LIBERDADE SEM DISCIPLINA É UM DESASTRE HUMANO
As Más Lembranças Que Se Vêem Depois Das Festas...
Ao menos se os acompanhantes pudessem preservar as imagens ou não permitissem a captação, muito menos a divulgação, independentemente dos motivos. Pois, a imagem que ilustra este artigo não foi escolhida para chocar gratuitamente. Foi escolhida porque choca pela verdade nua e crua que carrega. Uma mulher deitada no chão de terra batida, pernas abertas para o céu nocturno, corpo exposto, sem controlo, sem pudor, sem dignidade. Ao fundo, outras figuras observam ou seguem o seu caminho, como se aquilo fosse normal. Como se fosse “liberdade”.
Não é.
É o retrato exacto do que acontece quando a liberdade é confundida com licença, quando a emancipação é trocada pelo desregramento e quando o dia que deveria celebrar a força da mulher moçambicana se transforma, para algumas, num palco de excessos que envergonham famílias inteiras.
O 7 de Abril, data em que homenageamos Josina Machel e todas as mulheres que lutaram pela independência e pela dignidade do nosso povo, não pode – e não deve – ser sinónimo de bebidas alcoólicas a rolar, substâncias que alteram a consciência e corpos que se entregam ao primeiro impulso sem qualquer filtro. Para muitas famílias moçambicanas, especialmente nas províncias onde ainda se respira o conservadorismo saudável das nossas tradições, o dia termina em preocupação, em conversas baixas, em “o que é que a vizinhança vai dizer?”. Para outras, é o dia “reservado” ao desmando, à satisfação de desejos que, à luz do dia seguinte, deixam apenas arrependimento e uma imagem que ninguém consegue apagar.
Liberdade sem disciplina é, sim, um desastre humano.
Não se trata de moralismo barato nem de querer voltar ao tempo em que a mulher era apenas sombra do homem. Trata-se de inteligência emocional e colectiva. A mulher moçambicana que hoje estuda, empreende, lidera famílias, ocupa cargos públicos e constrói o futuro do país não precisa de se desnudar em público para provar que é livre. Pelo contrário: a verdadeira emancipação mede-se pela capacidade de escolher, de se respeitar e de respeitar o colectivo. A liberdade que humilha a si própria deixa de ser liberdade – torna-se escravidão do instinto mais baixo.
Olhemos para os que estão “a ano-luz do nosso tempo”, como bem disse o leitor. Elon Musk, Jeff Bezos, as mentes que constroem naves espaciais, que revolucionam a energia, que sonham com a colonização de Marte – não chegaram lá bebendo até perder a consciência nem exibindo o corpo como troféu de uma noite. Chegaram lá com disciplina feroz, com foco obsessivo, com a capacidade de adiar a gratificação imediata em prol de um bem maior. Essa é a liberdade que constrói civilizações. A outra, a que vemos nas imagens que circulam todos os anos após o 7 de Abril, só constrói vergonha e retrocesso.
Não estamos contra a festa. Estamos contra a transformação da festa em degradação colectiva. Não estamos contra a mulher que dança, que se diverte, que celebra a sua feminilidade. Estamos contra a mulher que acorda no dia seguinte sem memória, sem respeito próprio e com uma fotografia sua a circular como meme de desgraça.
Moçambique precisa de mulheres fortes, sábias, inteligentes e emancipadas – sim. Mas emancipação não é sinónimo de descontrolo. É sinónimo de autocontrolo. É sinónimo de escolher o que eleva, em vez de escolher o que rebaixa. É sinónimo de entender que a liberdade que não respeita limites acaba por destruir quem a exerce.
Que o Dia da Mulher Moçambicana continue a ser celebrado com orgulho, com cultura, com dança e com alegria. Mas que seja também um dia de reflexão: a liberdade que não vem acompanhada de disciplina não liberta ninguém. Pelo contrário. Deixa-nos exactamente onde esta imagem nos mostra – deitados no chão, expostos, sem rumo e sem amanhã.
A escolha é nossa.
E o futuro de Moçambique também.
E até quando ficará na internet?

Da nisso quando se tem uma sociedade, sem consciência plena, e que não entende o sentido verdadeiro das celebrações do 7 abril, agora o 7 de abril é celebrado na calada da noite com que objectivo?
ResponderEliminarÉ uma pena mesmo
Se Deus trouxe o dia e os homem preferiram a noite sabem o porquê dessa escolha, tudo Ruim é das trevas, e anoite acontece toda coisa não boa, enquanto uma mulher diz que vou passar o dia 7 de Abril na calada da noite o que isso significa partindo dese pressuposto? Mas quando o homem reivindicar isso dizem que pode ser prezo porque é dia da mulher , qual é a base legal que diz que as mulheres nesse dia devem sair de casa a noite para passear e divertir? Por isso temos coisas como essas depois do dia, porque mulher agi por emoção e não tem juízo na cabeça
ResponderEliminarÉ muita gente que abusa da liberdade. Algumas são aquelas mulher homem como dizem, deveras ser punidas para que haja disciplina e respeito a suam própria dignidade
ResponderEliminarO corpo da mulher que era sagrado, hoje virou uma espécie de algo para esclarecer dúvidas às crianças. Imoralidade total... Que pena
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