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QUANDO O DNA APAGA A PATERNIDADE E ACENDE A MONSTRUOSIDADE

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Um conto de Bukedea que envergonha a humanidade Foi em Bukedea, num recanto do Uganda onde o sol queima a terra e as histórias de opressão germam sem rebuço, que um homem decidiu reescrever as leis da natureza com a caneta podre da conveniência. Após um teste de ADN revelar que a sua filha de 19 anos, nesse caso criada, educada e amada como sua filha durante quase duas décadas, boom, não era biologicamente sua, o veredicto não foi de desilusão paternal. Foi de oportunismo cru: “Não vou desperdiçar dinheiro a educar uma rapariga tão bonita até à universidade. Agora que não é minha filha, quero que seja minha esposa”. E a jovem, num gesto que mais parece eco de sobrevivência do que consentimento livre, aceitou. Casamento marcado. O que dizer diante de tamanha putrefacção moral sem vomitar as palavras? É preciso esfriar o peito para analisar, mas o que arde aqui não é só o sangue, é a consciência colectiva de uma sociedade que ainda aplaude, ou tolera, a transformação de uma filha em tro...

QUANDO A FARDA SE REVESTE DE HUMANIDADE

"Tem dias em que eles se despem do diabo que há neles…" – Avelino J. Casimiro

A imagem partilhada fala mais alto do que mil discursos. Nela, um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) aparece de forma distinta daquela que o povo, na maioria das vezes, se habituou a ver: não em pose de repressão, de arrogância ou de chantagem, mas sim em postura de auxílio, olhando para uma cidadã com uma atenção quase fraterna.

Num contexto em que a PRM carrega a má fama de se aproximar mais do medo do que da confiança, de estar mais próxima da opressão do que da protecção, este registo visual resgata o lado humano que a farda deveria sempre irradiar. É a prova de que, por detrás do uniforme, existe um ser humano capaz de compreender, orientar e até cuidar.

Infelizmente, os deslizes, os abusos e as atrocidades cometidas por alguns agentes têm sufocado a imagem da corporação, fazendo com que a população veja na polícia não um garante da lei, mas um perigo constante. É contra esta sombra que momentos como este se tornam preciosos: eles lembram que a farda não é, por natureza, maldita; é a conduta de quem a enverga que lhe dá o peso e o valor.

A frase de Avelino J. Casimiro encaixa-se com exactidão neste contraste: há dias em que os polícias se libertam do “diabo” que carregam — esse diabo feito de corrupção, brutalidade e falta de ética — para revelar que ainda é possível exercer a autoridade com humanidade. E é justamente esse caminho que deve ser seguido: não basta usar uniforme, é preciso vestir também a consciência.

Aos que ainda insistem em práticas desonrosas — extorsões, ameaças, violência gratuita — importa lembrar que o povo já não é cego. A sociedade observa, julga e fala. A má conduta de uns suja o nome de todos, e é essa mancha que gera o divórcio entre polícia e cidadão. Mas a boa conduta, por menor que pareça, tem força para reatar laços, reconstruir pontes e devolver o respeito perdido.

Que a imagem não seja apenas um acaso, mas um símbolo de mudança. Que o exemplo sirva de alerta: o povo moçambicano não precisa de polícias armados de medo, mas de agentes guiados pela razão, pela lei e pela humanidade. Porque, no fim, a segurança não se impõe pelo terror; conquista-se pela confiança.

👉🏾 E a confiança começa justamente nestes pequenos gestos que humanizam a farda e chamam à razão quem insiste em alimentar o “diabo” da má conduta. E, é o momento de acreditar que pequenos gestos, mudam o mundo. 


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