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VIZINHOS ÍNTIMOS, LIÇÃO DE MATURIDADE OU CONVITE AO CAOS?

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Quando o prazer mora ao lado Por: Tomás Casimiro Neves (67 anos) Luanda - Angola) Há questões que a urbanidade moderna prefere varrer para debaixo do tapete da falsa moral. Uma delas é esta: faz mal haver relações íntimas entre vizinhos? Não me refiro ao barulho nocturno que atravessa paredes, mas ao envolvimento sexual ou afectivo consentido entre pessoas que dividem o mesmo corredor, o mesmo elevador, o mesmo portão. Em Luanda, onde vivo, e também em Maputo, sigo com atenção os debates nos dois lados da África lusófona, o tema é tabu. Fala-se baixo. Ri-se nos cafés. Mas ninguém encara de frente a questão. A resposta curta: não, não há mal nenhum. Adultos, solteiros, com consentimento livre e esclarecido, podem relacionar-se com quem quiserem. A vizinhança não é um convento. Contudo, a resposta longa dói mais: o mal está nas consequências que fingimos não ver. Primeira implicação: a geometria do constrangimento Quando o relacionamento acaba – e muitos acabam –, não podes simplesment...

O GRITO DA CRIATIVIDADE AFRICANA CONTRA O DESPERDÍCIO

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A Visão de Transformar Lixo Electrónico em Obra-Prima Num mundo afogado em resíduos tecnológicos, surge uma obra que não só encanta os olhos como desafia a consciência colectiva. Uma cabeça humana, imponente e vibrante, construída inteiramente com placas-mãe, controlos remoto, controladores de jogos, teclados, ratos e outros detritos da era digital. O que à primeira vista parece um simples retrato ganha profundidade quando percebemos: cada peça foi descartada, rejeitada pela sociedade de consumo, mas encontrou novo sopro de vida nas mãos de um artista visionário. Esta não é mera decoração. É um manifesto silencioso contra o desperdício que asfixia o nosso planeta. Em Moçambique, onde o acesso a equipamentos electrónicos cresce rapidamente, mas a gestão de resíduos ainda engatinha, esta criação chega como um tapa na cara da indiferença. Quantos computadores velhos, telemóveis obsoletos e consolas partidas jazem em depósitos improvisados ou são queimados nas periferias das nossas cidade...

A DITADURA DO LIKE: O DIA EM QUE A INTIMIDADE VIROU MOEDA DE TROCA

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O que há de errado em partilhar momentos íntimos com o mundo, actualmente Vivemos numa era em que, se não foi postado, parece que não aconteceu. Em Moçambique, terra de gente calorosa e de convívio fácil, essa tendência ganhou contornos drásticos com a democratização do acesso aos dados móveis. O que antes pertencia ao santuário do quarto ou ao sussurro do ouvido, hoje é arremessado para o tribunal implacável das redes sociais. Mas a pergunta que urge fazer no "Verbalyzador" é: qual é o preço real dessa exposição ? A Ilusão da Validação Instantânea O fenómeno a que os psicólogos chamam de " extimidade " - a necessidade de tornar público o que é íntimo para lhe dar valor - está a criar uma geração de dependentes emocionais. Em Maputo, Beira ou Nampula, multiplicam-se os cenários onde a espontaneidade é sacrificada em nome do "ângulo perfeito". O erro não reside no amor ou no carinho, mas na convicção de que a felicidade só é real se for validada por estran...

AMAR NÃO SE APRENDE NA ESCOLA

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Ninguém me ensinou que inteligência e intimidade falam línguas diferentes Por: Stella Rodrigues Nunes , 41. Mónaco, 05.2026 Cresci a acreditar que inteligência resolvia tudo. Resolvia provas, resolvia problemas, resolvia conversas difíceis. Resolvia carreiras inteiras. Era a ferramenta universal, aquela que nunca falhava. Depois entrei num relacionamento sério. E percebi, mais tarde do que devia, que tinha chegado a uma arena onde a minha ferramenta favorita não só não ajudava, como atrapalhava ativamente. Ninguém me tinha avisado disso. A escola ensina-te a argumentar. Não te ensina a ceder sem te sentires derrotado. Ensina-te a identificar padrões. Não te ensina a parar de aplicar essa habilidade à pessoa que dorme ao teu lado. Ensina-te a ser preciso. Não te ensina que há momentos em que precisão é crueldade. A inteligência, quando não treinada para o amor, transforma-se num instrumento de distância. Analisa em vez de sentir. Diagnostica em vez de acolher. Debate em vez de escutar....

