Mensagens

Publicação em destaque

O CACHORRO QUE MIJOU NO HÁBITO DA FREIRA

Imagem
Quando os Animais Nos Mostram a Nossa Própria Futilidade Num domingo como este, enquanto preparava um artigo sobre religião, deparei-me com uma imagem que me deixou parado. Madrid, 1960. Um homem de terno anota algo com ar sério. Uma mulher elegante observa a cena. Duas freiras, vestidas com hábitos negros longos e imponentes, representam séculos de devoção e autoridade espiritual. E, no meio de tudo, um simples vira-lata, rabo empinado, faz o que os cães fazem sem qualquer cerimónia: mija tranquilamente no hábito de uma das freiras . Não há maldade no gesto. Não há provocação. Para o animal, aquele pano escuro não é símbolo sagrado, não é sinal de consagração nem de separação entre o profano e o divino. É apenas um objecto conveniente — um poste vertical que cheira a humano. O contraste é tão forte que a foto se tornou icónica. Mas, para além do riso inicial, ela esconde uma pergunta profunda: e se os animais nos vissem exactamente como somos… fúteis? Esta imagem toca no coração do a...

AUTENTICIDADE E AS MARCAS QUE CARREGAMOS NA ALMA

Imagem
A Sanidade Mental Religiosa ou a Santidade tem Tatuagens? Uma reflexão sobre fé, autenticidade e as marcas que carregamos na alma Há imagens que nos perturbam precisamente porque nos obrigam a olhar para dentro. A fotografia que hoje partilhamos — uma figura de hábito branco e preto, com um halo azul brilhante sobre a cabeça, os braços cobertos de tatuagens florais, um cigarro entre os dedos e uma pistola firmemente segura — é dessas que não nos deixam indiferentes. E talvez seja exactamente esse o seu propósito: questionar onde termina a sanidade mental religiosa e começa a autenticidade da alma. Em Moçambique , terra de forte sincretismo religioso , crescemos a ouvir que santidade rima com pureza, com ausência de mácula. A freira é vista como esposa de Cristo, modelo de renúncia ao mundano. O padre é o pastor imaculado. O sheik, o guardião da retidão. Mas será que esta exigência de perfeição externa não está, ela própria, a empurrar-nos para uma espécie de loucura espiritual? Uma n...

O FANTASMA DO MEDO MASCULINO QUE NÃO DEIXA ESPOSAS/NAMORADAS SE FORMAREM

Imagem
O medo que aprisiona: Quando a insegurança do homem tranca a sala de aula para a mulher Por Paulino Intepo Há um fantasma que ronda os lares moçambicanos e, infelizmente, não assombra apenas os corredores escuros, mas também os bancos das escolas e centros de formação profissional. É o fantasma do medo masculino. Um receio paralisante, disfarçado de ciúme ou "proteção", que leva muitos homens casados ou comprometidos a impedirem que as suas parceiras prossigam com os estudos. O fantasma do medo masculino Em pleno século XXI, ainda é frequente ouvirmos histórias de raparigas e mulheres jovens que têm os seus sonhos interrompidos não por falta de capacidade ou de recursos, mas por imposição do companheiro. "Ela não precisa de estudar mais, já tem marido", "Vai para a escola só para arranjar quem paga mais", ou "Lá na universidade só tem homens mal intencionados". Estas frases, infelizmente comuns no nosso quotidiano, carregam um peso enorme e reve...

A VOZ INCÓMODA DE ARUNDHATI ROY

Imagem
Uma Crítica Feroz ao Alinhamento da Índia Num evento literário em Nova Deli, a aclamada escritora indiana Arundhati Roy fez um discurso contundente que transcendeu as fronteiras da literatura para mergulhar no cerne da geopolítica e da identidade nacional. Com a sua característica coragem intelectual, Roy dirigiu críticas severas não apenas às potências ocidentais, mas também, e de forma mais pungente, ao actual governo do seu próprio país, liderado por Narendra Modi . As suas palavras, carregadas de um profundo desalento, expõem o que considera ser a perda da dignidade e da autonomia da Índia no cenário internacional. Ora vejamos! Arundhati Roy, autora premiada com o Man Booker Prize pelo romance " O Deus das Pequenas Coisas ", é conhecida pelo seu activismo político e pelas suas posições corajosas contra injustiças sociais e políticas. Na sua intervenção, Roy não poupou críticas à administração Modi, acusando-a de subserviência e cumplicidade com o que designou como ...

