psicológica e familiar. O que está a emergir não é medo de máquinas, mas o choque de uma sociedade que começa a perceber que adolescentes emocionalmente frágeis estão a criar laços afectivos profundos com sistemas que simulam empatia, mas não compreendem sofrimento. O debate recente nas redes sociais apenas trouxe visibilidade a algo maior e mais estrutural: os riscos da relação emocional entre jovens e chatbots de IA . O ponto central não é culpar uma plataforma específica, nem alimentar pânico digital. O verdadeiro problema é o surgimento de uma nova realidade psicológica. Estamos a assistir a um fenómeno silencioso em que jovens se isolam do convívio real, encontram acolhimento em personagens virtuais e passam horas em diálogo contínuo com entidades artificiais que validam quase tudo o que dizem. O problema não é a con...

A REALIDADE SUAVIZADA DE ALGUNS RELACIONAMENTOS AMOROSOS

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Namorado na África é Mais Provedor do Que um Pai de Três Filhos nos Estados Unidos? Há frases que nascem como piada, circulam como meme e acabam por se tornar quase um diagnóstico social. Uma delas anda a ecoar forte nas conversas de rua, nos grupos de WhatsApp e nas mesas de bar: “ Um namorado em África tem mais responsabilidades do que um pai de três filhos nos Estados Unidos .” À primeira vista, arranca gargalhadas. Mas, se olharmos com atenção, a frase carrega uma verdade desconfortável — e profundamente reveladora da forma como o amor, o dinheiro e o género se cruzam na nossa sociedade. Se quisermos afinar melhor a ideia, talvez ficasse assim: um namorado em Moçambique carrega um peso financeiro maior do que muitos pais de família no Ocidente. E não é exagero. Porque aqui o namoro, sobretudo quando assume um tom sério, não é apenas afecto, companhia ou química emocional. É, acima de tudo, um teste silencioso de capacidade económica. Na prática, o roteiro é conhecido: começa com...

A HIPOCRISIA DAS EXIGÊNCIAS FEMININAS

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Quando o Discurso Não Combina com a Realidade Num tempo em que o debate sobre igualdade de género ganha cada vez mais espaço, surgem também contradições que merecem reflexão séria. Entre elas, destaca-se a postura de certas mulheres que assumem discursos extremamente exigentes em relação aos homens, mas que não demonstram coerência entre aquilo que cobram e a realidade que vivem. Trata-se de um fenómeno cada vez mais visível, amplificado pelas redes sociais e por discursos públicos que confundem empoderamento com superioridade moral ou material. O caso recente de uma apresentadora africana, que ganhou notoriedade após declarar publicamente que apenas se relaciona com homens financeiramente bem-sucedidos — citando marcas de carros de luxo como critério mínimo — expôs de forma clara essa contradição. A situação tornou-se ainda mais simbólica quando, logo após o discurso, a mesma foi vista a regressar para casa numa mototáxi , meio de transporte comum e acessível. O contraste entre ...

COMUNICAÇÃO ENTRE SONHADORES : A Neurotecnologia Que Está a Invadir o Mundo dos Sonhos

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Cientistas testam comunicação em sonhos lúcidos e levantam questões sobre a mente humana. Se durante séculos os sonhos foram território da poesia, da espiritualidade e do mistério, hoje começam a entrar, passo a passo, no laboratório da ciência dura. A alegada comunicação entre duas pessoas durante um sonho lúcido , anunciada pela startup REMspace , não é apenas uma curiosidade tecnológica — é um abalo silencioso na forma como entendemos a mente humana, a consciência e os limites da experiência individual. O que antes era visto como ficção científica aproxima-se agora do debate académico, clínico e até ético, colocando a neurotecnologia no centro de uma das últimas fronteiras da humanidade: o mundo interior. Segundo os relatos, o experimento utilizou monitores de EEG , sensores de rastreio ocular e uma linguagem de sonho codificada chamada “Remmyo” para permitir que um sonhador lúcido transmitisse uma palavra a outro, enquanto ambos permaneciam a dormir. Ainda que tenha sido uma comu...

“TENTARAM, MAS NÃO FOI DESTA.”

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👶🏽📸 Nasce bebé “já com troféu na mão” e internet declara: “lenda viva desde o parto” Uma sala de parto transformou-se num misto de espanto, gargalhadas e incredulidade depois do nascimento de Matheus, um recém-nascido que, segundo o post viral, chegou ao mundo segurando um DIU de cobre — o mesmo dispositivo que, teoricamente, devia ter evitado a sua própria concepção. O pequeno não só nasceu saudável, como aparentemente decidiu fazer uma entrada triunfal, exibindo o dispositivo contraceptivo como quem diz: “Tentaram, mas não foi desta.” De acordo com a publicação que circula nas redes, o DIU — conhecido por ter uma taxa de falha muito baixa — teria saído da posição durante a gravidez e acabou por estar ali, no momento do parto, protagonizando aquela que a internet já baptizou de “a maior reviravolta reprodutiva do ano”. Os médicos, diz o relato, entraram no espírito da coisa e brincaram que o bebé já nasceu “argumentando contra as estatísticas”. Já os pais, entre o susto e o alív...

QUANDO AS CHAVES DO CARRO ABREM A PORTA DA TRAIÇÃO

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Mobilidade , poder e o medo silencioso que corrói casamentos em Moçambique Por: Paulino INTEPO intepo1607@outlook.com  Há objectos ou melhor, bens que, em certas sociedades, deixam de ser coisas ou patrimónios e passam a ser sinais. Em Moçambique, em muitos lares, a viatura tornou-se um desses sinais carregados de significados invisíveis. O que deveria representar progresso familiar, estabilidade e conforto transforma-se, não raras vezes, num símbolo de ruptura emocional. E é aqui que a questão deixa de ser mecânica e passa a ser humana. A compra de uma viatura, que noutras realidades simboliza progresso, conforto e conquista familiar, em muitas comunidades moçambicanas transforma-se num gatilho emocional dentro do lar. O carro deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a representar liberdade unilateral, desequilíbrio de poder e ameaça à estabilidade conjugal. Não é o metal, o modelo ou o brilho da pintura que geram o conflito — é o significado social que se cola às qua...