PATERNIDADE IRRESPONSÁVEL & MASCULINIDADE TÓXICA:

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O Silêncio do Homem que Foge de Frente Ele não desaparece de noite. Foge de dia, a passo firme, com uma garrafa na mão e a consciência anestesiada. Por: Amélia Caciano Brejnev , 39. Quelimane, Zambézia Existe uma forma de abandono que não figura em nenhum boletim de ocorrência. Não há porta batida, não há mala feita à pressa, não há despedida dramática. O homem está ali - visível, presente, de corpo inteiro - e ainda assim completamente ausente. Caminha à frente. Carrega o que lhe dá prazer na mão ou, às vezes sai do serviço, se for, com o salário na conta e vai mandar ver aos amigos e colegas em qualquer barraca. E não olha para trás. A imagem que circula nas redes sociais e que inspirou esta reflexão não precisa de legenda. Um homem avança num caminho de terra com uma caixa de bebidas numa mão e uma garrafa de álcool na outra. Atrás dele, uma mulher carrega um bebé ao colo, segura uma lata de leite em pó, e grita - não de raiva, mas de desespero acumulado. Uma criança descalça fecha...

O QUE REALMENTE NOS ESPERA DO OUTRO LADO?

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O desenho de uma experiência de quase-morte que nos obriga a reflectir sobre a vida Num mundo onde a correria diária nos distrai dos grandes mistérios da existência, surge por vezes uma imagem simples que nos para e nos faz olhar para dentro. Foi isso que aconteceu com o desenho partilhado por Yusuff Shakur , um homem que sobreviveu a uma experiência de quase-morte  e decidiu registar, com linhas humildes, o que viu quando esteve à beira do fim. O esboço não é de um artista profissional. É cru, directo e, por isso mesmo, profundamente tocante. Nele, a Terra aparece na base, com figuras humanas ligadas por finos “ cordões de prata ” que sobem para camadas intermédias. Ali, almas em transição expressam surpresa, resistência ou aceitação. No topo, uma grande esfera luminosa - o Over-Soul , fonte de onde tudo parece emanar e para onde tudo regressa. Uma legenda simples completa a visão: “The highest parent is love”.

O PONTO DE PARTIDA DA COLONIZAÇÃO DO SAGRADO

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Origens da Ridicularização da Espiritualidade Africana Partimos da seguinte questão para acomodar e vaguear numa vasta experiência e busca em literaturas que o mundo digital disponibiliza, acidentalmente ou por alguma razão, que nos remete atenciosamente a reflexões delicadas sobre a espiritualidade no seio africano. Levantado a seguinte questão como uma dessas consequências de exposição a leque de informações relacionadas ao caso: De onde surgiu a ideia da ridicularização das práticas africanas e engrandecimento das tradições estrangeiras? Sem intenção de responder directamente, mas observar a génesis  desse imbróglio, seguem alguns raciocínio como um ponto de partida de uma jornada, que esperamos ainda desenvolver durante o mês de Maio e quiçá, aprender mais sobre o que é sensível, mas real, necessariamente humano se admitirmos que pretendemos evoluir e estar em pé de igualdade com o mundo fora. Ainda que haja riscos e desafios para tal.

