POR QUE É QUE NÃO FREQUENTO NENHUMA DAS RELIGIÕES TRADICIONAIS?
Fora das "Religiões" Tradicionais, Quais Opções Ainda Existem e são Válidas
Em primeiro, dou-me bem com todos, não necessariamente como altamente social ou acessível a qualquer um. Quer dizer, não acho hostilidade em nenhum homem que abrece qualquer religião ou crença que lhe apetece. Apenas sou um homem curioso, daqueles que passam horas a olhar o céu estrelado ou a ler sobre o Universo e a mente humana. Quando me perguntam porque é que, até hoje, não adiro a nenhuma das religiões mais comuns que vemos por aí, sejam igrejas cristãs, mesquitas ou templos tradicionais, diferente do radicalismo verbal na resposta como um das pessoas me deu um dia - "ainda não estou desesperado", gostaria que respondesse com sinceridade e sem arrogância.
“Eu sou um buscador”, tenho dito para mim mesmo, sem palavra alguma sair da minha boca. “Respeito profundamente o que as religiões trazem às pessoas: sentido para a vida, comunidade, consolo nos momentos difíceis e uma moral que ajuda a viver melhor. Em Moçambique, vejo como a fé sustenta tantas famílias e dá força ao povo. Mas, para mim, algo não encaixa.”
Explico-me que a minha essência é movida por uma única grande vontade: compreender o Universo. Por isso, sinto-me mais à vontade num caminho agnóstico, com forte pendor científico e filosófico. Admiro o método científico, a filosofia natural e aquele espanto profundo que os cientistas sentem quando olham para a mecânica quântica, a evolução ou as galáxias distantes. Para mim, esse “sentimento religioso cósmico”, como Einstein chamava, já é suficiente.
Gosto de ideias como o deísmo, um Criador ou Princípio inicial que põe tudo a andar e depois deixa o Universo seguir as suas leis, ou o panteísmo de Spinoza, onde o próprio Universo é o divino. Essas visões mantêm a maravilha e o respeito sem pedirem milagres, obediência cega ou rejeicção de evidências.
No dia a dia, procuro viver uma mistura que faz sentido para mim: humanismo secular, que valoriza a razão, a evidência e o bem-estar das pessoas; estoicismo, para aceitar o que não posso controlar e concentrar-me na virtude e na resiliência; e um ceticismo alegre, que questiona tudo, inclusive as minhas próprias certezas, mas sem cair no vazio ou no niilismo.
A “religião” para mim, se é que se pode chamar assim, é a busca honesta e incessante pela verdade, com humildade intelectual. Celebro o mistério do Universo sem precisar de o preencher rapidamente com respostas definitivas. Ou melhor, quero viver de forma que aumente a compreensão, a bondade e a curiosidade radical.
“Talvez um dia mude”, admito com um sorriso. “Mas, por enquanto, este caminho parece-me o mais honesto e bonito que consigo seguir. É a minha maneira de honrar este Universo extraordinário onde temos o privilégio de existir.”
É essa a abordagem que decidi seguir e experimentar nos últimos 10 anos, com o coração aberto e a mente livre. Não é uma experiência boa, mas é incrível até então viver pela busca, compreensão e admiração pelo vasto universo e as coisas mais simples e puras da natureza que nos rodeia.

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