“Por uma educação que nos ajuda a pensar e não que nos ensine a obedecer”
Escrevia sobre isso no canal do WhatsApp “
O Verbalyzador” quando a indignação me atravessou o pensamento como um relâmpago: as manobras obscuras de certos líderes religiosos e figuras locais que, aproveitando-se da fragilidade social e educativa, influenciam jovens em distritos como
Palma e
Mocímboa da Praia, em
Cabo Delgado, abrindo espaço para interpretações radicais e discursos de violência que nada constroem para o futuro de
Moçambique.
Quase por coincidência, o grupo começou a ferver num debate intenso. E ali ficou claro algo inquietante: onde a educação é frágil, a manipulação floresce. Países pobres em estrutura, mas ricos em recursos, raramente caem por falta de riquezas naturais — caem por falta de formação crítica das pessoas.
Foi então que amadureceu em mim um voto: apostar numa educação de qualidade como prioridade nacional. Antes de colheitas, vêm as sementes. E antes de estabilidade social, vem a formação da mente.
Educação: a raiz de tudo
Tudo o que está estruturalmente mal em sociedades vulneráveis tem ligação directa com falhas educativas. Não se trata apenas de escolas, carteiras e manuais. Trata-se de como se forma o pensamento humano.
Uma educação transformadora não forma repetidores — forma pensadores.
Não forma submissos — forma cidadãos conscientes.
É por isso que a frase que inspira esta reflexão carrega tanta força:
“Por uma educação que nos ajuda a pensar e não que nos ensine a obedecer.”
Talvez não saibamos o autor, mas a ideia é clara: o objectivo da educação não é produzir obediência automática, mas consciência activa.
Obedecer não é pensar
Durante décadas, muitos sistemas educativos treinaram pessoas para aceitar verdades prontas. O resultado? Adultos que:
- Têm dificuldade em questionar;
- Temem discordar de autoridades;
- São facilmente capturados por discursos emocionais e manipuladores.
Pensar por si próprio exige liberdade intelectual para:
- Duvidar;
- Perguntar;
- Investigar;
- Construir respostas.
Quando a educação prioriza apenas a obediência, limita o potencial criativo e crítico das gerações futuras. Forma-se gente que sabe repetir — mas não sabe compreender.
Saber fazer… mas fazer o quê?
Fala-se muito em educação de “saber fazer”. Mas essa pergunta raramente é feita: fazer o quê, e com que consciência?
Sem pensamento crítico, o “saber fazer” pode ser usado para:
- Manipular;
- Explorar;
- Dividir;
- Destruir.
Com pensamento crítico, o saber transforma-se em:
- Inovação;
- Resolução de problemas;
- Convivência democrática;
- Progresso social.
Educação e o terrorismo em Cabo Delgado
Se, ao longo dos anos, tivesse havido um investimento profundo numa educação crítica e libertadora nas zonas hoje afectadas pela violência extremista, talvez o cenário fosse diferente.
Uma juventude treinada para:
- Questionar narrativas radicais;
- Reconhecer manipulações;
- Valorizar a convivência social;
- Compreender o mundo além do discurso emocional,
teria menos probabilidade de ser capturada por promessas ilusórias travestidas de fé, poder ou recompensa futura.
Extremismos crescem onde faltam:
- Oportunidades;
- Sentido de pertença;
Educação não elimina todos os conflitos, mas reduz drasticamente o terreno fértil da manipulação.
Educação começa em casa
A escola não pode carregar sozinha essa missão. A base forma-se em casa:
- No exemplo;
- No diálogo;
- Na forma como os adultos lidam com diferenças;
- Na liberdade que se dá às crianças para perguntar “porquê”.
Mesmo nos contextos difíceis — onde a rua substitui o tecto — a sociedade precisa criar referências positivas que ajudem a moldar homens e mulheres conscientes.
Educação, ética e política
Uma sociedade formada para pensar exigiria muito mais dos seus dirigentes. Talvez já tivéssemos:
- Cultura política de responsabilidade;
- Menor tolerância a promessas vazias;
- Exigência de coerência entre discurso e acção.
Povos que pensam vigiam melhor o poder.
Povos que apenas obedecem tornam-se plateia da própria exploração.
Educação emancipadora, não domesticadora
O que se defende aqui é uma educação que:
✔ liberta o potencial intelectual
✔ forma cidadãos participativos
✔ desenvolve consciência moral
✔ fortalece a capacidade de analisar a realidade.
Não se trata de atacar crenças, mas de impedir que a fé — qualquer fé — seja usada como ferramenta de manipulação humana. Como diria Paulo Freire, numa metáfora perfeita:
não basta ensinar a boiar — é preciso ensinar a nadar.
Conclusão
A educação que Moçambique precisa não é a que produz silêncio.
É a que produz voz. Não é a que gera medo de questionar. É a que forma pessoas capazes de perguntar, compreender e transformar. Porque no fim, a maior defesa de uma nação não são apenas armas, leis ou fronteiras —
é a mente dos seus cidadãos.
Saudações,
A educação torna frágil pela manipulação dos resultados qualitativos e quantitativos de aprendizagem, tudo isso feito para agradar os patrocinadores de alguns projectos.
ResponderEliminarAssim sendo a maioria dos estudantes estão mais para obedecer doque criticar as informações.