KC-135 ABATIDO OU ACIDENTE?

Imagem
A Guerra de Narrativas que Expõe as Fraturas do Conflino com o Irão A informação sobre a queda de um avião de reabastecimento KC-135 norte-americano no oeste do Iraque , a 12 de Março de 2026, transformou-se rapidamente num campo de batalha à parte. Mais do que o incidente em si, o que está em jogo é a sua interpretação, num conflito onde cada perda é imediatamente enquadrada por narrativas geopolíticas opostas. De um lado, temos a versão oficial do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Comunicados oficiais e agências internacionais como a AFP citam o CENTCOM a afirmar, de forma peremptória, que a perda da aeronave "não foi causada por fogo inimigo ou fogo amigo " . O incidente teria ocorrido em "espaço aéreo amigo" durante a " Operação Fúria Épica ", envolvendo duas aeronaves: uma que caiu e outra que danificada, mas que conseguiu aterrar em segurança no aeroporto Ben Gurion , em Israel, após declarar emergência . Para Washington, trata-se de um acidente,...

UMA 🐜 FORMIGA VALENDO CENTENAS DE DÓLARES: A LIÇÃO QUE AFRICA AINDA NÃO APRENDEU

Imagem
Afinal, Até Formigas Rainhas Têm um Preço Significativo — E Nós Ainda Não Sabemos Quanto Valemos Como africano, filósofo e observador fervoroso das dinâmicas de soberania económica e desenvolvimento sustentável, sento-me hoje a reflectir sobre um episódio que, à primeira vista, parece pequeno como uma formiga — mas que carrega o peso simbólico de séculos de subjugação. Refiro-me à recente detenção, no Quénia, de um cidadão chinês que tentava contrabandear duas mil formigas-rainhas para fora do continente. Sim, formigas. Essas mesmas formigas que muitos de nós esmagamos distraidamente no chão, sem pensar duas vezes. Segundo relatos de observadores africanos que analisaram o caso, cada uma dessas formigas pode valer centenas de dólares no mercado exótico da China, onde são criadas como animais de estimação especializados e utilizadas para fundar colónias inteiras em terrários de luxo. O comentário que resume toda esta história é simples e brutal: “We in Africa don’t know what we have.” ...

COMO PROVAMOS A NÓS MESMOS QUE NÃO SOMOS SONHO?

Imagem
O Método do Real: Um Guia Prático para Prova da Própria Existência Por: Paulino INTEPO Introdução Há questões que, uma vez colocadas, transcendem o mero exercício intelectual e tocam o âmago do nosso ser. "Será que estou mesmo aqui?" "E se tudo isto não passar de um sonho elaborado, uma simulação ou uma imaginação da qual não consigo despertar?" Se está a ler este artigo, caro leitor, é provável que já tenha sido visitado por esta dúvida metafísica . Longe de ser um sinal de loucura, esta interrogação é a pedra angular da filosofia e da ciência. Sou daqueles que, como você, acredita que não há problema sem solução, apenas falta de informação para o gerir. Portanto, não nos contentaremos com um "apenas acredita". Vamos dissecar a questão e construir, passo a passo, um método empírico e racional para provar a si mesmo que está, de facto, vivo, real e a ler este texto. 1. O Ponto de Partida: A Certeza Inegável Antes de procurar provas externas, temos de an...

COISAS QUE NUNCA ME ENSINARAM

Imagem
A Perfeição é Inimiga do Progresso Por: Cristina Beluarte Tomo crish1209@gmail.com O mito silencioso que nos impede de começar Nunca me ensinaram que a busca incessante pela perfeição pode transformar-se num obstáculo silencioso — um peso invisível que nos impede de avançar. Cresci a acreditar que tudo o que fazia precisava de ser impecável. Que cada passo tinha de ser cuidadosamente planeado, cada traço perfeito, cada palavra polida. Como se a vida fosse um exame permanente onde apenas a resposta certa merecesse existir. Mas ninguém me disse que os rascunhos, as tentativas falhadas e os erros desajeitados são, na verdade, os verdadeiros alicerces do progresso. Ninguém me explicou que a excelência não nasce pronta. Ela é forjada na repetição, na insistência e na coragem de começar mesmo quando ainda não sabemos exactamente para onde vamos. Este texto é uma reflexão sobre essa lição silenciosa que muitos de nós aprendemos tarde: a perfeição é frequentemente inimiga do progresso .