O LADRÃO AUDACIOSO DO GANA
Como teria sido se tivesse dado certo o projecto? Tal seja por isso que o Julius Malema e entre outros não tenham tido sucessos nas suas abordagens e que ao nível da África, todos líderes tidos como da oposição, não tenham a justiça como a sua aliada. No coração de África, onde as feridas da história ainda latejam, o pan-africanismo surge como uma bandeira colorida que muitos erguem com paixão.
Mas, olhando com honestidade para a realidade que vivemos todos os dias – de Maputo a Lagos, de Nairobi a Luanda –, é impossível não questionar: será que esta ideologia, nascida no século XX com sonhos de união continental, não se transformou na mais inútil e retardada das promessas políticas africanas?
Pensemos com calma. O pan-africanismo vende a ideia de que a cor da pele e a história comum criam automaticamente interesses partilhados. Que basta um “nós contra o mundo” para resolver tudo. Mas a verdade é que, décadas depois da independência, o continente continua fragmentado por rivalidades que ninguém esconde. Vejam as guerras frias nas redes sociais entre quenianos, nigerianos e sul-africanos: trocam insultos como se fossem inimigos eternos, enquanto pregam a mesma “unidade africana”. Não é ironia? É prova viva de que a melanina não cria solidariedade automática. Japoneses, chineses e vietnamitas não precisam de uma “pan-asiática” para avançar; eles constroem nações fortes, ponto final.
E o pior: muitos líderes africanos usam o pan-africanismo como escudo. Quando a crítica vem de fora, gritam “imperialismo!” e invocam a união continental. Mas dentro de casa? Corrupção desenfreada, nepotismo e repressão contra o próprio povo. O pan-africanismo tornou-se retórica vazia para justificar opressão interna e esconder a ganância que, infelizmente, faz parte da nossa realidade humana. Não há progresso concreto. Nenhuma ponte, nenhuma fábrica, nenhuma escola a mais que possa ser atribuída directamente a esta ideologia. Pelo contrário: ela distrai-nos de soluções reais – educação de qualidade, governação séria, economia que funcione para o cidadão comum.
Reflexão profunda: unidade não se decreta por decreto ideológico. Unidade constrói-se com resultados palpáveis, respeito mútuo e soberania nacional respeitada. Moçambique sabe disso melhor que ninguém. Lutámos pela independência com coragem, mas o verdadeiro desenvolvimento veio de políticas internas pragmáticas, não de discursos continentais grandiosos. O pan-africanismo, tal como é praticado hoje, é performativo: discursos bonitos em fóruns, selfies com dashikis e pouco mais. Serve mais para elites que fugiram dos próprios países e agora vivem de subsídios alheios do que para o agricultor moçambicano ou o jovem desempregado em Soweto.
Perguntemo-nos: quem ganhou realmente com esta ideologia? Os africanos comuns? Ou apenas os que a usam para ganhar poder e evitar responsabilidade? A realidade grita que o pan-africanismo falhou porque ignora o básico: os africanos, como qualquer povo, precisam primeiro de Estados funcionais, não de uma utopia continental que ninguém consegue operacionalizar.
Chegou a hora de sermos honestos connosco. Abandonar ilusões não é traição à África; é maturidade. O futuro não está numa bandeira pan-africana que ninguém respeita na prática. Está em cada nação que decide investir no seu povo, combater a corrupção e construir parcerias reais – não baseadas em cor, mas em interesses mútuos e resultados. África não precisa de mais slogans. Precisa de acção concreta.
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| Professor Patrick Loch Otieno Lumumba |
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