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CASAMENTO COM VERDADEIRA BÊNÇÃO EXISTE SIM

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Pare de Imitar Luxo e Faça Como Este Casal que Escolheu Órfãos em Vez de Presentes Só podia ser na Turquia... Pois, nós moçambicanos e africanos em geral vivemos um tempo em que os casamentos se transformaram, muitas vezes, num espectáculo de opulência. Vemos casais a gastar fortunas em vestidos importados, decorações que parecem saídas de revistas de elite, carros de luxo e até chegadas de helicóptero à igreja, só para impressionar convidados importantes. É como se a felicidade e o sucesso do matrimónio se medissem pelo dinheiro que se gasta ou pela imagem de riqueza que se projeta. Mas será que isso traz mesmo bênção verdadeira? Eu duvido. Pus-me a pensar e reflecti muito sobre um casal que decidiu celebrar o amor de forma completamente diferente. Em vez de pedir presentes caros, jóias ou envelopes com dinheiro, eles pediram aos convidados que trouxessem crianças órfãs para partilharem o dia especial. Mais de cem crianças que vivem sem o calor de uma família completa apareceram no c...

O QUE HÁ DE ERRADO NESTA IMAGEM?

A Imagem Que Revela Uma Ferida Colonial Ainda Aberta

Aquela imagem, num primeiro relance, aperta o coração: três crianças africanas, ajoelhadas em terra batida, de olhos fechados, mãozinhas juntas, diante de um crucifixo. Comovente. Parece inocência. Parece fé.

Mas quem olha com atenção — e com honestidade — começa a sentir um incómodo profundo. E esse incómodo merece ser dito, sem medo de ferir susceptibilidades.

1. O Cristo Que Elas Aprendem a Adorar Não Tem o Rosto Delas

O crucifixo ali colocado representa um homem branco, de cabelo liso, pele clara, traços europeus. Um Jesus que nunca existiu na Palestina do século I — e que, com certeza, nunca teve o tom de pele daquelas meninas.

Desde muito pequenas, estas crianças são ensinadas a curvar-se diante de uma imagem que as apaga racialmente. Prostrar-se perante um Deus branco é, sem que elas saibam, aceitar uma hierarquia invisível: o sagrado está no outro, no colonizador, nunca nelas próprias.

Isto não foi um acidente da história. É aquilo que muitos pensadores chamam de teologia colonialista — a fabricação de um Cristo à imagem do poder que dominava.

2. A Pose Que Conta Tudo

Elas estão de costas para nós. Ajoelhadas. Descalças. No chão. A fotografia, mesmo sem intenção, constrói uma cena de submissão total: física (corpo no chão), espiritual (cabeça baixa perante o crucifixo), cultural (a própria posição de orar diante de um símbolo estrangeiro).

Aqueles corpos pequenos, pretos, curvados diante de uma figura ocidental erguida num pedestal — isso não é apenas religião. É encenação de poder.

3. A Fé Chegou Junto com o Chicote

Em Moçambique e no resto do continente, o evangelho não veio sozinho. Veio com navios, com correntes, com a bandeira portuguesa e com o chicote dos capitães-mores. As missões religiosas foram, durante séculos, o braço espiritual do sistema colonial. E o que fizeram?

· Desmontaram sistemas de crença que funcionavam há gerações

· Ensinaram que as divindades africanas eram demónios ou feitiçaria

· Criaram uma obediência silenciosa nas populações dominadas

· Legitimaram a escravatura e o trabalho forçado como "vontade de Deus"

O saudoso arcebispo Desmond Tutu, na África do Sul, brincava com uma ironia dolorosa:

"Quando os missionários chegaram, nós tínhamos a terra e eles a Bíblia. Mandaram-nos fechar os olhos para rezar. Quando os abrimos, eles tinham a terra e nós ficámos com a Bíblia."

4. Porquê As Crianças? Porque São o Alvo Mais Fácil

Uma criança não escolhe a sua fé. Ela recebe. Absorve. Repete. Antes de aprender a questionar, já aprendeu a ajoelhar. E é exactamente por isso que o sistema missionário sempre apostou nas escolas e nas missões infantis: formar a consciência antes que ela possa resistir.

Estas meninas estão a ser iniciadas, com toda a inocência, num sistema simbólico que durante séculos serviu para humilhar e subordinar os seus bisavós. Elas não sabem disso. Mas o sistema sabe.

Isso não é evangelizar. Isso é colonizar a alma na idade mais vulnerável.

O Que Não Está Errado (É Preciso Dizer)

Não está errado que crianças tenham fé. Não está errado que orem, que busquem algo maior que elas, que encontrem conforto na espiritualidade. O problema nunca foi a espiritualidade africana — sempre existiu, muito antes do cristianismo chegar.

O que está errado é o conteúdo específico que lhes foi ensinado: um Cristo fabricado à imagem do colonizador branco, imposto com violência cultural, e repetido hoje como se fosse neutro, natural, universal. Pois, no fundo o que importa saber, é que Deus é uma experiência e não uma imagem feita à medida de quem nos impõe a crer no que lhes apetece.

Conclusão: África Precisa Rezar com Voz Própria

Esta imagem não é apenas uma cena bonita de devoção infantil. É um documento vivo de um trauma que ainda não sarou — o apagamento sistemático das identidades africanas, geração após geração, ensinando os filhos a adorar os símbolos daqueles que os escravizaram.

A pergunta que fica no ar não é religiosa. É política. É filosófica. É existencial:

Até quando África vai continuar a ajoelhar diante de um Deus que não reflecte a sua própria imagem?

Talvez o primeiro passo da descolonização seja mesmo este: aprender a desconfiar do crucifixo que nos deram. E, depois, construir uma fé com a nossa cara, a nossa cor, a nossa história.


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