O 7 DE ABRIL QUE QUEREMOS: DATA OU DESTINO?
A Mulher que Ninguém Quer Ver Há uma imagem que Moçambique insiste em produzir todos os anos com a pontualidade de um decreto governamental: a mulher de capulana nova, sorridente, aplaudida no palanque, homenageada com discursos que duram mais do que as soluções que prometem. O 7 de Abril chega, e com ele, uma liturgia conhecida de todos — flores, vivas, promessas e, logo a seguir, o silêncio de sempre. Há que ser honesto: existe uma distância assustadora entre a mulher que celebramos e a mulher que existe. Este artigo não é uma homenagem convencional. Não há aqui espaço para o elogio fácil nem para o discurso protocolar que esvazia de sentido uma data que deveria incomodar, provocar, obrigar à reflexão. Escrevo sobre a mulher moçambicana com o respeito que se tem por alguém cuja história é demasiado complexa para caber num slogan de cartaz. "Celebrar a mulher um dia por ano é o mesmo que regar uma planta uma vez e esperar que ela sobreviva os outros trezentos e sessenta e quatro...