VERSÍCULOS NÃO ENCHEM BARRIGA/ESTÔMAGO

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Por que fazer o bem vale mais que postar fé Nos últimos anos, as redes sociais viraram púlpitos digitais. De manhã cedo, o feed já está cheio: versículos da Bíblia, aforismos do Alcorão, imagens com flores e luzes. Tudo bonito, tudo partilhável. Mas fica a pergunta que poucos querem fazer: alguém comeu graças a esses versículos? Alguma criança dormiu melhor porque você recitou uma sura hoje? Não me interprete mal. A fé, seja cristã ou muçulmana, tem valor imenso. As escrituras trazem conforto, guiam escolhas, unem comunidades. O problema não é o versículo. O problema é trocar a acção pela publicação. É acreditar que dar like num post de caridade equivale a visitar um doente. Ou que compartilhar uma mensagem de paz absolve a indiferença com o vizinho. O alarme dos falsos profetas digitais Em Moçambique, vemos isso na pele. Crescem os “pregadores de Instagram” e os “sheiks de TikTok” que vivem de patrocínios, mas nunca puseram os pés numa zona de ciclone para ajudar uma família desaloja...

1º DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR E OS HERÓIS INVISÍVEIS

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Ao Trabalhador Que Não Se Vê, Mas Que Sustenta o Mundo

QUANDO O DNA APAGA A PATERNIDADE E ACENDE A MONSTRUOSIDADE

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Um conto de Bukedea que envergonha a humanidade Foi em Bukedea, num recanto do Uganda onde o sol queima a terra e as histórias de opressão germam sem rebuço, que um homem decidiu reescrever as leis da natureza com a caneta podre da conveniência. Após um teste de ADN revelar que a sua filha de 19 anos, nesse caso criada, educada e amada como sua filha durante quase duas décadas, boom, não era biologicamente sua, o veredicto não foi de desilusão paternal. Foi de oportunismo cru: “Não vou desperdiçar dinheiro a educar uma rapariga tão bonita até à universidade. Agora que não é minha filha, quero que seja minha esposa”. E a jovem, num gesto que mais parece eco de sobrevivência do que consentimento livre, aceitou. Casamento marcado. O que dizer diante de tamanha putrefacção moral sem vomitar as palavras? É preciso esfriar o peito para analisar, mas o que arde aqui não é só o sangue, é a consciência colectiva de uma sociedade que ainda aplaude, ou tolera, a transformação de uma filha em tro...

PAGANDO A CONTA DE UMA FESTA QUE JÁ ACABOU

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O Endividamento Bancário e a Armadilha do Casamento em Moçambique Por O Verbalyzador Há um silêncio particular no rosto de quem vai ao banco todos os meses pagar uma prestação por algo que já não existe. Não é a dor de quem perdeu um bem material - uma casa, um carro, um negócio que faliu. É algo mais fundo e mais complicado: é a dor de quem paga, mês após mês, pela memória de uma festa. Pela lembrança de um dia que correu bem - ou talvez nem isso. Em Moçambique, este silêncio está a tornar-se demasiado comum para ser ignorado.

A CRIANÇA QUE HERDOU A GUERRA

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Esta é a Infância que o Mundo Esquece que Existe Olhe bem para esta foto.  No meio da terra seca, entre cabras magras e arbustos sem vida, um menino sorri. Os dentes brancos contrastam com a pele marcada pelo sol e pela vida dura. Tem uma arma velha atravessada nas costas, como se fosse uma mochila da escola. Os pés descalços tocam o chão poeirento. Nas mãos, não carrega brinquedos, mas sim o peso de uma Kalashnikov. Esta é a criança que herdou a guerra. Não escolheu nascer no meio do conflito. Não pediu para trocar os jogos da infância por balas e medo. Enquanto muitas crianças no mundo sonham com bicicletas e telemóveis, ele aprendeu cedo que a sobrevivência muitas vezes exige carregar uma arma maior do que o seu próprio corpo. Em Moçambique, especialmente no norte, em Cabo Delgado, esta imagem não é apenas uma fotografia do passado. É uma realidade que continua a repetir-se. Grupos armados raptam meninos e meninas, transformando-os em soldados, carregadores ou escudos humanos. ...

