FORMAÇÃO EM SEGURANÇA INTELECTUAL NA ARÁBIA SAUDITA
Por Paulino Intepo
Vivemos num tempo em que a corrida à energia renovável está dominada por grandes painéis solares, turbinas eólicas e barragens monumentais. Mas há uma revolução silenciosa a germinar nos limites da costa japonesa: uma central capaz de gerar electricidade a partir do simples encontro entre a água doce e a água salgada. Nenhum painel, nenhuma turbina visível, nenhum combustível — apenas química e fluxo natural. A ainda queremos sufocar o Zambeze para baixar ainda mais a quantidade de nutrientes que multiplicava a produção de mariscos...
O princípio é antigo, mas a aplicação é nova. Quando a água doce encontra a salgada, cria-se uma diferença natural de concentração que pode ser transformada em energia. Por meio de membranas especiais, a água move-se de um lado para o outro, gerando pressão e, com ela, electricidade. É o que os cientistas chamam de “energia azul” — a energia nascida da fronteira líquida entre dois mundos.
O Japão, conhecido pela sua disciplina tecnológica e pelo aproveitamento do mínimo detalhe da natureza, está entre os pioneiros nesta abordagem. As suas instalações costeiras funcionam 24 horas por dia, explorando o que outrora se considerava apenas uma curiosidade científica. É a transformação de um fenómeno natural em força motriz — uma homenagem à inteligência humana e à paciência oriental.
Para Moçambique, país de rios extensos e costa generosa, esta descoberta lança um convite à imaginação. A energia que brota do encontro das águas poderia, um dia, acender luzes nas comunidades costeiras, alimentar pequenas indústrias e reforçar a autonomia energética das ilhas.
Mas há também o alerta: nenhuma inovação floresce sem vontade política, investimento e ética ambiental. A mesma costa onde o rio beija o mar continua, em muitos pontos, sem água potável, sem saneamento e sem gestão responsável. Não basta copiar a tecnologia — é preciso criar condições para que ela sirva o povo e não apenas as estatísticas.
Talvez o futuro da energia não esteja nas alturas, onde o vento sopra, nem nas profundezas, onde o petróleo dorme, mas na simplicidade da margem onde o rio encontra o oceano.
A lição é profunda: a natureza já nos oferece tudo — falta-nos apenas aprender a escutá-la.
Falta apenas intercâmbios de jornadas científicas para indução em tecnologias sustentáveis.
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