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A GUERRA SILENCIOSA DO ESTADO CONTRA A SOBREVIVÊNCIA DOS JOVENS

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A Fome Não Espera pelo Licenciamento O jovem de Chimoio que viu a sua carroça de bananas ser salva pela comunidade é o retrato de Moçambique. Enquanto o país não criar condições estruturais para a geração de empregos de qualidade, qualquer tentativa de "limpar" as cidades não passará de cosmética social, um mero retoque na fachada enquanto os alicerces da miséria se aprofundam. A falha do Estado para com a sobrevivê9ncia dos seus cidadãos reside exactamente nesta esquizofrenia: cobra-se a postura de quem trabalha, mas tolera-se a incompetência de quem não governa para o bem-estar do povo. A dignidade da pessoa humana não se constrói com carrinhos de mão a confiscar mercadoria; constrói-se com planos, empatia e a coragem política de admitir que, hoje, a banca da rua é a única rede de segurança que muitos moçambicanos possuem. Esta é uma conclusão da grande análise intitulada, a qual se pode acessar clicando sobre o título ENTRE A BAÍA E A BANCA - A Guerra Silenciosa do Estado...

A FÉ PODE SER MEDIADA POR UM TELEMÓVEL?

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O Número de Deus e a Encenação da Fé: Quando o Sagrado se Torna Espectáculo O vídeo que circula nas redes sociais causa um misto de choque e perplexidade. Um pastor, em pleno culto, com o telemóvel encostado ao ouvido, fala com Deus como quem fala com um familiar ao outro lado da linha. “Alô, é do Céu?”, pergunta ele, enquanto a congregação aplaude em euforia. A cena, captada num culto no Zimbábue, parece saída de um sketch de humor, mas para os fiéis presentes, é um momento de profunda espiritualidade ou pelo menos, assim lhes é vendido. Este episódio, protagonizado pelo pastor Paul Sanyangore, que alega ter “um canal directo” e “o número” de Deus, oferece-nos uma matéria-prima rica para uma reflexão incómoda sobre o estado da fé contemporânea. Não se trata apenas de expor um possível embuste, mas de questionar: o que faz uma pessoa ajoelhar-se e crer que o Criador do Universo atende uma chamada telefónica durante um culto? A Tecnologia como Novo Templo Vivemos numa era em que a tecn...

O SPRING DAY QUE PERDEU A ESSÊNCIA E VERGONHA

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Quando a Brincadeira Vira Assalto  Há imagens que não pedem opinião. Pedem silêncio primeiro. Depois, uma pergunta incómoda: em que momento é que a festa deixou de ser festa e passou a ser um teste de poder sobre quem não pediu para participar? No primeiro dia de setembro, em bairros da África do Sul, a chegada da primavera ainda se celebra com água. Baldes, bacias, mangueiras. Miúdos na rua, riso alto, asfalto molhado, o sol a descer sobre telhados de tijolo. Durante anos, isso foi um rito de passagem: uma brincadeira de rua, um modo de dizer que o inverno acabou. Em 2026, o mesmo gesto voltou e o que se vê já não é só água. É a porta de um carro aberta à força. É o interior de uma viatura encharcado. É um saco que desaparece no meio da confusão. É um idoso a tentar passar e a ser tratado como alvo. É uma criança pequena a assistir, de costas para a câmara, a aprender que isto é “normal”. Não é preciso inventar um vilão. Basta olhar para o que a tradição se tornou quando perdeu o...

