DE AL-QAEDA AO JIHADI ATÉ AL-SHABAAB, AFINAL, O QUE SE PASSA?

Os Apoiantes e Membros, o Que é Ganham com os Ataques Armados?

É comum ouvir por aí e sussurrados murmúrios nas universidades, entre docentes e discentes afirmarem que a guerra, contudo, é um grande negócio. Mas, como ela funciona, não é assunto de hoje. Sabe-se que o actual actor forte nesse negócio são os protagonistas do terrorismo conhecido. Então, numa altura em que o terrorismo continua a assolar várias regiões de África, incluindo Moçambique, impõe-se uma pergunta recorrente: o que ganha o grupo Al-Shabaab ao perpetrar ataques contra populações civis? 

Trata-se de uma questão que vai além da condenação moral e exige uma análise estruturada dos objectivos estratégicos que motivam esta violência.

O Al-Shabaab é uma organização jihadista afiliada à Al-Qaeda que opera principalmente na Somália, estendendo as suas acções a países vizinhos como o Quénia e Moçambique. No norte moçambicano, particularmente na província de Cabo Delgado, o grupo tem sido responsável por ataques de grande brutalidade, causando mortes, deslocamentos em massa e destruição de infra-estruturas essenciais.

Ganho ideológico e de recrutamento

Os grupos extremistas exploram narrativas religiosas distorcidas para atrair jovens desiludidos, instrumentalizando promessas de recompensas espirituais e construindo uma identidade colectiva assente no martírio. A propaganda transforma o acto de matar num pretenso dever sagrado, alimentando um ciclo contínuo de radicalização. Cada ataque de grande visibilidade mediática serve, simultaneamente, para projectar poder e atrair novos combatentes.

Controlo territorial e económico

Em Moçambique, os ataques visam deliberadamente áreas de elevado potencial económico, como as bacias de gás natural em Cabo Delgado. Ao desestabilizar a região, o grupo dificulta a exploração desses recursos pelo Estado e pelas empresas estrangeiras, criando condições propícias ao contrabando, à extorsão e ao financiamento ilícito. O clima de terror afasta o investimento e enfraquece a presença das forças de segurança, permitindo que os insurgentes consolidem o seu domínio sobre zonas remotas e de difícil acesso.

Efeito psicológico e pressão política

Os atentados produzem um efeito de terror generalizado sobre as populações, pressionam os governos e podem forçar concessões políticas ou desviar a atenção de outras prioridades nacionais. No Quénia, por exemplo, ataques a universidades e mercados têm funcionado como retaliação pelo envolvimento militar daquele país na Somália. Em Moçambique, a persistência da instabilidade questiona a capacidade do Estado em cumprir a sua função primordial de proteger os cidadãos, alimentando críticas internas e deteriorando a imagem externa do país.

Os limites da estratégia do terror

A longo prazo, porém, estes ganhos revelam-se ilusórios. Os ataques provocam respostas militares robustas, incluindo operações conjuntas com apoio regional e internacional que têm progressivamente enfraquecido o grupo. 

Acresce que a maioria das vítimas são muçulmanos moderados e civis comuns, o que corrói a legitimidade dos terroristas junto das comunidades locais. Em Moçambique, uma parte significativa das populações afectadas rejeita abertamente a violência extremista.

A resposta necessária

Combater o Al-Shabaab exige muito mais do que acção militar. É imperativo investir em desenvolvimento económico, educação, inclusão social e programas de desradicalização nas zonas afectadas. O diálogo com líderes religiosos e comunitários, articulado com a criação de oportunidades reais para a juventude, pode eliminar o terreno fértil em que o extremismo prospera.

A pergunta sobre o que ganha o Al-Shabaab revela, no fundo, a irracionalidade estrutural do terrorismo: ganha morte, ódio e isolamento; perde a humanidade e qualquer perspectiva de futuro. Moçambique e os países da região devem permanecer unidos na construção de uma paz duradoura. A violência não edifica; apenas destrói. É tempo de priorizar a reconstrução e a coesão nacional como resposta definitiva ao terror.

Relacionados

O ESTADO PREDATÓRIO E A PERPETUAÇÃO DA DEPENDÊNCIA: O Governo Como Guardião da Miséria do Povo e dos Interesses da Elite


Comentários

Mensagens populares deste blogue

É POR ISSO QUE NÃO DEIXAMOS ESPOSAS IREM AO GINÁSIO?

O REGISTO QUE O AMANHÃ NÃO PERDOA

CASADAS EM CASA, SOLTEIRAS NO SERVIÇO