A HIPOCRISIA DAS EXIGÊNCIAS FEMININAS
Num país abençoado por recursos naturais abundantes – gás, minerais, terras férteis e um povo resiliente –, Moçambique continua preso num ciclo vicioso de corrupção, fraude eleitoral e apatia colectiva. Só um idiota aceita que um corrupto se apresente como patriota, ostentando discursos inflamados de amor à pátria enquanto esvazia os cofres do Estado e reprime quem ousa questionar. Esta reflexão surge da observação crua da realidade política recente: das eleições autárquicas de 2023 às presidenciais de 2024, o povo moçambicano testemunhou, consentiu e, pior ainda, aplaudiu a perpetuação de um sistema que o esmaga.
Em Outubro de 2023, as sextas eleições autárquicas foram marcadas por denúncias generalizadas de fraude. Observadores independentes, como o consórcio Mais Integridade, documentaram irregularidades graves: enchimento de urnas, manipulação de editais e impedimento de fiscalização pela oposição. A Frelimo, partido no poder desde a independência, saiu vitoriosa em quase todas as 65 autarquias, apesar de protestos e recursos judiciais. O Conselho Constitucional, último recurso, validou os resultados com ajustes mínimos, reduzindo ligeiramente as vitórias da Frelimo, mas mantendo o statu quo. Os derrotados, incluindo candidatos da Renamo e outros partidos, acabaram por aceitar a derrota, assinando protocolos de entrega de poder. O povo viu, protestou timidamente em algumas cidades, mas consentiu. A polícia reprimiu manifestações com gás lacrimogéneo, e a vida seguiu como se nada tivesse acontecido.
O padrão repetiu-se, de forma ainda mais grave, nas eleições gerais de 9 de Outubro de 2024. Alegações de fraude em larga escala – urnas recheadas, votação múltipla, exclusão de observadores da oposição – dominaram o processo. Venâncio Mondlane, candidato apoiado pelo Podemos, emergiu como uma força disruptiva, mobilizando jovens desiludidos com o sistema. A Comissão Nacional de Eleições anunciou vitória esmagadora para Daniel Chapo (Frelimo), com mais de 70% dos votos. Mondlane contestou, apresentando contagens paralelas que o davam como vencedor. Seguiram-se meses de protestos violentos: ruas bloqueadas, greves gerais e confrontos com a polícia. A repressão foi brutal – centenas de mortos (estimativas variam de 130 a mais de 400, incluindo crianças), milhares de feridos e detidos arbitrariamente, desaparecimentos e assassinatos selectivos, como o de apoiantes de Mondlane.
Em Dezembro de 2024, o Conselho Constitucional validou os resultados, ajustando ligeiramente as percentagens (Chapo com 65%, Mondlane com 24%), mas confirmando a vitória da Frelimo. Os deputados da oposição, apesar das denúncias, tomaram posse na Assembleia da República em Janeiro de 2025. Daniel Chapo foi empossado Presidente, num contexto de pacificação forçada após encontros com Mondlane. Hoje, em Dezembro de 2025, o país vive uma calmaria aparente: protestos cessaram, Mondlane integrou o Conselho de Estado e fundou um novo partido, mas processos judiciais pendem sobre ele. A Frelimo mantém o controlo absoluto, com bancadas parlamentares desequilibradas, onde debates se resumem a discursos vazios, ignorando prioridades nacionais.
E é aqui que reside a tragédia: o Parlamento, suposto representante do povo, falha redondamente em resolver problemas estruturais. O sistema de saúde permanece caótico, com hospitais sem equipamentos, medicamentos ou recursos humanos qualificados. A mobilidade nacional é um pesadelo – estradas esburacadas, pontes inexistentes em regiões isoladas, combustíveis caros que pesam no bolso de quem aufere o salário mínimo. A educação continua presa a modelos obsoletos, sem promover autonomia ou competências para o desenvolvimento. Recursos naturais abundantes beneficiam principalmente investidores estrangeiros – europeus, asiáticos e americanos –, enquanto o povo moçambicano permanece na pobreza, explorado por uma elite que se perpetua no poder através de fraudes eleitorais.
A polícia, que deveria proteger o cidadão, defende o regime com violência desproporcional contra quem reclama justiça. As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), juradas à bandeira e à defesa da pátria, acovardam-se perante ordens que legitimam a repressão interna, em vez de focarem na soberania real. Enquanto isso, o povo aplaude impostores que floreiam discursos de ódio contra os que protestam, normalizando a corrupção, a má gestão e a conduta duvidosa. Oh! Múltiplos acidentes de viação até advém da qualidade das vias por onde as viaturas percorrem. Só que como estamos habituados a apontar o problema do lado oposto de onde ele vem e resolvemos o que nada tem haver com o que nos aflige, o ciclo perpetua-se tapando o sol com a peneira...
Porquê esta passividade colectiva? O povo moçambicano parece acorrentado a um deus falso – não o Deus da justiça e da dignidade, mas o da resignação e do medo. Exigir honestidade, dignidade, ética e moral dos dirigentes não é utopia; é o mínimo para transformar Moçambique num Estado normal, onde eleições sejam transparentes, justas e reflectam a vontade popular. Povos europeus, asiáticos e americanos exigem tratamento humano dos seus governantes porque reconhecem o seu valor intrínseco. Nós, moçambicanos, merecemos o mesmo.
Este não é um texto para ler comodamente em casa. É um grito para reflectir antes de sair à rua num dia laboral, onde a injustiça impera e o imbecil reina. Se o povo continua a consentir, não merece bênçãos – merece despertar. A mudança começa quando deixamos de ser idiotas e exigimos o que é nosso por direito: um Moçambique próspero, justo e verdadeiramente patriótico.
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