COMO SERIA UM MUNDO SEM FÉ NEM CRENÇA
Será que a humanidade se salva ou se perde?
Oh! Puxa a vida, mais uma vez cá no seu carinho de reflexões. A crise dos combustíveis veio para ficar e vamos se ajustar, como sempre, mas... Imagine profundamente, por um instante, que todas as religiões, ritos, deuses e espíritos desaparecessem de uma vez. Não por imposição, mas como se nunca tivessem existido. O que restaria da humanidade?
Sem a crença no sagrado, o ser humano continuaria a ter fome de sentido. Porque essa fome é mais antiga que qualquer templo. Ela mora na pergunta sobre a morte, sobre o sofrimento, sobre o amor que não cabe em explicações simples.
A história mostra que, onde a religião não preencheu esse vazio, outras crenças surgiram: na nação, na raça, no progresso cego, no mercado, na tecnologia como salvação. Ideologias totalitárias do século XX, por exemplo, agiram como religiões laicas, com mártires, livros sagrados, promessas de paraíso terrestre e caçadas aos “hereges”.
Então, sem uma religião específica, o mundo não seria necessariamente mais racional ou pacífico. Apenas trocaria o nome dos ídolos.
Por outro lado, há quem acredite que a moral não precisa do divino. E é verdade: empatia, reciprocidade, justiça, tudo isso pode florescer fora de qualquer credo. Países com altos índices de secularização (como alguns nórdicos) continuam a ter sistemas éticos fortes, baixos níveis de violência e redes de solidariedade.
Mas será que isso prova que a humanidade viveria melhor sem nenhuma crença? Cuidado. “Crença” não é só religião. É também acreditar que o outro merece respeito mesmo quando falha. É confiar que amanhã o sol vai nascer. É sentir que a vida tem valor mesmo sem provas objectivas.
Tirar toda e qualquer crença, incluindo a crença na dignidade humana, não produziria um mundo iluminado. Produziria um vazio insuportável. E o vazio absoluto, a história já ensinou, é ocupado pelo medo, pela desconfiança e pela violência sem nome.
Portanto, se a pergunta é “como seria o mundo sem religião nem crença?”, a resposta mais honesta é: não existiria mundo humano. Porque o ser humano é o animal que crê. Não apenas em deuses, mas em promessas, em possibilidades, no amanhã.
O que talvez precise de mudar não é a crença em si, mas aquilo que escolhemos sagrar.
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