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CASADAS EM CASA, SOLTEIRAS NO SERVIÇO

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O Duplo Padrão que Corrói Relações e Confiança O comentário de um internauta respondendo ao Paulino Intepo , em reacção ao artigo “ A Natureza de Relacionamentos Amorosos no Trabalho ”, publicado no Verbalyzador , levanta uma questão sensível, profunda e recorrente na sociedade moçambicana — e não só: o fenómeno do duplo padrão de comportamento de algumas mulheres casadas, frequentemente resumido numa expressão popular e inquietante: casadas em casa, solteiras no serviço. Este comportamento não é novo, mas ganhou maior visibilidade com a ascensão das redes sociais, a circulação de imagens virais e relatos quotidianos partilhados em grupos de WhatsApp , páginas de Facebook e blogs. Fotografias e cenas que mostram proximidade física excessiva no local de trabalho — mãos entrelaçadas sob mesas de escritório, mulheres sentadas no colo de colegas, abraços prolongados, risos sugestivos, poses provocantes em ambientes profissionais — tornaram-se símbolos de uma erosão silenciosa dos limites...

IA: O FUTURO QUE FUGIU DE NÓS PORQUE TIVEMOS MEDO DE PENSAR

Como africanos e moçambicanos, temos um padrão antigo: primeiro rejeitamos, depois desconfiamos, e só muito tarde tentamos compreender as tecnologias novas. A Inteligência Artificial (IA) tornou-se o exemplo mais recente dessa tendência que nos faz perder oportunidades antes mesmo de percebermos que elas existiam.

A verdade é simples: usamos a IA apenas na superfície, como consumidores passivos. Mas, se tivéssemos tido coragem para explorar, investigar e dominar estas ferramentas desde cedo, hoje estaríamos a aproveitar um mundo de benefícios — inclusive nesta época de Black Friday e Cyber Monday, onde quatro funcionalidades da Google mostram exactamente o que estamos a perder.

1. Acompanhar preços: uma ponte que nunca atravessámos

A IA acompanha preços, detecta oportunidades e facilita comparações. Mas o que oferecemos nós ao mundo para ser comparado? Nada ou quase nada. Não registamos produtos locais, não catalogamos serviços, não digitalizamos aquilo que é nosso. Assim, a IA não nos encontra — não porque não temos valor, mas porque não nos apresentamos.

2. Sugestões personalizadas: onde o mundo aparece e nós desaparecemos

Quando alguém pede à IA recomendações de presentes africanos, surgem dezenas de opções de outros países. De Moçambique? Quase nada. A IA só recomenda aquilo que existe nos seus bancos de dados — e nós não alimentámos esses bancos com o nosso artesanato, gastronomia, moda, produtos naturais ou serviços criativos.

3. IA a verificar disponibilidade em lojas locais: oportunidade perdida

Hoje a IA liga automaticamente para lojas nos países onde a digitalização é uma cultura. Imagina o impacto disto aqui: encontrar peixe, carvão, frutas locais, madeira, móveis, serviços ou produtos artesanais em segundos. Mas a IA só pode ligar para lojas que existem digitalmente. E a esmagadora maioria dos nossos negócios permanece invisível.

4. Experimentar roupas virtualmente: o mundo avança e nós assistimos

Enquanto marcas globais permitem experimentar roupas virtualmente, os nossos estilistas, alfaiates e criadores continuam fora da Internet. Sem fotografias catalogáveis, sem presença digital, a IA não pode apresentar moda moçambicana ao mundo. Consumimos, mas não expomos.

Reflexão Final

As quatro ferramentas mostram oportunidades reais que podíamos aproveitar para interagir com o mundo, trocar conhecimentos, vender, colaborar e criar parcerias directas — sem burocracias, sem intermediários, sem esperar que governos decidam por nós.

O problema não é a IA. O problema é a nossa ausência digital. Rejeitamos antes de aprender. Consumimos antes de criar. Criticamos antes de tentar. E assim, deixamos o mundo evoluir enquanto nos mantemos quietos.

Conclusão

A IA não é uma ameaça — é uma oportunidade. Uma ponte. Uma janela. Uma chance de finalmente existir no mapa global. Mas, para isso, precisamos de abandonar o medo e assumir o hábito de quebrar padrões para o nosso próprio bem. O futuro não espera. E nós já perdemos demasiado tempo.

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