O TIPO DE INFLUENCER QUE DEVÍAMOS SEGUIR: A INFLUÊNCIA QUE LIMPA O AMBIENTE

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Quando a Substância Perde para o Brilho Efémero Vivemos numa era marcada por uma estranha dicotomia: a hiperconexão digital e, simultaneamente, uma profunda desconexão humana. As nossas redes sociais transformaram-se em vitrines de uma realidade editada, onde o valor do ser humano é, com frequência, mensurado pelo brilho da imagem e não pela profundidade do carácter. Recentemente, um episódio vindo da Índia, mas que ecoa com assustadora familiaridade em Moçambique e no resto do mundo, veio expor esta ferida aberta. A história de um jovem de vinte anos que limpou, sozinho, um rio poluído, foi recebida não com admiração, mas com um ceticismo revelador. Bittu Tabahi, um jovem de Biaora, no Madhya Pradesh, decidiu enfrentar a lama do rio Ajnar. Sem luvas, sem botas e, segundo relatos, sem sequer saber nadar, mergulhou no esforço árduo de devolver a vida àquela correnteza. O seu propósito não era a fama, mas a transformação silenciosa e teimosa do seu entorno. Contudo, a reacção de uma par...

O CAOS ENTRE A PROMESSA E A REALIDADE

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Quando o Amor e o Dinheiro Colidem A notícia correu o mundo como um daqueles casos que parecem saídos de um roteiro de ficção: a celebridade britânica Katie Price decidiu pôr fim ao casamento de oito meses depois de descobrir que o marido, Lee Andrews, tinha apenas 3 dólares (cerca de 2,22 libras) na sua carteira de criptomoedas. Ele havia prometido possuir 50 milhões de dólares (37 milhões de libras) e garantido que iria partilhar essa fortuna com ela. A mensagem final, enviada por WhatsApp, foi brutalmente sincera: "Fui enganada, e tu não és quem dizes ser. Por que mentiste para mim?". Por trás do sensacionalismo que envolve a figura de Katie Price (uma personalidade da televisão e ex-modelo que já passou por quatro divórcios e duas falências), este episódio oferece uma janela para questões muito mais profundas sobre a natureza humana na era digital. A fragilidade da confiança na era da encenação Vivemos tempos em que a aparência de riqueza é frequentemente mais valorizada...

O ABISMO DO FINGIMENTO

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A Mercantilização da Intimidade e o Esquecimento da Alma na Era do Excesso Nas profundezas do ruído digital, emerge por vezes uma pergunta que, pela sua aparente frivolidade, esconde um abismo filosófico digno de escrutínio. Questiona-se, em tom de provocação, como é que actores e actrizes conseguem, após protagonizarem cenas de tamanha intensidade e excesso nas telas, regressar à realidade sem que os limites entre a ficção e o real se desfaçam irremediavelmente.  Longe de ser uma mera curiosidade sobre a vida alheia, este questionamento toca na ferida aberta da condição humana contemporânea: a mercantilização da intimidade e a erosão das fronteiras entre o que se sente e o que se representa. Vivemos numa era em que a performance deixou de ser um privilégio dos palcos para se tornar o paradigma da existência. O ser humano moderno, tal como o actor no set  de filmagem, é constantemente convocado a representar papéis que não escolheu, a exibir emoções que não habita e a consumi...

A COROAÇÃO DE UM CHINÊS NO GANA GERA POLÉMICA NA ÁFRICA

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A Coroa que Divide Opiniões: Quando um Estrangeiro é Rei e a Xenofobia Revela o Inimigo Lino TEBULO linoisabelmucuebo@gmail.com A imagem é, no mínimo, perturbadora para quem ainda acredita que o progresso e a hospitalidade africana são valores inegociáveis. Um empresário chinês, Zheng Xiangming, é entronizado como chefe tradicional em Gana, em reconhecimento pelo investimento e criação de emprego no país. Recebe o nome de Hiowe Golaka Noryam Matse Nene Asumahtsu I. Numa cerimónia que deveria simbolizar o auge da integração e do respeito mútuo, a reação nas redes sociais foi imediata e, para muitos, envergonhante: "os próximos must stupid people in Africa são os Ganeses! Povo muito inútil!". Empresário chinês, Zheng Xiangming, é entronizado como chefe tradicional em Gana . Esta reação não é um mero desabafo isolado. É o espelho de uma ferida aberta. O comentário, carregado de xenofobia e desprezo, revela algo mais profundo do que a simples discordância sobre a outorga de um t...