LIBERDADE SEM DISCIPLINA É UM DESASTRE HUMANO

As Más Lembranças Que Se Vêem Depois Das Festas...

Por Luís Silva Muataleia
Nampula, 11 de Abril de 2026

Ao menos se os acompanhantes pudessem preservar as imagens ou não permitissem a captação, muito menos a divulgação, independentemente dos motivos. Pois, a imagem que ilustra este artigo não foi escolhida para chocar gratuitamente. Foi escolhida porque choca pela verdade nua e crua que carrega. Uma mulher deitada no chão de terra batida, pernas abertas para o céu nocturno, corpo exposto, sem controlo, sem pudor, sem dignidade. Ao fundo, outras figuras observam ou seguem o seu caminho, como se aquilo fosse normal. Como se fosse “liberdade”.

Não é.  

É o retrato exacto do que acontece quando a liberdade é confundida com licença, quando a emancipação é trocada pelo desregramento e quando o dia que deveria celebrar a força da mulher moçambicana se transforma, para algumas, num palco de excessos que envergonham famílias inteiras.

O 7 de Abril, data em que homenageamos Josina Machel e todas as mulheres que lutaram pela independência e pela dignidade do nosso povo, não pode – e não deve – ser sinónimo de bebidas alcoólicas a rolar, substâncias que alteram a consciência e corpos que se entregam ao primeiro impulso sem qualquer filtro. Para muitas famílias moçambicanas, especialmente nas províncias onde ainda se respira o conservadorismo saudável das nossas tradições, o dia termina em preocupação, em conversas baixas, em “o que é que a vizinhança vai dizer?”. Para outras, é o dia “reservado” ao desmando, à satisfação de desejos que, à luz do dia seguinte, deixam apenas arrependimento e uma imagem que ninguém consegue apagar.

Liberdade sem disciplina é, sim, um desastre humano.

Não se trata de moralismo barato nem de querer voltar ao tempo em que a mulher era apenas sombra do homem. Trata-se de inteligência emocional e colectiva. A mulher moçambicana que hoje estuda, empreende, lidera famílias, ocupa cargos públicos e constrói o futuro do país não precisa de se desnudar em público para provar que é livre. Pelo contrário: a verdadeira emancipação mede-se pela capacidade de escolher, de se respeitar e de respeitar o colectivo. A liberdade que humilha a si própria deixa de ser liberdade – torna-se escravidão do instinto mais baixo.

Olhemos para os que estão “a ano-luz do nosso tempo”, como bem disse o leitor. Elon Musk, Jeff Bezos, as mentes que constroem naves espaciais, que revolucionam a energia, que sonham com a colonização de Marte – não chegaram lá bebendo até perder a consciência nem exibindo o corpo como troféu de uma noite. Chegaram lá com disciplina feroz, com foco obsessivo, com a capacidade de adiar a gratificação imediata em prol de um bem maior. Essa é a liberdade que constrói civilizações. A outra, a que vemos nas imagens que circulam todos os anos após o 7 de Abril, só constrói vergonha e retrocesso.

Não estamos contra a festa. Estamos contra a transformação da festa em degradação colectiva. Não estamos contra a mulher que dança, que se diverte, que celebra a sua feminilidade. Estamos contra a mulher que acorda no dia seguinte sem memória, sem respeito próprio e com uma fotografia sua a circular como meme de desgraça.

Moçambique precisa de mulheres fortes, sábias, inteligentes e emancipadas – sim. Mas emancipação não é sinónimo de descontrolo. É sinónimo de autocontrolo. É sinónimo de escolher o que eleva, em vez de escolher o que rebaixa. É sinónimo de entender que a liberdade que não respeita limites acaba por destruir quem a exerce.

Que o Dia da Mulher Moçambicana continue a ser celebrado com orgulho, com cultura, com dança e com alegria. Mas que seja também um dia de reflexão: a liberdade que não vem acompanhada de disciplina não liberta ninguém. Pelo contrário. Deixa-nos exactamente onde esta imagem nos mostra – deitados no chão, expostos, sem rumo e sem amanhã.

A escolha é nossa.  

E o futuro de Moçambique também.

E até quando ficará na internet? 

Comentários

  1. Da nisso quando se tem uma sociedade, sem consciência plena, e que não entende o sentido verdadeiro das celebrações do 7 abril, agora o 7 de abril é celebrado na calada da noite com que objectivo?
    É uma pena mesmo

    ResponderEliminar
  2. Se Deus trouxe o dia e os homem preferiram a noite sabem o porquê dessa escolha, tudo Ruim é das trevas, e anoite acontece toda coisa não boa, enquanto uma mulher diz que vou passar o dia 7 de Abril na calada da noite o que isso significa partindo dese pressuposto? Mas quando o homem reivindicar isso dizem que pode ser prezo porque é dia da mulher , qual é a base legal que diz que as mulheres nesse dia devem sair de casa a noite para passear e divertir? Por isso temos coisas como essas depois do dia, porque mulher agi por emoção e não tem juízo na cabeça

    ResponderEliminar
  3. É muita gente que abusa da liberdade. Algumas são aquelas mulher homem como dizem, deveras ser punidas para que haja disciplina e respeito a suam própria dignidade

    ResponderEliminar
  4. O corpo da mulher que era sagrado, hoje virou uma espécie de algo para esclarecer dúvidas às crianças. Imoralidade total... Que pena

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

É POR ISSO QUE NÃO DEIXAMOS ESPOSAS IREM AO GINÁSIO?

O REGISTO QUE O AMANHÃ NÃO PERDOA

CASADAS EM CASA, SOLTEIRAS NO SERVIÇO