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DA FAMÍLIA EM ISRAEL AO IMPÉRIO RELIGIOSO EM ÁFRICA

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Quando o Cristianismo Deixou de Ser Fé e Se Tornou Negócio “ Christianity left Israel as family, went to England as a religion and ended up in Africa as a business.” Esta frase curta, desconfortável e profundamente reveladora circula há anos como provocação intelectual. Mas será apenas uma hipérbole amarga ou uma síntese histórica brutalmente honesta? Quando observamos o percurso do Cristianismo ao longo dos séculos, percebemos que esta afirmação não é gratuita — ela é um espelho. Este artigo não é um ataque à fé, nem uma negação da espiritualidade cristã. É, antes, uma reflexão crítica sobre como uma mensagem espiritual simples foi progressivamente capturada por estruturas de poder, interesses económicos e mecanismos de exploração, sobretudo em África. 1. Israel: o Cristianismo como experiência familiar e comunitária O Cristianismo nasce em Israel, não como instituição, mas como vivência íntima. Jesus de Nazaré não fundou igrejas, não criou hierarquias, não cobrou dízimos, nem pr...

QUANDO ATÉ O OURO CRESCE EM CASA

A ciência mal contada e o sonho fácil do enriquecimento

Num país onde o metical está mais leve que papel de embrulho e a inflação teima em comer o que resta da paciência do povo, não admira que manchetes como “Planta que produz ouro pode ser cultivada em casa”, publicada num desses sites por aí, façam brilhar os olhos de muita gente. Afinal, quem não gostaria de um canteiro mágico no quintal a render mais que um salário do INSS, só através de uma rega? Até que agricultura é uma opção melhor que muitas, mas não na vertente do mito sobre Fusarium Oxysporum.



A dita notícia, publicada também no Green Vibe - Lifestyle, num site conhecido por gerar polémica, intitulada "Cientistas descobrem uma planta que produz ouro puro: é muito comum e pode ser cultivada em casa", ressuscita um daqueles mitos modernos travestidos de ciência: plantas e fungos que “produzem” ouro. Só que, como quase tudo que reluz nas redes, trata-se de uma meia-verdade com embalagem de milagre.

O que a ciência de facto mostrou — em estudos realizados em solos australianos ricos em minerais — é que certas plantas e fungos conseguem absorver partículas microscópicas de ouro presentes no solo, e acumulá-las nos seus tecidos. Um fenómeno curioso? Sem dúvida. Mas isso está muito longe de significar que qualquer um pode pôr um vaso na varanda e começar a colher pingentes.

Aliás, num país como Moçambique, onde há ouro verdadeiro a ser extraído nas barbas do povo e exportado com mais sigilo do que transparência, esta fantasia da “horta milionária” serve apenas como escape para a frustração colectiva com a realidade económica. É uma metáfora perfeita do que nos vendem diariamente: a ilusão de que o problema está na falta de iniciativa individual, quando na verdade o buraco é mais profundo — e muitas vezes, protegido por fardas, licenças e interesses transnacionais.

Portanto, antes de começares a cultivar "ouro caseiro", vale mais plantar consciência crítica e regar a informação verdadeira. Pode demorar mais a dar frutos, mas ao menos não te deixarás enganar com facilidade — nem pelos sites milagreiros, nem pelos gestores do país que fazem parecer que a crise é sempre culpa do cidadão comum.

Enquanto isso… força aí meus compatriotas moçambicanos celebrando os 50 anos da independência e com o metical renhido. Porque se depender do mercado, o que mais se valoriza é a mentira bem embrulhada.

Planta afectada pelo fungo abaixo. E acima Colónia de Fusarium em placa petri (esquerda) e microconídios à direita.



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