5 SEGUNDOS DE RAIVA OU UMA VIDA INTEIRA

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A Escolha Que Podes Fazer Hoje Todos os dias, nas estradas e ruas das nossas cidades e vilas, acontecem pequenos toques, raspões ou travagens bruscas. O que parece um incidente menor pode, em segundos, transformar-se numa tragédia que ninguém esperava. Há poucas horas, num bairro movimentado, um simples “beijo” entre dois veículos terminou em homicídio. Começou com uma discussão acesa, passou para empurrões e, por fim, uma vida foi tirada. Tudo porque ninguém quis recuar. Tudo porque o orgulho falou mais alto que o bom senso. A verdade é dura: não conhecemos o estado emocional de quem está do outro lado . O outro condutor pode vir de um dia horrível, pode estar sob efeito de drogas ou álcool, pode ter problemas psicológicos não tratados, ou pode simplesmente ser uma pessoa violenta por natureza. Nenhuma razão do mundo — nem mesmo ter 100% da razão — vale o risco de perder a vida ou tirar a liberdade. Por isso, a lição é simples e salva vidas: nunca desças do carro armado, nem com uma ...

BURRICE OU PREGUIÇA AO EXTREMO: COLAR NÃO É SABER

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Quando a Tecnologia Expõe a Preguiça Intelectual Há episódios que não são apenas embaraçosos — são reveladores. Antes os professores e indivíduos conservadores e rigorosos criticavam o excessivo uso da 'internet' em detrimento de uma busca e pesquisa em bibliotecas e materiais físicos. Valorizavam consultas físicas sem envolvimento dessa façanha advinda de interacção virtual. Hoje em dia o demónio dessa linhagem de indivíduos, virou para a Inteligência Artificial (IA). E por que? Olhe para o episódio a seguir.  O caso do aluno que foi “apanhado” por copiar integralmente uma resposta do ChatGPT, sem sequer o cuidado mínimo de limpar os vestígios do próprio acto, é menos sobre fraude e mais sobre falência de atitude. Não é a tecnologia que falhou. Foi o utilizador. O detalhe que denuncia tudo, a presença de uma frase típica de assistência (“Se quiser, posso também deixar ainda mais formal…”), não é apenas um erro técnico. É um sintoma. Um sintoma de um comportamento cada vez mai...

CHINA LANÇA INTERNET 10G

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A Resposta Silenciosa e sem Triunfalismos às Sanções A China, através da Huawei e da China Unicom, ativou a primeira rede comercial 10G do mundo no condado de Sunan. A velocidade permite baixar filmes em segundos, mas o significado vai muito além: é a prova de que as sanções ocidentais não enfraqueceram o país — tornaram-no mais independente e inovador. Quando os EUA impuseram sanções à Huawei, a aposta era sufocar a China. Mas Pequim não se vitimizou. Investiu em investigação local, criou os seus próprios chips e padrões. O 10G é o resultado: o país que tentaram isolar está agora a liderar. O avanço trará impacto profundo em saúde (cirurgias remotas), indústria, educação imersiva, cidades inteligentes e investigação científica. E ironicamente, o Ocidente, que aplaudiu as sanções, hoje depende de tecnologia chinesa no 5G, baterias, materiais raros e agora no 10G. Para África, a lição é clara: em vez de esperar ajuda externa, é preciso investir na auto-suficiência, trabalhar em silênci...

ÁFRICA DO SUL À BEIRA DE UM PONTO DE RUPTURA?

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Nelson Mandela Deve Estar em Lágrimas  A África do Sul voltou ao centro das atenções globais, não apenas pelos acontecimentos no terreno, mas sobretudo pela forma como estes estão a ser amplificados nas redes sociais. Vídeos virais, como o que circula actualmente no X, têm alimentado a percepção de um país mergulhado no caos absoluto. No entanto, a realidade exige uma leitura mais profunda, menos emocional e mais estruturada. O que se observa hoje na África do Sul não é um colapso repentino, mas sim o resultado de pressões acumuladas ao longo de anos. Trata-se de um país que, apesar de possuir instituições relativamente sólidas e uma democracia funcional, continua a carregar o peso histórico de desigualdades profundas herdadas do apartheid. Essa herança manifesta-se de forma brutal na distribuição de riqueza, no acesso a oportunidades e na própria organização social. A criminalidade elevada, frequentemente destacada em vídeos virais, é um problema real e persistente. Contudo, ela ...

