CASADAS EM CASA, SOLTEIRAS NO SERVIÇO
O Duplo Padrão que Corrói Relações e Confiança
O comentário de um internauta respondendo ao Paulino Intepo, em reacção ao artigo “A Natureza de Relacionamentos Amorosos no Trabalho”, publicado no Verbalyzador, levanta uma questão sensível, profunda e recorrente na sociedade moçambicana — e não só: o fenómeno do duplo padrão de comportamento de algumas mulheres casadas, frequentemente resumido numa expressão popular e inquietante: casadas em casa, solteiras no serviço.
Este comportamento não é novo, mas ganhou maior visibilidade com a ascensão das redes sociais, a circulação de imagens virais e relatos quotidianos partilhados em grupos de WhatsApp, páginas de Facebook e blogs. Fotografias e cenas que mostram proximidade física excessiva no local de trabalho — mãos entrelaçadas sob mesas de escritório, mulheres sentadas no colo de colegas, abraços prolongados, risos sugestivos, poses provocantes em ambientes profissionais — tornaram-se símbolos de uma erosão silenciosa dos limites entre o profissional e o íntimo.
A Dupla Face do Comportamento
Muitas mulheres casadas adoptam, conscientemente ou não, posturas distintas conforme o espaço em que se encontram. No ambiente familiar, exibem o compromisso: o anel, o respeito conjugal, a dedicação ao marido e aos filhos. Porém, no trabalho, na escola, no ginásio ou em convívios sociais, surgem atitudes que transmitem disponibilidade emocional ou afectiva: toques “brincalhões”, conversas íntimas, risos exagerados, aceitação de contactos físicos que ultrapassam a cordialidade profissional.
Este tipo de conduta fere o princípio essencial da fidelidade, que não se limita ao acto físico de traição. A fidelidade é também emocional, comportamental e moral. Não vive apenas no voto matrimonial ou na aliança no dedo; manifesta-se sobretudo nas pequenas escolhas do dia-a-dia, especialmente quando ninguém está a observar. É na ausência do cônjuge que a integridade é verdadeiramente posta à prova.
Impactos Sociais e Desconfiança Crescente
Em Moçambique, onde o casamento continua a ser visto como uma instituição sagrada — influenciada por valores culturais, cristãos e islâmicos — este duplo comportamento gera desconfiança generalizada. Muitos homens, ao testemunharem diariamente no escritório, na fábrica ou no mercado atitudes permissivas de algumas mulheres casadas, acabam por desenvolver uma postura defensiva, optando, em certos casos, por não permitir que as próprias esposas trabalhem fora de casa.
Embora esta reacção seja frequentemente rotulada como machismo, em muitos contextos ela nasce do medo alimentado por maus exemplos: chefes que abusam da posição, colegas que avançam sem pudor, ambientes onde a falta de limites é normalizada como “brincadeira”, “modernidade” ou “liberdade”.
Por Que Este Fenómeno Acontece?
Vários factores contribuem para esta realidade:
A ausência de limites claros é um dos principais. Quando não se impõem barreiras desde o início, pequenos gestos evoluem facilmente para situações mais graves. Soma-se a isso a busca por validação emocional e afectiva no ambiente de trabalho, onde se passa grande parte do tempo e onde a atenção recebida pode suprir lacunas de autoestima ou carências existentes no lar.
Há ainda a pressão social da chamada “modernidade”, que empurra muitas pessoas a parecerem descontraídas, abertas e “não antiquadas”, mesmo que isso implique relativizar valores antes considerados inegociáveis. A proximidade diária, o stress partilhado e a familiaridade criam terreno fértil para laços afectivos que, em contextos de insatisfação conjugal, facilmente cruzam a linha do aceitável.
Contudo, importa sublinhar: a responsabilidade é sempre individual. A traição — física ou emocional — não é culpa do patrão, do colega ou de forças externas. É uma escolha pessoal. Nenhuma tentação prospera onde não existe uma brecha interior previamente aberta.
Um Apelo à Consciência e ao Carácter
Este é um convite à reflexão, dirigido tanto a mulheres como a homens, pois o fenómeno não é exclusivo de um único género. Vale a pena perguntar, com honestidade: as atitudes no local de trabalho honram o casamento assumido? Aceitam-se comportamentos que não seriam tolerados na presença do cônjuge? A forma de vestir, falar e interagir projecta compromisso e respeito?
A Bíblia, referência moral para muitos moçambicanos, é clara ao alertar: “Guarda o teu coração com toda a diligência, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). “Fugi da impureza” (1 Coríntios 6:18). “O adultério e os impuros, Deus os julgará” (Hebreus 13:4). A fidelidade constrói-se com postura firme, decência e carácter íntegro.
Quando já se entrou numa zona perigosa — apagar mensagens, mentir sobre horários, esconder encontros — o caminho correcto é parar, renunciar e corrigir. Não se deve modernizar a infidelidade nem defender pecados de estimação. Um casamento honrado gera paz no lar, respeito dos filhos e estabilidade emocional.
Também aos homens cabe responsabilidade: honrar as esposas com atenção, diálogo, romance e liderança amorosa, evitando lacunas que o mundo exterior rapidamente tenta preencher.
Conclusão
No fim, o casamento não é apenas um documento legal ou uma cerimónia festiva. É uma aliança diária, sustentada por respeito, fidelidade e escolhas conscientes. Que cada pessoa decida honrar a sua aliança mesmo quando ninguém está a ver — porque, no fundo, há sempre Alguém que vê.
E você, o que pensa sobre este tema? Já presenciou ou viveu situações semelhantes? Partilhe a sua reflexão nos comentários, com respeito, maturidade e verdade.




Boa noite.não pode se confundir trabalho e love school.pouca vergonha pessoa despede o marido os filhos que vai no serviço enquanto vai se esfregar com colegas chefe ,resultado já não respeito como vai respeitar alguém que lhe tirou a (cueca)? tenho visto muitos casos.tem colegas que se odeiam porque estão a namorar uma colega enquanto eles também são casados.ja epha esse fenômeno vai ser muito difícil para se superar
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