IMAGENS QUE NÃO PRECISAM DE LEGENDA PARA FERIR
Relíquia Sagrada ou Feitiçaria? O Duplo Padrão que Ainda Humilha a África Um bispo, vestido de ouro e púrpura, ergue um crânio humano diante de uma multidão (como na imagem abaixo). Depois coloca-o delicadamente sobre a cabeça de uma estátua dourada de santa. Aplausos. Câmaras. Respeito. Chama-se relíquia. Chama-se fé. Chama-se tradição milenar da Igreja. Agora imagine a mesma cena noutro continente. Um ancião africano manipula o crânio de um antepassado para lhe prestar homenagem, pedir orientação ou simplesmente manter vivo o laço entre os vivos e os mortos. De repente, a palavra muda. Já não é relíquia. É sorcellerie. Feitiçaria. Idolatria. Necromancia. Atraso. A pergunta que ecoa é simples e brutal: quem é, afinal, o feiticeiro? Durante séculos, o Ocidente construiu uma narrativa em que tudo o que não cabia no seu quadro de referência era imediatamente classificado como selvagem ou demoníaco. O termo “feiticeiro” não nasceu em África. Foi importado, imposto, e depois usado como ar...