O PODER DO NOME NO CASAMENTO

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Mulheres Etíopes e Eritreias Desafiam Tradições Matrimoniais Na maioria das culturas, o casamento é acompanhado por mudanças simbólicas que vão muito além da cerimónia. Uma das mais comuns é a adopção do apelido do marido pela mulher, prática que reforça a ideia de pertença e continuidade familiar. No entanto, na Etiópia e na Eritreia, esta tradição ganha uma forma completamente diferente e profundamente reveladora.   Nestas sociedades, a identidade da mulher não se dissolve no matrimónio. Ela continua a ser reconhecida pelo seu primeiro nome, seguido do nome do pai, e nunca pelo do marido. Este detalhe aparentemente simples carrega uma mensagem poderosa: o casamento não apaga a história individual nem a linhagem paterna.   Trata-se de uma prática que desafia conceções ocidentais sobre identidade feminina e conjugal. Ao manter o nome do pai, a mulher preserva a sua autonomia simbólica e cultural, mostrando que o matrimónio é uma união de vidas, mas não uma fusão de ...

MENOS UMA VIDA JOVEM FICA PARA TRÁS POR CIÚMES.

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Quando a Falta de Diálogo Transforma Amor em Tragédia Por Carlos Langa, Nampula Nos últimos dias, circularam nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação regionais a notícia de um jovem que perdeu a vida de forma brutal, no vizinho Estado da Nigéria, vítima de um ataque movido por ciúme. Aconteceu na comunidade de Afaha Nsit II, quando o suposto agressor encontrou a sua parceira num momento íntimo com outro homem. O que poderia ter sido uma conversa difícil, mas civilizada, transformou-se num acto de violência irreversível. Uma vida apagada. Uma família em luto. Um agressor que, além de tirar um semelhante, destruiu o seu próprio futuro. A comoção diante de tragédias como esta deveria bastar para nos fazer repensar comportamentos. Infelizmente, em Moçambique, não são raros os casos de homicídios e agressões graves motivados por suspeitas de infidelidade ou por disputas amorosas. De Maputo a Nampula, da Beira a Lichinga, os noticiários locais, as conversas de machimbombo e os de...

CUSTA CRER, MAS ESTÁ ACONTECER. SERNIC FAZENDO ACONTECER...

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SERNIC: A chama que ilumina o combate à corrupção em Moçambique Seja como for, a verdade é que o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) está de parabéns. Num contexto nacional marcado por contradições e desafios persistentes, esta instituição tem-se destacado com acções concretas que merecem reconhecimento público. Recordemos os últimos dois anos: era expressamente proibido comprar gasolina através das bombas em frascos ou depósitos menores. Na altura, vivíamos ondas de manifestações e havia receio de que a moda dos coquetéis molotov ganhasse repercussões descontroladas no seio dos manifestantes, desafiando as forças governamentais. Falava-se, inclusive, do uso desproporcional de meios na repressão. Foram momentos difíceis, quase de incerteza total. Depois, contra a vontade da maioria, houve o desfecho do processo eleitoral e a imposição da condição que vivemos hoje. Daniel Chapo tomou posse e, com ela, veio a aceitação forçada da continuação do governo da Frelimo, que par...

NÃO IMPLORES A SIMPATIA DE UM MUNDO CRUEL

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A Sabedoria Milenar que Te Ensina a Levantar e Resistir Não Implores a Simpatia de um Mundo Cruel. Levanta-te e Resiste No panteão do pensamento milenar, desde os pórticos da Ágora ateniense até aos templos de sabedoria da China antiga, uma verdade ecoa, tão imutável quanto as montanhas: implorar por simpatia a um mundo que não a oferece é um ato de autoaniquilação. O universo, na sua vastidão indiferente, não se comove com as nossas lágrimas; ele apenas responde à força da nossa vontade. A lição de hoje, extraída da série "Coisas que Nunca Me Ensinaram", é um chamado para despertarmos o gigante adormecido dentro de nós, para abandonarmos o papel de vítima e assumirmos a autoria da nossa própria narrativa. A Arte de Não Implorar: Um Legado de Estoicismo e Força A máxima "Don't beg for sympathy from a cruel world. Rise and resist" encontra um eco profundo no estoicismo, a filosofia helenística que moldou imperadores e escravos. Sêneca, um dos seus maiores expoen...